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sexta-feira, 24 de junho de 2016

Monumento evocativo - João Inês Vaz homenageado em Rebordinho (Viseu)

Um ano depois da sua morte uma comissão organizadora, liderada por Manuel Fernandes, juntou ontem, em Rebordinho (S. João de Lourosa) o presidente da câmara municipal, vereação, junta de freguesia, família e amigos do Prf. Dr. João Inês Vaz. Foi inaugurado um monumento evocativo. As breves palavras que dirigi são o eco do artigo que então escrevi e que agora republico.

João Luís Inês Vaz

Nunca ninguém está preparado para o impensável. No passado sábado tinha participado com o João, na Associação Comercial, num evento promovido por Sampaio da Nóvoa.
E no domingo passámos juntos o final da tarde, no aniversário de um amigo chegado, ocasião em que se celebra a vida e se olha para o futuro de modo auspicioso e duradouro. Foi isso que fizemos, mas a vida, pelos vistos, não partilhava connosco a mesma opinião e na terça-feira subtraiu-o à nossa companhia.
O nosso conhecimento aconteceu nos anos 80, na universidade. Ele professor de Cultura Portuguesa e eu aluno que decidira partir das ciências para o mundo das Humanidades. Anos mais tarde, a universidade Católica foi novamente um ponto de encontro e, desta vez, como professores.
As nossas famílias tornaram-se próximas. Inicialmente, muito por causa da amizade dos filhos. O Edgar e a Gisela cresceram num tempo comum aos nossos. Aprenderam nas mesmas escolas e, em boa parte, com os mesmos professores. Depois foi a vida académica que estreitou o nosso relacionamento. Apesar de no fim dos anos 80 já ser docente na universidade de Aveiro, continuava com a minha família em Viseu e lecionava Literatura Portuguesa na Católica. Ainda chegámos a escrever um artigo comum sobre a Igreja de Balsemão. Acho que foi publicado no longínquo Comércio do Porto. Bons tempos!
Mais tarde, teríamos um percurso político partilhado. Salvo erro, em 1993 o João Inês Vaz concluía o seu doutoramento, e convenci-o por essa altura a partilhar comigo, com o José Manuel Oliveira, ambos independentes, e uma equipa sonhadora, uma candidatura à câmara de Viseu. Aceitou e participámos com entusiasmo numa experiência enriquecedora para todos. Era um tempo de nova e verdadeira cidadania. Os valores contavam.
Edgar Vaz (filho) inaugura com os presidentes de câmara
e junta o monumento
Dois anos depois, António Guterres levou o PS ao governo e a sua escolha para Governador Civil de Viseu recaiu sobre João Inês Vaz. Foram seis anos de vida pública intensa. O distrito deve-lhe reconhecimento por muitas obras e impulsos de desenvolvimento que ajudou a concretizar.
No entanto, nunca perdeu o sentido dos livros, nem a inclinação para a investigação sofreu qualquer afrouxamento. Pelo contrário, continuava a alimentar essa vocação para descoberta e para o escrutínio das nossas origens. Nele, a História e a Arqueologia andavam de mãos dadas e foi-nos deixando em livros, em várias línguas, a herança desse conhecimento. Atualmente presidia ao Centro de Estudos Aquilino Ribeiro.
Nesta sexta-feira, pela manhã, voltarei a encontrar-me com o João Inês Vaz uma última vez, pelo menos por cá. Aqui deixo o meu reconhecimento por tudo o que fez por todos, bem como um abraço profundo e solidário, a toda a sua família e aos seus amigos. Estou certo de que a sua obra não o deixará partir.

DV 2015.06.24 

sábado, 4 de julho de 2015

João Inês Vaz - Assembleia da República aprova por unanimidade voto de pesar

Foi por unanimidade que a Assembleia da República aprovou o voto de pesar ao Prof. Dr. João Luís Inês, proposto pelos deputados do PS Viseu e subscrito por muitos outros parlamentares.

"João Luís Inês Vaz, nascido no Soito, concelho de Sabugal, a 13 de Novembro de 1951, morreu no passado dia 23 de junho na cidade de Tarouca, aos 63 anos de idade.
Professor de profissão, do ensino secundário e universitário, doutorado em história da arqueologia, desenvolveu uma indelével atividade cívica e política no distrito de Viseu e em todo o país.
Foi vereador da câmara municipal de Viseu, cidade onde fixou residência, e governador civil do distrito de Viseu, funções que desempenhou com extrema dedicação e com elevado brio, deixando uma imagem de grande competência e rigor.
Integrou, igualmente, os órgãos sociais de inúmeras associações culturais e científicas com o espírito que sempre o norteou, servir a comunidade, servir os seus concidadãos; presidindo atualmente ao Centro de Estudos Aquilino Ribeiro.
Como investigador é vasta a sua obra, nomeadamente nas áreas da história e sobretudo da arqueologia onde deu um forte contributo para o aprofundamento do conhecimento das nossas origens mais remotas, deixando o seu nome associado a inúmeros livros, alguns deles traduzidos em várias línguas, artigos científicos e escavações que nos ajudam a perceber a longa evolução do homem em sociedade.
João Luís Inês Vaz, com o seu exemplo, honrou e dignificou a política e a cidadania. Sendo um homem de consensos, nunca deixou, em momento algum, de afirmar as suas convicções fazendo as consequentes ruturas quando estavam em causa princípios norteadores da sua intervenção política.
Era um homem íntegro, frontal, generoso e sempre disponível para ajudar e para trabalhar em prol da comunidade, que com a sua morte prematura perdeu um dos seus melhores e mais dinâmicos cidadãos.
 
A Assembleia da República reunida em Plenário evoca a memória de João Luís Inês Vaz e apresenta à sua família as mais sentidas condolências".

Palácio de São Bento, 03 de julho de 2015

Os deputados
José Junqueiro, Elza Pais e Acácio Pinto
.....................................
(e muitos outros parlamentares)

sexta-feira, 26 de junho de 2015

(Opinião) João Luís Inês Vaz

João Luís Inês Vaz

Nunca ninguém está preparado para o impensável. No passado sábado tinha participado com o João, na Associação Comercial, num evento promovido por Sampaio da Nóvoa.
E no domingo passámos juntos o final da tarde, no aniversário de um amigo chegado, ocasião em que se celebra a vida e se olha para o futuro de modo auspicioso e duradouro. Foi isso que fizemos, mas a vida, pelos vistos, não partilhava connosco a mesma opinião e na terça-feira subtraiu-o à nossa companhia.
O nosso conhecimento aconteceu nos anos 80, na universidade. Ele professor de Cultura Portuguesa e eu aluno que decidira partir das ciências para o mundo das Humanidades. Anos mais tarde, a universidade Católica foi novamente um ponto de encontro e, desta vez, como professores.
As nossas famílias tornaram-se próximas. Inicialmente, muito por causa da amizade dos filhos. O Edgar e a Gisela cresceram num tempo comum aos nossos. Aprenderam nas mesmas escolas e, em boa parte, com os mesmos professores. Depois foi a vida académica que estreitou o nosso relacionamento. Apesar de no fim dos anos 80 já ser docente na universidade de Aveiro, continuava com a minha família em Viseu e lecionava Literatura Portuguesa na Católica. Ainda chegámos a escrever um artigo comum sobre a Igreja de Balsemão. Acho que foi publicado no longínquo Comércio do Porto. Bons tempos!
Mais tarde, teríamos um percurso político partilhado. Salvo erro, em 1993 o João Inês Vaz concluía o seu doutoramento, e convenci-o por essa altura a partilhar comigo, com o José Manuel Oliveira, ambos independentes, e uma equipa sonhadora, uma candidatura à câmara de Viseu. Aceitou e participámos com entusiasmo numa experiência enriquecedora para todos. Era um tempo de nova e verdadeira cidadania. Os valores contavam.
Dois anos depois, António Guterres levou o PS ao governo e a sua escolha para Governador Civil de Viseu recaiu sobre João Inês Vaz. Foram seis anos de vida pública intensa. O distrito deve-lhe reconhecimento por muitas obras e impulsos de desenvolvimento que ajudou a concretizar.
No entanto, nunca perdeu o sentido dos livros, nem a inclinação para a investigação sofreu qualquer afrouxamento. Pelo contrário, continuava a alimentar essa vocação para descoberta e para o escrutínio das nossas origens. Nele, a História e a Arqueologia andavam de mãos dadas e foi-nos deixando em livros, em várias línguas, a herança desse conhecimento. Atualmente presidia ao Centro de Estudos Aquilino Ribeiro.
Nesta sexta-feira, pela manhã, voltarei a encontrar-me com o João Inês Vaz uma última vez, pelo menos por cá. Aqui deixo o meu reconhecimento por tudo o que fez por todos, bem como um abraço profundo e solidário, a toda a sua família e aos seus amigos. Estou certo de que a sua obra não o deixará partir.

DV 2015.06.24