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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

(Opinião) Mário Soares

Foi a figura mais notável do século XX. Fundador da democracia portuguesa e do Partido Socialista, pagou bem caro a sua luta pela liberdade. A prisão e o exílio nunca abalaram as suas convicções e nunca deu tréguas à ditadura. E nesses tempos difíceis, e sempre, nunca lhe faltou o apoio da sua extraordinária mulher, Maria de Jesus Barroso.
Destruiu a ideia de Salazar de um país “orgulhosamente só” para integrar Portugal na Europa e no mundo, devolvendo às pessoas o exercício total da sua cidadania, consagrada em todos estados de direito e democráticos.
Combateu o analfabetismo, garantiu o acesso à Justiça e à Saúde, fundou as bases do poder local democrático e entregou às pessoas, através dos seus legítimos representantes, a responsabilidade pelo desenvolvimento das suas freguesias e concelhos.
Conheci-o no 25 de Abril, na minha juventude, cresci como homem sob o seu exemplo e nunca lhe faltei com o meu apoio até aos dias de hoje. À época, em 74/75, Álvaro Monteiro, Armando Lopes, Almeida Henriques, Jorge Teixeira, Adolfo Amaro, Lino Moreira Rodrigues e tantos outros constituíram, a sua base de apoio em Viseu e fundaram aqui o Partido Socialista com sede na conhecida Rua do Comércio.
Lembro-me no dia em que, de manhã muito cedo, estive pela primeira vez em sua casa, a acompanhar Álvaro Monteiro, com o objetivo de recolher a sua assinatura para formalizar as candidaturas pelo distrito de Viseu.
E aqui esteve, em Viseu, quando o Governo se deslocou para norte a fim estruturar, com êxito, a luta contra a tentativa totalitária do PCP. E daqui saí numa camioneta de carreira, meia cheia (terra difícil) para avançar para a Fonte Luminosa no 19 de julho e dar, com os meus camaradas, o nosso contributo para a defesa da democracia. A Mário Soares fica aqui o meu reconhecimento pela liberdade que temos e a democracia que somos.

JC 2016.01.9

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Mário Soares faz 91 anos - Parabéns!

"Mário Soares, fundador do PS, é um dos vultos mais marcantes da história política do século XX e continua a marcar o início deste. 

A história da democracia em Portugal tem a sua assinatura, tal como a adesão à União Europeia.Confunde-se com ele. 

Hoje, como ontem, as suas palavras contam. Muitos parabéns." Muitos parabéns. Para o ano há mais -:)))) 

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Mário Soares na Noite Republicana em Soutosa

Foi em 13.09.2010, no lugar de Soutosa, Moimenta da Beira (Viseu) . Mário Soares foi  o orador principal e teve, entre outros,  a companhia de Aquilino Ribeiro.

Lugar de Soutosa, Moimenta da Beira, Viseu. Segundo Aquilino, no coração das Terras do Demo (romance de 1919). São "do demo" porque por aqui "nem Cristo" "nem el-Rei" passaram. É terra brava, agreste, esquecida de Deus, "penedia, aldeias tristes e obtusas, pinhais, uma impressão de tormento telúrico" (Geografia Sentimental, 1951). Onde os homens e os bichos são como irmãos, onde faunos, demos e gentes das fábulas se cruzam com o beirão, "camponeses, almocreves e outros tipos esmagados na base da pirâmide social, contra todas as opressões que lhes tolhem os impulsos vitais" - figuras da sua obra (segundo Óscar Lopes e António José Saraiva).

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Nova polémica - Onde estava Cavaco antes do 25 de Abril?

"Mário Soares abriu uma nova polémica com o Presidente da República e acusa Cavaco silva de "ter sido um salazarista convicto no tempo da ditadura". 
Num artigo no "Diário de Notícias", o antigo Presidente da República cola Cavaco a Salazar, depois de ter escrito, em abril, que "o Presidente Cavaco Silva nunca usou o cravo" porque "antes do 25 de Abril foi salazarista". 
O investigador António Costa Pinto garante que "não lhe é conhecida nenhuma manifestação de ativismo pró-salazarista", nem "qualquer atividade antiditadura". 

domingo, 7 de dezembro de 2014

Mário Soares - hoje faz 90 anos - Parabéns ... muitos e únicos

Mário Soares, fundador do PS, é um dos vultos mais marcantes da história política do século XX e continua a marcar o início deste. 

A história da democracia em Portugal tem a sua assinatura, tal como a adesão à União Europeia. Confunde-se com ele. 

Hoje, como ontem, as suas palavras contam. Muitos parabéns. 

Para o ano há mais -:)))) 


 Mário Soares, José Eduardo e José Junqueiro
 Noites Republicanas, em Soutosa - José Morgado e Paulo Neto
Mário Soares e Aquilino Ribeiro

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Nos 90 anos de Soares: Sampaio, Costa, Balsemão e Freitas no almoço

Jorge Sampaio, António Costa, Francisco Pinto Balsemão e Freitas do Amaral estão entre as personalidades que já confirmaram a sua presença no almoço do 90º aniversário de Mário Soares, no próximo domingo. 
Cerca de 250 pessoas já tinham confirmado a sua presença no restaurante Espaço Tejo, da FIL, entre as quais Júlio Pomar, Proença de Carvalho, Manuel Carvalho da Silva e Edmundo Pedro. 
Para além de diversas gerações de dirigentes socialistas, todos os secretários-gerais do PS foram convidados. No entanto, António José Seguro ainda não tinha, até ao fim da tarde de ontem, confirmado a sua presença. 
Guterres não pode estar presente por só no domingo chegar a Lisboa. No entanto, naquela tarde irá visitar Soares na sua casa.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Soares responsabiliza Cavaco pelo Governo ... com razão!

Mário Soares responsabiliza Cavaco Silva por permitir as políticas "neoliberais" e "antidemocráticas" do Governo.

Na cerimónia de descerramento de uma placa com o seu nome numa rua e praça da Amadora, o antigo Presidente da República e fundador do PS afirmou que o atual chefe de Estado "só pensa no partido a que pertence" e que isso "é péssimo num presidente que deve ser um homem que está ao lado de todo o público e de todas as pessoas, sejam elas quais forem". 
Para Soares, Cavaco Silva "é tão responsável ou muito mais" do que o próprio Governo na governação levada a cabo nos últimos três anos.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

DN - Mário Soares - Opinião breve sobre Hannah Arendt e outros. Recomenda-se!

Síntese - Nesta sua opinião, Mário Soares fala sobre 5 temas: "Hannah Arendt", "Dois homens excecionais", "O Centenário de Camus", "A Igreja portuguesa" e "Um Homem de honra e de coragem". Recomenda-se.

1. Há muito tempo que não ia ao cinema, embora goste muito de ir ao cinema. Mas as obrigações, depois a doença, impediram-me de ir.
No entanto, há poucos dias fui, porque se tratava do filme excecional sobre Hannah Arendt, de quem sou, há muitos anos, um fã e da qual tenho muitos livros.
Não me arrependi. Fui com a minha mulher, que é uma leitora dessa judia alemã antinazi, que se refugiou na América, depois de ter conhecido um campo de concentração em que os nazis torturavam os judeus, levando-os à morte...
O problema da filósofa Hannah Arendt era o mal absoluto e a consciência, ou não, do mal, a propósito de o nazi Eichmann estar a ser julgado no pós-guerra, em Israel, por ter servido Hitler e ser responsável pela morte de milhares de judeus, a mando de Hitler, de Himmler ou de qualquer outro chefe nazi. Mas teve ele a consciência do mal? Eis o problema. Ou obedeceu às ordens que lhe deram, sem ter a consciência do mal que ia praticar? Eis a reflexão de uma filósofa, discípula e namorada do professor Heidegger (que também teve algumas culpas no cartório, em matéria de nazismo). O mal e a culpa, ou não, da consciência do mal foram alguns dos problemas que amarguraram a filósofa, que seguiu o julgamento com extrema atenção. No fim da vida, teve os judeus da América, na generalidade, contra ela, quando a independência de Israel acabava de ocorrer.
O filme é uma obra-prima, com a atriz principal (Barbara Sukowa, que interpreta Hannah Arendt magistralmente), praticamente, sempre em cena a fumar. Um filme notável, para ver e refletir, em exibição no cinema do El Corte Inglés.
2. DOIS HOMENS EXCECIONAIS Num mundo em crise e com o universo muçulmano em guerra, com a Al-Qaeda de novo agitada, há - é o que nos vale - dois homens excecionais: Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos, no segundo mandato, e o Papa Francisco, amigo dos pobres, contra a corrupção no Vaticano, corajoso - a um ponto em que, pessoas como eu, temem pela sua vida.
São dois homens bem distintos que assumem a liberdade, a fraternidade entre as pessoas e, tanto quanto possível, a igualdade entre homens e mulheres.
Nunca tive a honra de conhecer pessoalmente nenhum deles. Mas são, para mim, dois símbolos que muito admiro e que me esforço por seguir.
Obama é um político admirável, com uma imensa cultura, como transparece dos seus discursos, e um homem de paz. Teve dois gestos admiráveis recentemente: fazer as pazes com o Irão e reconciliar-se com a Rússia de Putin, com a ajuda preciosa de Kerry.
O Papa Francisco, que veio da Argentina mas fala correntemente italiano - onde estão as suas raízes -, é um Papa de uma bondade, de um afeto pelos pobres, de uma humildade e de uma abertura a todas as religiões, desde que sejam pela paz, de que, penso, não há memória, não obstante os excelentes papas que conheci pessoalmente.
Não sou religioso, como se sabe, mas não perco nenhuma notícia ou nenhum livro deste Papa que me passe pelas mãos.
Enquanto estas duas personalidades existirem, podemos ter alguma confiança no futuro, mesmo perante a crise terrível na Zona Euro. Barack Obama sabe bem que a Europa é constituída por Estados em que pode ter absoluta confiança como os únicos amigos fiéis que tem a América. Nunca deixará cair a Zona Euro, porque isso seria uma catástrofe também para a América.
Quanto ao Papa Francisco, que fala para os pobres - e hoje é ouvido e respeitado em todo o mundo -, não esquece as outras religiões nem a igualdade entre homens e mulheres. A sua ida ao Brasil criou uma emoção única num enorme país, dos maiores do mundo em superfície: desde os velhos aos jovens, de todos os estados do imenso Brasil, todos quiseram saudar e, simplesmente, ver o Papa Francisco.
É certo que o Brasil é um país católico - mas com muitas outras religiões e seitas, mais ou menos protestantes, que têm vindo a penetrar no Brasil e a obter indevidamente muito dinheiro. Mas nem esses puderam evitar e aparecer, tanto quanto possível, junto do Papa, de tal modo foi o entusiasmo que a sua visita provocou, sobretudo nos jovens. Um caso absolutamente único este Papa. Oxalá - diz um não religioso como eu - o tenhamos, em boa saúde, por muitos anos.
3. O CENTENÁRIO DE CAMUS Muitos jovens intelectuais portugueses, mesmo alguns mais velhos, não saberão dizer quem é Albert Camus. O grande escritor e intelectual francês, diretor do jornal Combat, resistente contra os nazis, figura moral e política do pós-guerra e prémio Nobel da Literatura em 1975 que, se fosse vivo, completaria a 7 de novembro de 2013 cem anos.
Foi uma das grandes figuras de intelectuais, morais e literárias, que mais me marcaram no pós-guerra de 1945. Ao lado de Sartre e da romancista Simone de Beauvoir, sua mulher, que escreveu um livro para mim inesquecível, intitulado Les Mandarins.
Não tive a honra de o conhecer pessoalmente, como sucedeu com muitos outros, como Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre e outros grandes da época, como o ainda vivo Edgar Morin.
Camus viveu três guerras: a guerra de Espanha (ao lado dos republicanos, obviamente); a Segunda Guerra Mundial e, depois, a Guerra da Argélia, onde nasceu, filho de pai meio espanhol. Tinha, aliás, um grande fraco pela Espanha. Casou--se com uma espanhola ilustre, Maria Casarès, artista de teatro de grande mérito, cujo pai foi uma figura da Guerra de Espanha, de seu nome Santiago Casarès Quiroga, galego e primeiro-ministro de Azaña.
Maria Casarès era uma atriz e uma linda mulher, que fez em França, no exílio, uma grande carreira artística e teve até ao fim um grande carinho por Camus, com o qual julgo ter-se casado ou vivido.
Entre as suas obras contam-se: Révolte dans les Asturies, L"envers et l"endroit, Reflexão sobre a Guilhotina, O Estrangeiro, Os Justos, uma peça em cinco atos. A Peste, O Homem Revoltado e muitos outros romances, contos e variadíssimas peças de teatro, ensaios, etc. Foi um extraordinário escritor.
Prezo-me de ter um grande amigo, o escritor, jornalista e também nascido na Argélia, Jean Daniel, que foi um amigo e companheiro de Camus, que nunca o esqueceu.
É o diretor do Nouvel Observateur que não perde uma ocasião para escrever sobre Camus, cuja memória tem sempre presente.
Ficámos amigos porque Jean Daniel, e a sua esposa, seguiram a revolução portuguesa do 25 de Abril e acompanharam-me em muitas viagens de propaganda do PS, por todo o País. Sempre bem dispostos e encantados.
Nesse período falaram-me muito de Camus, cuja obra eu, mais ou menos, conhecia. Mais os romances do que as obras de teatro ou os ensaios. E contaram-me muitas coisas sobre ele, desse tempo, do pós-guerra, que me ficaram na memória, em que eu começava a deixar de ser adolescente.
Fiquei um leitor fiel do Nouvel Observateur. E ainda no último número li um artigo de fundo de Jean Daniel intitulado Camus à l" appareil em que conta como se conheceram.
Vai ser - como lhe é devido - um centenário inesquecível. E seria bom que em Portugal os jovens viessem a conhecer quem foi Camus e a importância literária, moral e política que teve no pós-guerra. Um tempo muito diferente e bem apaixonante...
4. A IGREJA PORTUGUESA O Conselho Permanente da Conferência Episcopal quebrou o longo silêncio em relação à situação dramática que Portugal vive. Felizmente.
A Igreja portuguesa, desde o 25 de Abril, tem sido o que se pode chamar - comparativamente à de Espanha - uma Igreja progressista. Mas depois da mudança do Patriarca, o silêncio passou a ser, ao que parece, a regra. Regra infeliz, desde a existência do novo Papa, que entusiasma crentes e não crentes, pela sua bondade, humildade e amor pelos pobres e pela igualdade entre homens e mulheres e, sobretudo, pela paz, enquanto a Igreja portuguesa esteve longos meses em silêncio.
Felizmente, o Conselho da Conferência Episcopal falou, durante a peregrinação a Fátima, e criticou claramente a situação que os portugueses vivem angustiosamente. Foi um passo que, mesmo para um laico, não deve ser esquecido.
5. UM HOMEM DE HONRA E CORAGEM Refiro-me ao antigo reitor da Universidade de Lisboa e ex-secretário de Estado do Ensino Superior, atual presidente da Comissão Nacional de acesso ao Ensino Superior (CNAES), Virgílio Meira Soares, que teve a coragem de se demitir das suas funções. Porquê? Porque, como disse publicamente, a posição do Governo (cito) "já não é só incompetência - é estupidez, teimosia, miopia ou má-fé". Referia--se às medidas impostas para cortar despesa. E diz que o Executivo (cito de novo) "cria um verdadeiro clima de guerra civil entre grupos sociais". E adiante: "Está sempre a tirar aos mesmos." E mais: "É abjeta a mais recente notícia da TSU das viúvas."
Pode o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, fazer discursos incompreensíveis para o povo. Ninguém o toma a sério. Por isso, Meira Soares, de quem sou amigo há muitos anos, teve a coragem de se demitir com as palavras que disse. Honra a quem fala verdade e tem coragem de dizer não.

domingo, 13 de outubro de 2013

Mário Soares: o actual Governo, “é um Governo de delinquentes”

Mário Soares, ex-Presidente da República, deixou bem claro, em entrevista ao Diário de Notícias, o que acha do panorama político actual. 
Defende que a troika está a “roubar” Portugal e não poupa críticas a Pedro Passos Coelho e ao próprio Presidente da República, Cavaco Silva.
Em entrevista ao jornal Diário de Notícias, Mário Soares, co-fundador do PS, é peremptório na avaliação que faz da actual situação política em Portugal: “Este Governo não tem rei nem roque, nem sabe o que quer, nem sabe para onde vai.”
O ex-Presidente da República criticou fortemente as decisões que o partido social-democrata tem vindo a tomar, apontando que Portugal deveria seguir o exemplo da Argentina e não pagar a dívida. “O que a troika nos faz é um roubo. (…) Um país que fez o que nós fizemos, agora estar sujeitos a uns usurários que (…), com os juros imensos roubam o dinheiro todo de Portugal”, salienta.
Mário Soares acredita que o actual Governo, “é um Governo de delinquentes”. Defende que Rui Machete deveria ter tido a “sensibilidade e inteligência” de se demitir a ele próprio e Pedro Passos Coelho deveria fazer o mesmo: “Como é que é possível que o primeiro-ministro não se demita a ele próprio, depois de saber que é vaiado em toda a parte, que ninguém o toma a sério (…) e continue agarrado ao poder, como uma lapa?”.
O histórico socialista não poupa também Cavaco Silva afirmando que não entende por que o Presidente da República “anda pelo estrangeiro e não diz uma palavra”, concluindo que “é significativo do medo com que está como protector de um Governo que todo o povo odeia”.
Soares acredita que o Governo deveria ter caído na altura em que Paulo Portas se demitiu, assinalando que o seu retorno como vice-primeiro ministro “é de gente que não tem valores, princípio, espírito, nem carácter nem nada” e defende que, caso a actual Governo caísse, “seria a alegria nacional. Porque se isso tivesse acontecido, havia que encontrar uma situação sem delinquentes. (…) Podia haver um Governo de salvação nacional, por exemplo.”


quinta-feira, 19 de abril de 2012

MARIO SOARES : o 1° MINISTRO ESTÁ A FAZER UM PÉSSIMO TRABALHO

SÍNTESE - "Elogiei Pedro Passos Coelho sempre do ponto de vista moral e tenho simpatia por ele. Agora, acho que ele está a fazer um péssimo trabalho e também acho que o Governo não está a funcionar. Para Almeida Santos, este Governo, "apesar de ter algumas pessoas inteligentes, é sobretudo formados por tecnocratas sem grande experiência política".

O ex-chefe de Estado Mário Soares considerou hoje que o primeiro-ministro está a fazer "um péssimo trabalho", enquanto o presidente honorário do PS, Almeida Santos, disse que o executivo PSD/CDS é formado por "tecnocratas sem experiência política".
Mário Soares e Almeida Santos falaram aos jornalistas à entrada para o almoço do 39º aniversário do PS, depois de ambos terem sido interrogados sobre a forma como avaliam o atual Governo.
"Elogiei Pedro Passos Coelho sempre do ponto de vista moral e tenho simpatia por ele. Agora, acho que ele está a fazer um péssimo trabalho e também acho que o Governo não está a funcionar", sustentou Mário Soares.
Para Almeida Santos, este Governo, "apesar de ter algumas pessoas inteligentes, é sobretudo formados por tecnocratas sem grande experiência política".
"Este Governo tem tecnocracia a mais e experiência política a menos", advogou o presidente honorário do PS.
Sobre o atual estado do PS, tanto Mário Soares, como Almeida Santos, desdramatizaram a circunstância de partido de oposição, depois de seis anos de Governo.
Mário Soares, por exemplo, negou que o atual PS viva com o "fantasma" do ex-primeiro-ministro José Sócrates. "Sócrates está muito bem no seu sítio [em Paris] e sabe o que está a fazer. O PS não está numa situação difícil, está na oposição. Estivemos seis anos no Governo e agora estamos na oposição. É o normal em democracia", declarou o ex-Presidente da República.
Já Almeida Santos disse que é normal que os novos secretários-gerais sintam dificuldades em afirmar-se como líderes partidários. "O PS está a melhorar. A seguir à saída de um líder há sempre problemas - isso aconteceu depois de Mário Soares", frisou.

terça-feira, 3 de abril de 2012

MÁRIO SOARES - “O GOVERNO ESTÁ A ISOLAR-SE CADA VEZ MAIS DO POVO”

SÍNTESE - "O nosso Governo, legítimo, porque resultou do voto popular, está a isolar-se cada vez mais do povo. Não só por causa da crise e das medidas impopularíssimas que tem vindo a tomar - dos cortes que quase só atingem os trabalhadores mais pobres, os desempregados, os precários e boa parte da classe média -, mas porque não dialoga com os portugueses, não explica as medidas que toma, avança e recua em silêncio sobre medidas tomadas, e as pessoas não compreendem, por mais que o desejem, qual é a estratégia do Governo para vencer a crise."

Mariana Adam   "Mário Soares alerta para o perigo do caminho seguido pelo Governo de “não dialogar nem explicar as medidas difíceis” aos portugueses. O ex-presidente da República defende que o Executivo, liderado por Pedro Passos Coelho, está a "isolar-se cada vez mais do povo". Mário Soares diz que a culpa não é apenas das medidas "impopularíssimas que tem vindo a tomar", mas também do facto de não dialogar e explicar aos portugueses essas medidas. O histórico socialista conclui assim que "as pessoas não compreendem qual a estratégia do Governo para combater a crise".

"O nosso Governo, legítimo, porque resultou do voto popular, está a isolar-se cada vez mais do povo. Não só por causa da crise e das medidas impopularíssimas que tem vindo a tomar - dos cortes que quase só atingem os trabalhadores mais pobres, os desempregados, os precários e boa parte da classe média -, mas porque não dialoga com os portugueses, não explica as medidas que toma, avança e recua em silêncio sobre medidas tomadas, e as pessoas não compreendem, por mais que o desejem, qual é a estratégia do Governo para vencer a crise. A austeridade, por si só, não leva com certeza a nenhum lugar", defende Mário Soares num artigo de opinião publicado hoje no Diário de Notícias.

Mário Soares dá o exemplo da manifestação das freguesias para ilustrar o facto de o Governo estar de costas voltadas para os portugueses. "No sábado passado, a "leizinha", como lhe chamou António José Seguro, quando foi anunciada pelo ministro Relvas, sem ouvir, como seria natural, os principais interessados, teve uma reacção unânime das freguesias portuguesas. De norte a sul, desfilaram, em sinal de protesto, pelo centro de Lisboa". "Como é que o Governo não compreendeu a impopularidade da lei que anunciou, depois de ter recuado, por razões políticas que estavam à vista, da ideia peregrina de unir os municípios, para que as Finanças reunissem mais fundos?", questiona o histórico socialista.

Soares acusa mesmo o Governo de não defender a identidade e coesão do país. "É caso para dizer que a obsessão dos cortes ordenados pela troika faz esquecer ao Governo a necessidade de defender a nossa identidade nacional e a coesão entre os portugueses. Num momento de crise - em que o desemprego e a criminalidade crescem -, é particularmente importante evitar o mal-estar e o pessimismo profundo que invadem os portugueses: assim não vamos longe, infelizmente".
No mesmo artigo de opinião o ex-presidente da República acrescenta que os portugueses "começam a ter a sensação de que quem manda é a troika e que Portugal". "É um verdadeiro protectorado comandado, não pelo Governo legítimo mas pelo exterior. Não há patriotismo que resista a uma tal situação".

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

MÁRIO SOARES FESTEJA HOJE O 87º ANIVERSÁRIO - UM HOMEM FANTÁSTICO

Mário Soares faz hoje 87 anos. CONTINUA um homem público extaordinário. De todos os quadrantes políticos, nacionais e estrangeiros, surgem convites para conhecer a sua opinião àcerca do presente e, sobretudo, do futuro. Os seus alertas àcerca do futuro da União Europeia devem mobilizar-nos a todos.

É na Europa e não fora dela que temos de encontar caminhos comuns. Décadas depois da adesão que ele sempre quis e assinou Portugal, apesar da crise, transformou-se num país moderno e desenvolvido. A educação, a saúde, a segurança social, os equipamentos .... a nossa importância no mundo, surgiram da sua luta pela liberdade e democracia. PARABÉNS!



quarta-feira, 30 de novembro de 2011

MÁRIO SOARES: ABSTENÇÃO DO PS É SINAL DE RESPEITO PARA SÓCRATES

Mário Soares concorda com a abstenção do PS na votação do Orçamento do Estado (OE) para 2012. O antigo Presidente da República considerou, numa entrevista ao programa da SIC Notícias “Portugal 2011”, que António José Seguro está a gerir bem a liderança do partido. Para Soares, a abstenção é sinal de que o PS segue uma linha e demonstra respeito por José Sócrates.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

MÁRIO SOARES "DIXIT:" "PRIORIDADE ÀS PESSOAS, DEPOIS AO DINHEIRO"

"É preciso dar prioridade às pessoas e depois ao dinheiro" - Económico com Lusa  

O antigo Presidente da República considera que é preciso "convencer" Passos Coelho de que há alternativas à austeridade.
"Eu acho que há alternativas [às medidas de austeridade do Governo] e têm de ser buscadas. E nesse aspecto eu não concordo com o primeiro-ministro", afirmou Mário Soares à saída de um encontro com o presidente do Eurogrupo e primeiro-ministro do Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, em Lisboa.

"Mas acho que o primeiro-ministro é um homem sério e que está a fazer um grande esforço, isso tem de ser levado em conta", acrescentou o antigo Presidente, dizendo depois que é preciso "dar o benefício da dúvida" a Passos Coelho, embora "não no sentido de só fazer austeridade, mas convencê-lo de que além de crescimento económico é preciso trabalho, trabalho, trabalho".

Soares afirmou que aquilo que o "preocupa é que haja só medidas no plano da austeridade e que se esqueça as pessoas, que estão em primeiro lugar do que os números", referindo que é isso que estão a fazer os líderes europeus.

Para o antigo Presidente, "mais importante do que haver défice ou não haver, isso é lá com eles, veremos, é as pessoas não terem que comer, ficarem numa situação difícil, isso é que não pode ser".

Soares recusou comentar medidas concretas propostas pelo Governo para 2012, no âmbito do Orçamento do Estado que o Governo enviou para o Parlamento, dizendo que aspectos como a do cortes de subsídios de Natal e férias a funcionários públicos e pensionistas, por exemplo, são "questões técnicas".

O antigo Presidente da República quis porém sublinhar que está "convencido" de que Portugal e a Europa sairão da crise, "mas para isso é preciso tomar medidas e sobretudo dar a prioridade às pessoas e depois ao dinheiro"

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

MÁRIO SOARES - Corte de subsídios é "um disparate tremendo"

Económico com Lusa
Mário Soares aplaudiu os reparos do Presidente da República sobre o corte dos subsídios, considerando que é "um disparate tremendo".
Na intervenção que proferiu ontem à noite no auditório da Faculdade de Engenharia do Porto, no âmbito do ciclo de debates ‘Novos Paradigmas', o antigo Presidente da República, Mário Soares falou, durante os 15 minutos de que dispunha, sobre a crise em Portugal e teceu fortes críticas às medidas anunciadas pelo Governo de Pedro Passos Coelho na proposta de Orçamento de Estado para 2012.
"O Governo está a fazer uma política economicista (...). Corta em tudo o que pode cortar e não pensa que as pessoas é que contam", afirmou Soares, sintetizando que o anunciado corte dos subsídios de férias e de Natal no sector público é "um disparate tremendo".
Perante uma audiência a rondar as 400 pessoas, o ex-chefe de Estado também destacou o que considera bem feito, elogiando as declarações hoje proferidas pelo actual Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.
"Ouvi hoje [ontem] o Presidente da República e fiquei satisfeito com aquilo que ele disse", destacou, alertando que "não podemos destruir tudo por causa da austeridade. Trata-se de uma brutalidade para os portugueses".
Num outro passo da sua intervenção, Mário Soares enfatizou que não acredita que "Portugal deixe de ser uma Nação, porque acredito na História de Portugal e nos portugueses".
Já a terminar e dirigindo-se aos jovens presentes na sala, Soares exortou-os a fazerem ouvir a sua voz: "Não podemos aceitar que isto continue assim. Temos de reagir como País e, jovens, a vossa voz tem de ser ouvida"

sexta-feira, 8 de julho de 2011

MÁRIO SOARES DIZ QUE CAVACO FICOU "ESTRANHAMENTE" EM SILÊNCIO

(SOL)
O antigo Presidente da República Mário Soares considera que o actual chefe de Estado podia ter evitado a crise política no país, lembrando a promessa de Cavaco Silva de que exerceria uma magistratura de influência mais activa.

Esta posição do antigo primeiro-ministro e fundador do PS consta do livro 'Portugal Tem SaídaUm Olhar Sobre a Crise', que relata uma reflexão entre Soares e a jornalista do Público Teresa de Sousa .

«O Presidente da República ficou estranhamente silencioso. Fiz-lhe um apelo público ‘angustiado’ para que evitasse a crise. Quanto a mim, podia tê-lo feito», afirma Mário Soares.

O antigo Presidente da República recorda que Cavaco Silva «alegou o facto de as coisas ‘terem sucedido com muita rapidez’ o que lhe retirou ‘margem de manobra’» e tira depois uma conclusão: «É uma explicação seguramente verdadeira, mas faz-nos reflectir. Sobretudo depois da promessa que fez aos portugueses de exercer uma magistratura de influência mais activa».

Afirmando que a oposição «falhou» quando levou à queda do Governo socialista, numa «insensatez tremenda», Soares sublinha que o PSD «não teve qualquer vantagem em ter precipitado a crise política, no momento em que o fez».

Ainda sobre os sociais-democratas, o antigo chefe de Estado diz que «há grupos» no partido que não gostam de Pedro Passos Coelho e que só o queriam como primeiro-ministro para o destruir, depois de realizado «o trabalho mais difícil e impopular».

Quanto à derrota do PS nas legislativas, Mário Soares afirma que é fácil explicar: « [O PS] teve sempre tudo contra ele à direita e à esquerda».

Sobre José Sócrates, Soares afirma que o antigo primeiro-ministro e ex-secretário-geral dos socialistas foi «um líder forte», com «grandes virtudes» e «alguns defeitos» também.

«Foi talvez o mais atacado e injuriado dos políticos portugueses desde sempre. Resistiu a tudo. E saiu com honra e grande dignidade», refere Mário Soares.

Quanto à União Europeia, Mário Soares afirma que os actuais dirigentes não querem ver que o neoliberalismo e o capitalismo de tipo financeiro e especulativo que daí resultou falharam.
 
«Muitos europeus começam a compreender que a União, ou muda o seu modelo económico-social, ou entrará em irreversível decadência e, por ventura, mesmo em desagregação», afirma.

Soares refere-se concretamente à chanceler alemã, dizendo que Ângela Merkel «já não é uma democrata-cristã no sentido clássico», considerando que tem sido uma «tragédia» para o projecto europeu a transformação das democracias-cristãs em partidos populares.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

MÁRIO SOARES - UM NOVO CICLO - ARTIGO DE OPINIÃO

Mário Soares habituou-nos com a sua experiência a vencer dificuldades, a preparar o futuro e a apontar o dedo ao efémero das circunstâncias. O seu pensamento foi sempre mais prático, mais estruturante e profundamento enraízado nos valores do socialismo.

Sempre disponível para uma boa luta política, mesmo eleitoral, casos das candidaturas ao Parlamento Europeu e à Presidência da República, uma outra vez, neste caso, constitui o bom exemplo de que um verdadeiro político, não tem idade, mas tão só convições, pensamento e a ideia de continuar a poder servir com generosidade.
. Não se irão zangar, penso, qualquer que seja o resultado. Julgo até que serão capazes de colaborar, como é conveniente que façam."
" A saída voluntária de Sócrates foi um ato de bom senso e abriu a porta a dosi candidatos a líder que têm a vantagem de ser pessoas inteligentes, experientes e honestas
"O PS precisa de se unir e de uma refundação política e ideológica. Os tempos mudaram e vão continuar a mudar muito. É um imperativo de sobrevivência. A União europeia vai ter de mudar radicalmente, sob pena de se desintegrar. É outro dos nossos grandes problemas. O PS deverá ter uma conceção própria do que deverá ser a União Europeia de amanhã e tem de saber bater-se por ela. Tem de participar ativamente no plano político, ideológico e também social, no Partido socialista Europeu (sindicatos, cooperativas e associações cívicas). Porque é por estes dois pilares que vai passar o futuro." (in Visão, 2011/06/16)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

MÁRIO SOARES: UMA MAGISTRATURA ACTIVA

A Oposição, liderada pelo PSD de Passos Coelho, chumbou o PEC IV. Não tinha existido necessidade desta votação na Assembleia da República. Tudo teria ficado resolvido e a responsabilização do Governo seria máxima. E o país não conheceria estas dificuldades acrescidas.

O PSD não quis que fosse assim. Para não haver dúvidas, apresentou uma resolução que obrigou à votação. O PEC IV foi chumbado e o Governo caiu. A seguir foi o caos. Os “rating” da República, das empresas e da banca caíram estrondosamente.

Veio a “ajuda externa” desejada e planeada pelo PSD ao pormenor. O CDS, mais inteligente, tentou resguardar-se num recatado silêncio, deixando para Passos Coelho a factura mais expressiva.

Volvidas algumas semanas, PSD e CDS, assinaram com o Governo o “PEC V”, igual ao “PEC IV”, mas com medidas mais profundas e gravosas para os portugueses e para Portugal.

Então, para quê tudo isto? Não há resposta a não ser a do “aroma do oportunismo político e a ausência de sentido de responsabilidade.

O Primeiro Ministro, neste contexto desfavorável, liderou a negociação com a “TROIKA” com base no PEC IV, tal como anunciara no Congresso, e o acordo foi assinado pelos três partidos.

Tudo isto vem a propósito de uma figura incontornável: Mário Soares. Não sendo Presidente da República juntou a sua voz à de Jorge Sampaio e até, surpreendentemente ou não, à de Ramalho Eanes. O objectivo era só um: moderação e concertação.

Mas Mário Soares fez mais. Falou com todas as partes e foi mesmo recebido, a seu pedido, por Passos Coelho. A sua experiência, a de um autêntico veterano, impunha-lhe acção, inconformismo e persistência.

Infelizmente o radicalismo do PSD de Passos Coelho, a que agora se soma o de Paulo Portas, arrasou todos estes esforços. A “esquerda inútil”, a muleta da direita batia palmas. Quanto mais insucesso melhor. É o que pensam, ao mesmo tempo que enchem a boca com a defesa dos trabalhadores.

No meio de tudo isto há, pelo menos, uma consolação. Entre discursos incendiários e ausências comprometedoras, Portugal teve, novamente, um “Presidente”, que exerceu uma “magistratura activa”: Mário Soares.
DB 2011.05.14