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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Água - 180 cidades, em 35 países, recuperam gestão da água - Privatizações revertidas

Nos últimos 15 anos, pelo menos 180 cidades de 35 países recuperaram o controlo dos serviços públicos de água e saneamento privatizados, segundo revela um estudo elaborado por três organizações internacionais (em anexo).
O primeiro mapa global da remunicipalização da água, publicado em Novembro de 2014, vem confirmar a tendência de regresso ao poder público destes serviços essenciais. Realizado conjuntamente pelo Instituto Transnacional (TNI), o Observatório das Multinacionais e a Unidade de Pesquisa de Serviços Públicos (PSIRU), o relatório destaca as grandes cidades que remunicipalizaram estes serviços: Atlanta e Indianápolis (EUA) Accra (Ghana), Almaty (Cazaquistão), Berlim (Alemanha), Buenos Aires (Argentina), Budapeste (Hungria), Dar es Salaam (Tanzânia), Jakarta (Indonésia), Kuala Lumpur (Malásia), Joanesburgo (África do Sul), La Paz (Bolívia), Maputo (Moçambique) e Paris (França).
Inversamente, no mesmo período, houve muito poucos casos de privatizações nas grandes cidades, de que são exemplo a cidade de Nagpur (Índia), que teve grande oposição e contestação, e de Jeddah (Arábia Saudita).
Nos chamados países ricos o ritmo das remunicipalizações duplicou nos últimos cinco anos, passando de 41 processos entre 2005 e 2009 para 81 entre 2010-2014.
Esta tendência foi particularmente visível em França, onde se registaram 33 casos desde 2010 contra apenas oito entre 2005 e 2009.
Os EUA foram o país com mais remunicipalizações (59), seguindo-se a França (49), a Alemanha (12), Argentina (4) e a Hungria e a África do Sul (3 cada).

Privado é pior
As razões que levaram à remunicipalização são semelhantes por todo o mundo: desempenho medíocre das empresas privadas, sub-investimento, disputas sobre custos operacionais e aumento de preços, aumento brutal de tarifas, dificuldade em fiscalizar os operadores privados, falta de transparência financeira, despedimentos e deficiente qualidade de serviço.
A maioria das remunicipalizações ocorreu por rescisão dos contratos privados, antes de o prazo expirar.
Vários municípios tiveram de enfrentar duros contenciosos com os privados e pagar avultadas indemnizações. Por exemplo, a cidade de Indianápolis foi obrigada a pagar 29 milhões de dólares à multinacional francesa, Veolia, enquanto os habitantes de Berlim tiveram de suportar elevados custos com a compra das acções detidas por dois operadores privados.
Os autores do estudo consideram que estes conflitos devem alertar os políticos que ponderam a transferência da gestão da água para o sector privado, sublinhando que «a privatização, seja sob que forma for, ao invés de trazer a prometida gestão eficiente e inovação, tem produzido sistematicamente efeitos negativos a longo prazo para as comunidades locais e os seus governos».
Eliminando a lógica de maximização do lucro, imperativa na gestão privada, a gestão pública melhora o acesso e a qualidade dos serviços de água, constata o relatório, referindo exemplos tão diversos como o de Paris, Arenys de Munt (Espanha) e Almaty.
Por outro lado, a gestão pública permitiu aumentar significativamente o investimento, como é o caso de Grenoble (França), Buenos Aires e Arenys de Munt, onde o sistema tarifário foi revisto de forma a garantir o acesso à água às famílias com rendimentos mais baixos.


Por iniciativa do STAL e da campanha «Água de todos», o relatório já se encontra traduzido em português e pode ser consultado na íntegra em www.aguadetodos.com

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

PS Tondela apresenta queixa sobre preço da água no Planalto Beirão

Joaquim Santos, presidente da comissão política concelhia do PS Tondela, apresentou queixa, através do grupo parlamentar do PS na assembleia municipal, ao TAF de Viseu contra a Associação de Municípios da Região do Planalto Beirão em virtude da sonegação de informações sobre o "negócio da água", preço e taxas cobradas, que fez daquele recurso estratégico o quarto mais caro do país.

Depois das eleições autárquicas, e por espontânea vontade de gente que fez parte das listas, nasceu um movimento popular – Movimento de Utentes das Águas do Planalto (MUAP), ao qual se juntou gente dos vários concelhos e de vários partidos.

O MUAP fez várias ações (abaixo-assinados , denuncias, reuniões com os municípios e, neste momento, por decisão do Tribunal de Contas, este assunto está nos TAF’s de Viseu e Coimbra. 

No entanto, a AMRPB (cujo anterior Conselho Executivo renegociou uma adenda ao contrato) nada tem feito para esclarecer as dúvidas.

Moção apresentada pelo grupo parlamentar do PS Tondela e aprovada, ainda que com a abstenção do PSD
Moção
A lei 75/2013 define, no seu art.º 108º, n.º 1 que:

“A constituição das associações de autarquias locais de fins específicos compete aos órgãos executivos colegiais dos municípios......ficando a eficácia do acordo constitutivo, que define os seus estatutos, dependente da aprovação pelos respectivos órgãos deliberativos”.

O regime jurídico, consagrado no art.º 110º, diz: “as associações de autarquias locais regem-se pelo disposto na presente Lei e na demais legislação aplicável à pessoas coletivas públicas,….estando sujeitas a:

a) Aos princípios constitucionais de direito administrativo,
b) Aos princípios gerais da atividade administrativa,
c) …..

A mesma Lei 75/2013, no seu art.º 24º, nº 2 , estabelece as competências da
assembleia municipal.

a) Acompanhar e fiscalizar a atividade da câmara municipal, dos serviços municipalizados,……das empresas locais e de quaisquer outras entidades que integrem o perímetro da administração local…
………………..
d) Solicitar e receber informação, através da mesa e a pedido de qualquer membro, sobre assuntos de interesse para o município ……
f) Apreciar a recusa da prestação de quaisquer informações ou recusa da entrega de documentos por parte da câmara municipal ou de qualquer dos seus membros que obstem à realização de ações de acompanhamento e fiscalização.
Na sequência de vários requerimentos efetuados ao abrigo da legislação em vigor, e em conformidade com os direitos dos membros da assembleia
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Grupo Parlamentar do Partido Socialista da Assembleia Municipal de Tondela 2013 / 2017 municipal, os deputados do Partido Socialista fizeram um Requerimento dirigido à Associação de Municípios da região do Planalto Beirão (AMRPB).
Esse Requerimento inicial foi entregue ao senhor presidente da assembleia municipal, em 11 de agosto de 2014 que agiu em conformidade com o disposto na alínea e) do art.º 29º.
Foi necessária a insistência do senhor presidente para que a AMRPB enviasse uma resposta, cumprindo o prazo a que se obriga, resposta essa que não satisfez o pedido dos socialistas.
Esse facto deu origem a um segundo e um terceiro Requerimento, mas que não surgiram algum efeito prático.
Houve, assim, um incumprimento por parte do Presidente do Conselho Executivo da AMRPB que assumiu a responsabilidade de uma não-resposta!

Nesse sentido, ao abrigo da alínea f) do art.º 25º da Lei 75/2013, a assembleia municipal de Tondela, reunida em sessão ordinária, no dia 17 de novembro de 2014, delibera:

1 – Emitir um voto de indignação, dirigido ao senhor Presidente do Conselho Executivo da AMRPB, pelo desrespeito à assembleia municipal de Tondela.
2 – Exigir à AMRPB a disponibilização da informação que lhe foi solicitado por membros desta assembleia municipal.
3 – Caso esta moção seja aprovada, deve ser enviada aos órgãos executivos e deliberativos de todos os municípios integrantes