sábado, 6 de agosto de 2011

JUROS DE PORTUGAL CAEM 100 pontos .... MAS ....

Eudora Ribeiro
BCE volta ao mercado e compra dívida portuguesa e irlandesa. A percepção de risco da parte dos investidores em relação a Portugal dá sinais de alívio. O mesmo se verifica em relação a Espanha e Itália.
Os juros dos títulos de dívida de Portugal caem em todos os prazos, sobretudo nas taxas das obrigações com prazos mais curtos.
A 'yield' dos títulos de dívida a 2, 3 e 4 anos registam quedas superiores a 100 pontos base até aos 13,5%, 14,52% e 13,59%, respectivamente. E também as maturidades mais longas seguem em queda, mas mais ligeira, com o juro a 10 anos a descer 33 pontos base para 10,97%.
Esta evolução surge depois de o Banco Central Europeu (BCE) ter voltado hoje ao mercado para comprar obrigações de Portugal e Irlanda, pelo segundo dia consecutivo, numa nova tentativa de travar a escalada dos juros no mercado secundário.
No mesmo sentido seguem as taxas das obrigações da Irlanda e também de Espanha e Itália, os dois países que têm sido os 'novos' alvos dos mercados, apontados como as próximas vítimas da crise da dívida soberana na zona euro.
No mundo dos 'credit-default swaps' (CDS) sobre obrigações do Tesouro a 5 anos - que são uma espécie de seguro contra o eventual incumprimento de um Estado ou empresa - também se verifica um alívio dos receios dos investidores em relação à Irlanda, Portugal, Espanha e Itália, além da Grécia.
O preço de segurar o eventual 'default' de Espanha, por exemplo, cai 11 pontos para os 405,83 mil euros, o que quer dizer que por cada 10 milhões de euros aplicados em dívida espanhola os investidores têm de pagar um seguro anual de 405,83 mil euros.

História - Os países europeus que mais vezes entraram em bancarrota (DE)


A Europa já assiste a ‘defaults' desde 1340 e Espanha lidera lista de incumpridores. Portugal aparece sete vezes na lista.
A palavra ‘default' só precisa de ser sussurrada para ser o bater de asas de borboleta que causa terramotos nos mercados, mas desde 1340 que os países europeus caem em incumprimento, com a Espanha à cabeça.
De acordo com dados consultados pela Lusa, recolhidos por investigadores americanos e pelo Credit Suisse, a primeira situação de incumprimento registada na Europa deu-se em 1340 pela Inglaterra, mas o recorde, até ao momento, é detido pela Espanha, com sete ‘defaults' só no século XIX, depois de seis nos 300 anos que o antecederam.
"Com a sua série de incumprimentos no século XIX, a Espanha tomou o manto de mais incumpridora à França, que tinha renunciado às suas obrigações em oito ocasiões entre 1500 e 1800", escrevem os académicos Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, a primeira uma antiga vice-presidente do Bear Stearns e o segundo um antigo economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, no livro ‘This Time is Different: Eight Centuries of Economic Folly'; (algo como "Desta vez é diferente: Oito séculos de loucura económica").
Uma tabela compilada pelo Credit Suisse confirmava a posição da Espanha como ocupante do trono dos incumpridores: entre 1557 e 1939, a Espanha renegou os seus compromissos de dívida não uma, duas nem três vezes, mas sim 18 vezes, contra as "meras" sete ocasiões de Portugal e nove francesas.
Muitas destas situações de incumprimento foram motivadas por guerras (16 das 18 ocorrências espanholas tiveram lugar em momentos de confronto) ou, no caso dos países com colónias, pela independência das mesmas.
Nem a Alemanha escapa a esta lista, verificando-se ‘defaults' em terreno germânico (ou prussiano, dependendo do momento histórico) em cinco pontos dos últimos 500 anos, desde 1683 até 1939, segundo a lista do Credit Suisse.
O panorama nos séculos XVIII e XIX era de tal forma que o ministro francês das Finanças, Abbe Terray, em funções entre 1768 e 1774, chegou a dizer, citado por Reinhart e Rogoff, que os governos deviam entrar em incumprimento uma vez por século para restaurar o equilíbrio, uma espécie de catarse.
Os dois economistas consideram que "talvez mais do que qualquer outra coisa, o fracasso em reconhecer a precariedade e a fragilidade da confiança é o factor-chave que dá origem à síndrome de ‘desta vez é diferente', ou seja, governos altamente endividados, bancos e empresas parecem estar a saltitar de forma contente por um período prolongado, quando, de repente, a confiança cai, os empréstimos desaparecem e a crise chega".

COMEMORAR OS 30 DIAS DE GOVERNO DA DIREITA

Falhou a eleição de Fernando Nobre como Presidente da Assembleia da República e dela saiu, depois de tremelicar, afirmando que levava consigo a ideia do dever cumprido. Qual dever?! Cumprido?!
O Governo saiu bem maior do que o prometido, ainda que sem o anunciado Bernardo Bairrão, tão enfaticamente anunciado por Marcelo na TVI, em primeira mão.
Ficou com alguns ministros a menos, secretários de estado a mais, sendo que alguém se lembrou de colocar um deles, o Adjunto do Primeiro Ministro, a liderar uma equipa de 30 técnicos para – segundo a imprensa – controlar o trabalho de todos os ministérios e seus titulares. Enfim, uma "nova ordem"na hierarquia para colmatar uma descofiança!
Ao contrário do que o PSD anunciara em Março, aquando do derrube do Executivo de José Sócrates e da reacção negativa dos mercados, a credibilidade deste seu Governo passou a ser menor, e não maior, tendo subido os juros a 10 anos de 7 para 11%
O “novo” Presidente da República, o que dizia “não vale a pena recriminar as agências de rating”, afirma agora, “as agências norte americanas são uma ameaça”. E compreende-se, porque baixando o rating da República o do seu Presidente também não sobe, quer hoje, quer ontem!
Depois de um “desvio colossal” anunciado pelo Governo este, ao fim de dez dias, na Assembleia da República, nos jornais e nas televisões, veio afirmar que não dissera nada disso e que se tratava de uma interpretação abusiva. Acontece que nesse dia número dez a maioria de direita fazia aprovar um corte de 50% no subsídio de Natal e um aumento de 3,5% no IRS para, logo a seguir, avançar com mais 15% em média nos transportes, tudo em nome de um "equívoco colossal".
Para tão má interpretação é preciso ser muito imaginativo para perceber a “coima preventiva” nos vencimentos e IRS, salvo, claro, no que respeita aos dividendos ou juros dos depósitos, porque destes cortes se livraram, por exemplo, os dez primeiros (e os outros) do “raking” dos mais ricos de Portugal.
Nomeando mais quatro administradores para a Caixa Geral de Depósitos, três do PSD e um do CDS, passando para onze a sua administração, o Governo, imune às críticas de Lobo Xavier e Pacheco Pereira, logo tratou de vender o BPN à entidade presidida por Mira Amaral, por 40 dos 2 400 milhões que já custou, obrigando-se o Estado a um reforço extra de capital de 500 milhões e ficando de pagar as indemnizações dos quase 800 trabalhadores que vão ser despedidos. O Banco regressa assim às origens de que muitos vão matar saudades e, sabe-se lá, recuperar de alguns dissabores.
Tudo isto nos faz compreender por que motivo uma zelosa deputada do PSD fez uma chamada falsa para o INEM, eventualmente para pôr a “laranja no cimo do bolo” e comemorar os 30 dias de Governo da Direita.
Diário as Beiras 2011.08.04

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

ANTÓNIO CAPUCHO: TROCADO POR QUALQUER UM!

António Capucho era um activíssimo apoiante de Pedro Passos Coelho.

Fez uma campanha intensa contra o Governo de José Sócrates.

Demitiu-se da Câmara da Cascais por razões de saúde, mas continuou em todos os outros cargos. Esperava uma recompensa.

Foi trocado por Fernando Nobre para a Presidência da AR.

E agora foi trocado no Conselho de Estado. Soube pelos jornais!

NOTICIAS POSITIVAS: DE COMO O GOVERNO FAZ SUAS, ALGUMAS!

O Primeiro Ministro escolheu os seus primeiros trinta dias de governo como tema para o debate quinzenal.
António José Seguro participou pela primeira vez na qualidade de líder do maior partido da oposição.

No 1º Debate na Assembleia da República, António José Seguro questionou o Governo sobre o possível envolvimento, mediatizado, dos Serviços de Informação no chamado caso Bairrão, o tal Secretário de Estado que não o foi, por decisão influenciada do 1º Ministro.

Foi público, como se sabe, e anunciado em directo na TVI por Marcelo Rebelo de Sousa, o convite a Bernardo Bairrão para Secretário de Estado da Administração Interna, confirmado pelo próprio e explicado pelo Ministro respectivo.

O 1º Ministro, apesar de tudo, disse que não tinha havido convite, que fora especulação jornalística, mas a verdade é que o Ministro da Administração Interna afirmou o contrário e até explicou o facto como "indisponibilidade pessoal" de Bernardo Bairrão.

António Seguro questionou também o Governo sobre o caso Caixa Geral de Depósitos, a nomeação política e partidária de mais 4 administradores a somar aos 7 já existentes, tal como Lobo Xavier e Pacheco Pereira, militantes do CDS e PSD, respectivamente, criticaram naquela semana. Disseram mesmo que três eram do PSD e um do CDS, respeitando, portanto, a proporcionalidade, mas não as promessas eleitorais.

O 1º Ministro fez um longo raciocínio para tentar provar que não aumentava a despesa, nem o seu número, coisa que ninguém conseguiu perceber no Parlamento e fora dele até aos dias de hoje.

Finalmente, sobre as questões do crescimento e do emprego, António Seguro, garantindo honrar o memorando da Troika, observou o excesso de austeridade, como o corte de metade do subsídio de Natal e o aumento do IRS, sem qualquer justificação, tanto mais que ficou provada, e confessada pelo próprio Governo, a ausência de qualquer desvio "colossal".

O líder socialista referiu ainda a inexistência de qualquer medida para o crescimento no programa do governo, facto que, avisou, vai provocar uma recessão intensa e o aumento exponencial do desemprego.

O 1º Ministro insistiu na austeridade, que vai reforçar, e não esclareceu qual o "tipo" de despesa que vai cortar, nem a isenção fiscal dos mais ricos, nos dividendos, nas acções e nos juros dos depósitos. Como dizia, no dia seguinte, o editorial do Público: "Uma dieta abundante em intenções, mas parca em propostas concretas".

Sim, de positivo, temos um jovem com uma medalha de Ouro nas Olimpíadas de Matemática e a diminuição sazonal do desemprego em -0,2%, tudo antes do Governo tomar posse. E assim se vê como o Governo faz suas algumas notícias!
Diário de Viseu  2011-08-02

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

ITÁLIA VAI TER DE PEDIR AJUDA ... E ESPANHA?

Económico com Lusa
O director do Centre for Economics and Business Research (CEBR) considerou hoje que a Itália vai ser obrigada a pedir ajuda financeira. Para Douglas McWilliams, foi o fracasso dos líderes europeus em resolver os problemas das suas economias antes das férias de Agosto que colocou Espanha e Itália na mira dos mercados internacionais, que estão a colocar as taxas de juros exigidas para comprar dívida pública em níveis que se aproximam perigosamente da barreira dos 7%.
O primeiro-ministro espanhol, Jose Luiz Rodrigues Zapatero, foi forçado a interromper as férias e convocar uma reunião de emergência com membros do seu Governo, enquanto que o seu homólogo italiano, Sílvio Berlusconi, ainda não suspendeu os planos para o verão, mas já anunciou um programa de 7,4 mil milhões de euros para relançar a economia e várias reuniões com as instâncias nacionais.
Na quarta-feira, Berlusconi discursou no parlamento italiano onde associou a crise italiana à especulação e afirmou que a Itália "não merecia ser punida nos mercados."

De acordo com o presidente executivo do CEBR, Itália e Espanha têm dinâmicas diferentes: se, no caso espanhol, a dívida não deverá ultrapassar os 75% do Produto Interno Bruto (PIB).

Já em Itália, os cálculos feitos pelo analista vão noutra direcção e apontam para uma dívida equivalente a 128% do PIB.
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Em Itália, e apesar de Berlusconi ter implementado medidas austeras de restrição orçamental, estas parecem insuficientes. De acordo com os cálculos do CEBR, se os italianos continuarem a financiar-se nos mercados com juros superiores a 6 por cento, a dívida poderá atingir os 150% do PIB em 2017.
Mesmo que os custos dos empréstimos baixem para os 4%, o analista estima que a dívida italiana atinja os 123% do PIB em 2018.
Caso os juros das obrigações italianas comecem a negociar acima dos 7%, a dívida italiana tornar-se-á insustentável para os mercados, argumenta o analista, que antevê um futuro negro para o governo de Sílvio Berlusconi, uma vez que o crescimento dos países do Sul da Europa está praticamente estagnado, o que em nada contribui para reforçar quer a moeda única, quer os países do euro