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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

(Opinião - Sol) O governo está para durar, um ano de cada vez

Vamos deixar 2015 num ambiente de grande controvérsia política. Não vejo que o próximo ano possa começar de modo diferente. Tudo foi atípico. Tudo é atípico. Desde logo a vitória eleitoral da direita, depois de quatro anos de governo de grande dureza e desigualdade. Não era expectável, sobretudo porque o caminho escolhido foi bem mais além daquele que nos fora imposto em 2011.
No entanto, por vezes, diz o povo que “Deus escreve direito por linhas tortas”. Crentes ou não, a verdade é que a solução governativa é o resultado disso mesmo. Talvez tenha a bênção divina, quem sabe? Os que perderam governam e os que ganharam são oposição. E aqui a Bíblia é a Constituição da República que também nos assegura de que na vida há sempre outro caminho, igualmente possível e legítimo.
E terá sucesso, perguntam muitos? Sim, pode ter sucesso, apesar eu ter sentido muitas dúvidas na solução por causa da fiabilidade política dos parceiros. O motivo é simples. Se isso acontecer - o sucesso – o governo minoritário do PS será devidamente reconhecido num próximo ato eleitoral. O PCP e o BE serão os primeiros a sentir esse efeito.
E será que vão consentir? Podem não ter outra solução. António Costa causou uma primeira boa impressão. Demonstrou que a esquerda se pode unir no apoio a uma solução alternativa de governo e escolheu um Executivo que espelha a diversidade da sociedade portuguesa. Tudo foi novidade e tudo foi bem aceite.
“Virar a página da austeridade” foi um tema forte do PS e as medidas que conhecemos dão-nos a perceção clara de que a promessa está a ser cumprida.
Por outro lado, a direita esqueceu-se de que escondera o problema “Banif" e a esquerda mais radical também se esqueceu das "posições conjuntas” que definiram um apoio inequívoco à estabilidade de um governo PS.
O resultado foi simples: o “irrevogável” CDS juntou-se ao PCP, BE e PEV nos votos contra o orçamento retificativo do PS e Passos Coelho tomou “Mebocaína” para a garganta, a tal que “fazia e acontecia” se algum dia António Costa precisasse do PSD. Pois foram Passos Coelho e o PSD que viabilizaram a proposta do PS evitando a queda do governo.
A desagregação da direita, dois meses depois das eleições, é uma evidência e as mudanças internas no PSD e CDS serão uma inevitabilidade. Nos partidos à esquerda do PS a “vida” está mais difícil, porque ninguém compreenderia bem que os ditos pudessem levar à queda de um governo que apoiaram, sobretudo quando este travou a direita, a austeridade cega, as privatizações e tudo está a fazer para a reversão daquelas que defraudam os ativos do Estado ou os serviços públicos que lhe são devidos.
Ao mesmo tempo, o governo está a restabelecer equidade nas políticas sociais, garante um salário mínimo mais elevado, vai devolver aos trabalhadores cortes nos seus rendimentos, construindo uma oportunidade para a economia e o emprego.
Ora, serão este os indicadores, a par do crescimento, que no final do segundo semestre darão os primeiros sinais sobre as opções assumidas. A UTAO, o INE, o Conselho Superior de Finanças Públicas ou Bruxelas não deixarão de divulgar, como até aqui, as suas conclusões em matemática pura. Confio e direi, pois, que o governo está para durar, mas um ano de cada vez.
JJunqueiro, 2015.12, 23

sábado, 6 de setembro de 2014

(Opinião - Sol) O tempo é de soluções e não de proclamações."



"A crise que vivemos está longe de chegar ao fim. Não se trata apenas de más políticas do governo, mas do seu alinhamento consentido com as regras europeias de um núcleo cada vez mais pequeno e poderoso.
Wolfgang Schäuble, o ministro alemão das Finanças, no início deste verão, disse querer mais competências para Bruxelas. É a velha ideia diminuir, ainda mais, a soberania dos países membros, criando uma “Europa política” em que uns seriam mais iguais do que outros.
Foi este o estado de alma que transmitiu em entrevista à Der Spiegel e que rima com a ideia de Angela Merkel de que a crise europeia se resolverá com mais Europa, com mais Alemanha, entenda-se, e menos soberania dos estados membros.
Isto explica o seu recente “puxão de orelhas” a Mário Draghi por este ter chamado a atenção para a cumplicidade necessária entre as políticas monetária e orçamental como forma de promover o crescimento e, com base neste, assegurar a estabilidade do “Pacto”.

Isto só é novo por ter sido afirmado pelo presidente do BCE. Basta recordar a reflexão de Emanuel dos Santos, ex-secretário de Estado do Orçamento de Sócrates, no seu livro “Sem Crescimento Não Há Consolidação Orçamental – Finanças Públicas, Crise e Programa de Ajustamento” para se perceber que apenas temos perdido tempo.

Merkel entende que não e que a austeridade e o constrangimento provocado nas economias dos diferentes países é uma solução. A chanceler ignora, perigosamente, a história e que as crises iniciadas na periferia acabaram sempre no coração da Alemanha. Um erro para um país que tem estimulado fantasmas do passado, que conheceu um crescimento marginal, numa Europa que acaba de acusar estagnação económica
A gravidade do contexto é ainda maior. Recentemente, no Financial Times, o mesmo Wolfgang Schäuble defende a tese um comissário europeu para o Orçamento, com poder de veto sobre os orçamentos nacionais. Era o que mais faltava.
É neste contexto que, durante os últimos três anos, António José Seguro tem concentrado, na vertente externa, os melhores esforços para ajudar a influenciar uma mudança na Europa. Sabe que sem isso, desenvolvimento económico e social, tudo será mais difícil!
Maior intervenção do BCE, que já hoje se verifica, mutualização da dívida, aumento de capital do BEI, já conseguido, mutualização dos subsídios de desemprego, acima dos 11%, um Tratado para o Crescimento e o Emprego ou a emissão de eurobonds foram algumas medidas concretas defendidas pelo secretário-geral do PS. O governo rejeitou-as, desde início, mas a força das circunstâncias obrigou a Europa a adotar algumas com os benefícios conhecidos para o nosso país, nomeadamente na baixa da taxa de juro e no financiamento da economia.
Num tempo em que o PS se viu confrontado com a escolha do seu candidato a primeiro-ministro, num momento tão inesperado como surpreendente, é bom perceber que o debate é público e que interessa aos portugueses conhecer as diferenças substantivas entre os dois protagonistas. Quais são as outras alternativas, na discussão interna? Todos queremos mudar a Europa. Mas como se muda? E se não mudar? A diferença mais esperada é a do conteúdo que não a da forma. As alternativas de António Seguro e do PS são, pois, conhecidas.  Falta a outra parte. O tempo é de soluções e não de proclamações."

sexta-feira, 20 de julho de 2012

SOL: PASSOS COELHO, TEMPO DE GOVERNAR E NÃO DE SE DESCULPAR (a minha opinião)

A direita, historicamente, mantem um estereótipo e é em si mesma uma crise permanente de valores. Desconsidera os trabalhadores, entende que a competitividade está nos salários baixos com direitos mínimos, e mistura solidariedade com caridade.
Enfatiza uma economia de um mercado que se auto regule sem nenhuma intervenção do Estado, defende mesmo que este esteja ausente e só o procura quando entra em crise, quando se lhe acaba o dinheiro, o valor fundamental. Hoje, tal como a de antigamente, é a que mais canta a “portuguesa” só que, desta vez, a música e a letra resumem-se a um emblema de lapela aparentando um significado que não sente.
Cultiva o conformismo, elogia a resignação, estigmatiza as minorias, reserva à mulher um estatuto preconceituoso e nem na conceção lhe reconhece decisão e direitos próprios como se percebeu no debate anacrónico, recentemente, na Assembleia.
Conduz o país numa ideologia única, uma “religiosidade” oficial e até um padrão para os “bons costumes”, construindo privilégios para uma casta mínima, “dona” dos negócios e apagando a lanterna de Diógenes – talvez tudo isto tenha inspirado o bispo das forças armadas, D. Januário Torgal Ferreira, na sua declaração.
Regra geral fala-nos do passado, da história, mas impede que vejamos o futuro. Este, para milhões, foi encontrado na emigração. Hoje a direita volta a apontar-nos o mesmo caminho.
Em meados do século XX o “orgulho” fugaz do excedente comercial baseava-se no volfrâmio, num povo sem liberdade, sem acesso à educação ou saúde, sem trabalho, pobre e com fome – Carlos Abreu Amorim, no Vice-Versa, “explica” que, ao tempo, a europa estava em guerra e que Portugal até se poderia considerar um país rico. Não se riam!
Hoje, perante a perspetiva de um hipotético excedente comercial, a situação é em tudo semelhante, embora noutro contexto, sem volfrâmio, sem guerra, com portugueses e jovens mais qualificados, mas com desemprego, pobreza e o “brilho” das cantinas sociais.
A democracia não mudou a direita. O escrutínio popular, livre, altera-lhe a estratégia, aveluda o discurso, mas mantém-lhe os tiques e os hábitos, sobretudo o sentido de impunidade. Os “casos Relvas” falam por si. Quem não fala é Cavaco Silva.
Um ano após o seu regresso ao poder, com Passos Coelho, em maioria absoluta, depois de o ter perdido em 1995 e 2005 - em virtude das crises internas a que conduzira o país - apenas fala do passado quando nos tinha prometido o futuro.
Passos Coelho, qual Aquiles, está condicionado por Vítor Gaspar, pelos maus resultados da sua governação, por um verdadeiro parceiro de coligação e o maior dos perigos, a flecha envenenada que o atingiu no calcanhar, lançada pelo seu número dois.
Vai revelar-nos outro caminho como lhe indicou António Seguro? Não. Perdeu a capacidade de ouvir. Continuará no “limbo” das boas avaliações da Troika, mas aos seus membros “a alma dos justos” é coisa estranha. Tem, portanto, de se cuidar. É tempo de governar e não de se desculpar.

ENTREVISTA DO PR AO SOL - HIPOCRISIA DEPRIMENTE

http://sol.sapo.pt/inicio/galerias/videos.aspx?page=1&content_id=54801    (há uma anúncio inserido de alguns segundos, que não consegui tirar, e a entrevista começa a seguir)
O QUE PENSO: Há um ano, os chefes de estado e de governo, o banco central europeu e a comissão europeia aprovaram o PEC IV apresentado pelo governo de Portugal, do PS. ISSO PROVA QUE PORTUGAL TINHA CREDIBILIDADE.
A atual maioria, então oposição, chumbou, com a esquerda radical esse PEC. Inventou um projeto de resolução para provocar uma votação. DEPOIS CHUMBOU O QUE A EUROPA APROVARA. Essa votação nem sequer seria necessária. Foi uma estratégia para derrubar o governo.
Foi assim que veio a TROIKA, para gaudio da direita e sempre com o alto patrocinio do PR, supremo magistrado que tanto defendeu as agências de rating. Foi assim, que começou o assalto ao "pote".
Nesta entrevista volta a falar do seu discurso do 25 de Abril assenhoriando-se da ÚLTIMA DÉCADA PARA ELOGIAR PORTUGAL. Ora, a DÉCADA PERDIDA foi finalmente reencontrada e, imagine-se, APESAR DE SOCIALISTA.
O que a comunicação social concluiu foi que esse discurso foi um elogio às bandeiras do PS e, portanto, os jornalistas não foram detratores, como deixa passar. FORAM APENAS COMO NÓS, pessoas que ouviram um hino à hipocrisia. O PR E A DIREITA DESTRUIRAM A CREDIBILIDADE PORTUGAL TINHA. A entrevista é um "ENCÓMIO" ao empobrecimento, um TRIBUTO à resignação, uma "conversa em família" que deprimente e cínica. As pessoas deram conta. o saldo do PR, nas últimas sondagens, anda pelo 1%. ISSO DIZ TUDO DE QUEM NADA DIZ!