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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Educação - Acácio Pinto - Declaração Política



«Senhora presidente,
Senhoras e senhores deputados,
Um governo sem soluções, um governo esgotado e um governo sem qualquer arrependimento é tudo, tudo, quanto nos sobra neste outono de 2014.
Estamos portanto confrontados com um inverno governativo, afinal o mesmo que nos assola vai para três anos e meio.
E quando assim é, e quando as evidências se impõem e desmascaram as cosméticas e as medíocres manobras de regeneração orçamental outra coisa não se imporia que não fosse, também por isso, a antecipação das eleições legislativas de 2015 e o correspondente acerto do calendário eleitoral e orçamental.
Bem sabemos que o primeiro ministro e o PSD são avessos a tal, mas também bem sabemos, sustentados em toda a concertação social e numa vasta maioria de portugueses, que tal desiderato seria a melhor solução para Portugal.
Senhora presidente,
Senhoras e senhores deputados,
Mas se o governo se encontra esgotado em todas as áreas governativas queremos hoje enfatizar a educação.
Queremos falar-vos de uma das mais importantes áreas estratégicas para o desenvolvimento e para a competitividade dos países e que tão mal tratada tem sido por este governo.
Com efeito, a educação foi colocada por Nuno Crato e por este governo em estado de absoluta negação. A escola pública foi agredida, está a ser agredida, com rudes e duros golpes ideológicos que mais não visaram e visam do que o seu desmantelamento e a sua venda a retalho.
A igualdade de oportunidades, valor central em quaisquer políticas públicas de educação, foi diabolizada, a formação e qualificação ao longo da vida, peça central da qualificação das pessoas, nomeadamente dos trabalhadores, foi erradicada, o sistema científico português, elemento estruturante para a competitividade foi profundamente abalado e o ensino superior, elemento central para atingirmos os nossos compromissos internacionais, nomeadamente as metas 2020, está asfixiado.
E como se tudo isto não nos bastasse há milhares de alunos ainda sem aulas quando se vai iniciar a sétima semana letiva (50% do primeiro período) numa demonstração de completa incompetência técnica e política de Nuno Crato.
Mas grave é que tudo isto configura um atentado contra a escola pública e um profundo desrespeito pela dignidade dos profissionais de educação, dos alunos e das famílias por parte de um ministro que já assegurou um lugar na história como o ministro que desferiu os maiores golpes contra o serviço público de educação em Portugal.
Mas vamos a factos, senhora presidente, senhoras e senhores deputados.
Nuno Crato,
- Desmantelou a escola a tempo inteiro;
- Despediu milhares e milhares de profissionais de educação;
- Aumentou o número de alunos por turma em contraciclo com as diretrizes da OCDE;
- Abandonou dezenas de milhares de adultos que estavam em formação e qualificação;
- Fez cortes de 50% no subsídio de educação especial;
- Deixou e deixa os alunos com NEE ao abandono por falta de professores e de técnicos nos centros de recursos para a inclusão;
- Reduziu a autonomia das escolas com a centralização de decisões e sufocando os diretores com burocracia;
- Desestabilizou as escolas, também, com os exames do 4º e do 6º anos gerando paragens letivas que afetam todos os alunos;
- Alterou programas em dissonância com as instituições pedagógicas e científicas;
E não contente com os cortes efetuados nos três anteriores orçamentos ainda nos brinda com mais um corte de 704 milhões para 2015, no ensino básico e secundário.
E tudo isto em nome de quê?
De más avaliações internacionais dos alunos portugueses em Matemática, Ciências ou Leitura?
De um deficiente funcionamento do sistema educativo?
De graves problemas na colocação de professores?
Não, tudo isto em nome de preconceitos ideológicos cujas políticas já estão em regressão nos países onde foram implementadas.
Percebe-se, portanto, que Nuno Crato, neste momento, só tenha um português, um único português, que concorda consigo e que o elogia. Para bem dele, de Nuno Crato, mas para mal da educação, esse português é o único que “pode propor a nomeação ou a exoneração de ministros”. Esse único português é Passos Coelho a quem os portugueses, tal como a Nuno Crato, dão nota negativa em todos os estudos de opinião.
Mas ficámos a saber mais, é que o primeiro-ministro ao elogiar Nuno Crato (para descontentamento do vice-primeiro ministro) e ao dizer que acertou na escolha de Nuno Crato, o que disse aos portugueses foi que errar, e voltar a errar, e voltar a errar é o melhor critério para a escolha de um ministro da educação!
Disse!»

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

José Junqueiro (3m) - Responde a Luís Montenegro (PSD)


O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, veio na primeira pessoa defender o Governo e o PM, ignorando as questões colocadas e utilizando uma cornucópia de elogios a Passos Coelho. Educação e Saúde ficaram de fora, mas foi isso que o PS não deixou passar ... e bem!

AR - José Junqueiro - Justiça, Educação e Primeiro-Ministro


No início desta sessão legislativa o governo está à deriva. Acontece com a coordenação do Executivo e em setores estratégicos decisivos como sejam os da Justiça e da Educação.
Na Justiça, a ministra, depois de um surto inicial de enorme arrogância, tem vindo a admitir, por força dos factos, que os erros são muitos e que prejudicaram o normal funcionamento dos tribunais. E foi neste contexto que fez um teatral, mas mal ensaiado, pedido de desculpas pelos constrangimentos que provocou.
Depressa se arrependeu e veio ao parlamento, ontem precisamente, insistir, imagine-se, no “sucesso da ” reorganização judiciária “ que não se deveria confundir com os problemas do “Citius”, disse.
Ora, para pôr as coisas no “sítio, é necessário lembrar que, independentemente de qualquer plataforma informática, o que temos no terreno é um acesso mais difícil das pessoas à justiça, mais caro para elas e para o Estado, mais injusto e mais moroso.
Em 2008 estava em marcha uma reforma dos tribunais que racionalizava o número de comarcas e introduzia a especialização e uma nova forma de gestão. Já existiam 3 comarcas novas instaladas e mais 2 estavam em instalação. No Memo da Tróika (Maio de 2011) ficou estabelecido concretizar essa reforma até Dezembro de 2012. Nada aconteceu, a não ser esta confusão.
Em finais de 2011 o Governo PSD/CDS, com a Tróika, unilateralmente, sem que ninguém soubesse, alterou o programa e veio a ser definida uma reforma dos Tribunais, ou mapa judiciário, com diferenças substantivas face à que estava em curso.
E as diferenças são claras: Passagem de 39 para 23 Comarcas, encerramento de 47 Tribunais, implementação não faseada, mas conjunta, em todo o país, em 1 de Setembro de 2014, originando o caos judiciário do qual, como referiu o deputado Luis Pita Ameixa, “Paula Teixeira da Cruz é "a mãe desse caos judiciário” e que a ministra "deve a sua demissão ao país". E deve mesmo!
Na Educação, Nuno Crato não fez melhor. O início do ano letivo foi um dos piores de sempre. Escolas sem professores e professores sem escola marcam ainda o dia-a-dia de muitos alunos e encarregados de educação.
Tal como a ministra da Justiça, Nuno Crato, depois de um surto inicial de enorme arrogância, pela força dos factos, veio à AR fazer também o seu teatro com um pedido de desculpas mal ensaiado para a “salsicha educativa” do primeiro-ministro. Percebeu-se que o governo adotou como estratégia a representação de uma falaciosa humildade.
Foi muito o que correu mal a nível da colocação inicial de professores. Foi tardia, e uma semana após o início do ano escolar existiam erros por todo o lado, com colocações em duplicado, ou professores retirados do concurso sem seu conhecimento. Ninguém sabe como é que numas escolas os professores tiveram os seus contratos renovados e noutras não, em iguais circunstâncias.
A verdade é que os grupos parlamentares da maioria, pelo menos muitos dos seus deputados, foram apanhados de surpresa, sobretudo o do PSD. De facto, ao terem agendado para esse dia uma “debate de atualidade” tinham a ideia de possuírem razões mais do que suficientes para “arrasar” a oposição, nomeadamente o PS que tão duras críticas fez ao governo e ao ministro.
Eis senão quando, o ministro da Educação, ao arrepio de todas as expetativas, lança o tal pedido de desculpas aos professores, aos pais e aos alunos, pelos constrangimentos que estava a causar a todos eles.
Afinal, o PS oposição tinha razão e a maioria PSD/CDS ficou em estado de choque que, aliás, prolongou pelos corredores. Com efeito, não tinha sido para esta desautorização pública que agendaram um “debate de atualidade”. Foi a cereja no cimo do bolo para um problema que ainda não foi resolvido.
Um exemplo: neste momento o governo tenta tapar os lugares vagos existentes trocando de escolas os docentes mal colocados. Apesar de colocados indevidamente na BCE, esses docentes estão a ser mandados para ocupar lugares noutras escolas e com isso a impedir que os docentes - que deveriam ter sido colocados - fiquem com os lugares que lhes pertencem. Não é uma forma leal de esconder o tamanho do erro.
Com se isso não fosse suficiente, o primeiro-ministro, pelos motivos conhecidos, introduziu na opinião pública a ideia de que se poderia ir embora. Nada pior para um governo do que uma instabilidade ao mais alto nível. Nada pior para o país do que um governo perdido na confusão dos seus dias.
Ora, podendo até compreender, sinceramente, que num primeiro momento, a memória de anos não estivesse ativa, já não é tão fácil aceitar que decorridos estes dias a mesma não tivesse sido recuperada através de esforço pessoal e voluntário.
O primeiro-ministro é um cidadão com responsabilidades acrescidas e se ninguém deve ver o seu bom nome posto em caua, muito menos um primeiro-ministro deve sujeitar-se a isso. É necessário o próprio dilucidar as dúvidas existentes, rapidamente.
A não ser que…a não ser que…mais uma vez, se o Presidente da República tenha melhor informação e continue a pensar que está tudo bem!

AR 2014-09-24

sexta-feira, 7 de junho de 2013

AR - José Junqueiro critica 2 anos de Governo - Declaração Política


Portugal vive o mais contrastante período político em que um governo, alguma vez, se distanciou tanto, quer do seu programa, quer dos cidadãos do seu próprio país.
Cerca de 1530 milhões de euros representam a queda do consumo e cerca de 1250 milhões de euros a quebra do investimento. No total a procura interna caiu cerca de 2780 milhões de euros. O emprego recuou para o nível mais baixo  desde que há registo, em 1995. A economia portuguesa está em debandada geral.

O PIB caiu 4%, o orçamento retificativo que acaba de entrar na AR precisará de ser retificado, o Conselho Económico e Social acentua a linha de impossibilidade da
É conhecida a destruição de meio milhão de postos de trabalho, o aumento dos desempregados sendo que, só no primeiro trimestre, surgiram mais de cem mil n o contingente da tragédia social que vivemos. É este o balanço de dois anos de governo.

Nesta vertigem em que o governo nos lançou, o primeiro-ministro, veio dizer, certamente em contexto de agitação psicológica: «Tenho muito orgulho no trabalho que estou a fazer, com uma equipa de gente que pôs os interesses do país à frente dos seus próprios”. 

Ao ouvir Passos Coelho sobre a sua equipa, lembrei-me imediatamente, de Eduardo Catroga, António Borges, Nogueira Leite, Miguel Relvas, entre outras figuras conhecidas pela sua filantropia, desapego aos bens, uma espécie de escuteiros ao contrário, capazes de aplaudir em pé o banqueiro Fernando Ulrich quando nos apontou um novo caminho, o de podermos viver “solidariamente” debaixo das pontes.

Orgulho do que está a fazer, disse o primeiro-ministro? Orgulho da equipa que tem? O primeiro-ministro perdeu o respeito por si próprio, tal como perdeu pelo país, pelas empresas que destruiu, pelos idosos a quem cortou o complemento solidário, pelos que não têm emprego, pelos que todos os dias entregam as suas casas ao banco, pelas famílias obrigadas à separação e que veem partir os seus numa nova onda de emigração.

O primeiro-ministro não ouve ninguém, está isolado, e deixará um país num enorme laboratório de experiências, cuja a dívida aumentou para 127% do PIB, dívida que os portugueses, que sempre foram honrados e trabalhadores, jamais vão conseguir pagar nas gerações mais próximas.
É neste contexto de degradação política, social e económica, de anormal funcionamento das instituições, que o Secretário-Geral do PS tomou a iniciativa de pedir para ser recebido por todas as forças políticas, procurando aliviar a tensão na sociedade portuguesa, abrindo portas ao diálogo, dando uma oportunidade para à descrispação, apresentando propostas para resolver a crise, para encontrar pontos de convergência que viabilizem políticas que nos reconduzam ao crescimento, ao emprego e ao combate à exclusão social.

O governo não pode ignorar que a crise que vivemos tão intensamente existe mesmo e não pode ser disfarçada. Durante meses anunciou que a receita do IMI, relativamente a 2012, seria de mais de 700 milhões. Afinal, o que se verifica é que no 1º trimestre deste ano esta receita ficou aquém, muito aquém, menos 3,2%.  

Lembramos muito bem da campanhaabsolutamente dolosa, do primeiro-ministro para chegar ao poder, das promessas com que ontem as televisões refrescaram as nossas memórias: não, por exemplo, ao corte de subsídios, de reformas, não ao despedimento na função pública, um não que acabou por ser um sim a tudo, uma mentira copiosamente repetida.

A crise política teve origem no próprio governo, na própria maioria. Desde setembro de 2012, quando a TSU fez o povo sair à rua, que nada voltou a ser igual. Passos Coelho não ouviu ninguém, a começar pelos parceiros sociais. A coligação tremeu, tal como tremeu com a tentativa de corte nas pensões, tal como treme todos os dias, não por divergências pontuais, mas pelas insanáveis diferenças e também porque os dois partidos já estão a tratar do “day after” e não do “pós troika” como alguém nos quis fazer crer.

Quando o governo já nem os seus ouve, quando o governo já não quer ouvir o próprio FMI a confessar “erros grosseiros” de avaliação na “receita” aplicada à Grécia, e não tem um gesto de humildade para reconhecer que estamos pior hoje,


muito pior, do que há dois anos, é porque temos um primeiro-ministro a quem falta grandeza de alma.

Quando o governo tem um primeiro-ministro que em delírio político invoca a sua consciência, como algo que existe e pensa estar de boa saúde, e afirma o seu, “…muito orgulho no trabalho que estou a fazer…”, temos de dizer que, apesar de tudo, este pesadelo tem solução e que o primeiro-ministro ainda poderá ser útil ao país, se tiver o rasgo de dar o primeiro passo para a sua saída e a saída voluntária do seu governo, em nome do futuro e de uma nova esperança.

sexta-feira, 1 de março de 2013

JJunqueiro - PM foge ao debate do PS sobre as "Alternativas para a Saída da Crise"



O primeiro-ministro e o seu governo falharam. Os sacrifícios dos portugueses não serviram para coisa nenhuma. O ministro das Finanças já não tem credibilidade e também já não serve para coisa nenhuma. Falhou todos os objetivos: falhou o défice, falhou a dívida, falhou o crescimento, falhou o desemprego. E, agora, revê para o dobro a recessão que supostamente esperava e anunciou, facto que significa mais desemprego para mais dezenas e dezenas de milhares de pessoas. É tempo do primeiro-ministro falar verdade e parar de enganar os portugueses
Alguém do PSD, muito conhecido, classificou como uma “bomba” a confissão do ministro das Finanças, Vítor Gaspar, sobre o falhanço de todas as suas projeções. Cinquenta e um dias depois da entrada em vigor, aprovado pela maioria absoluta do PSD/CDS, o OE 2013 passou a ter um valor zero.
Em Outubro dissemos, reiteradamente, que os pressupostos do OE 2013 eram irrealistas e que não era credível nem exequível.
Há uma semana foi a vez da Comissão Europeia, uma das partes da Troika, não esqueçamos, rever em baixa todas as previsões. Todas? É como quem diz, todas não! Infelizmente, o défice, a dívida e o desemprego foram revistos em alta. Os sacrifícios dos portugueses também. E, mais uma vez, tantos sacrifícios para coisa nenhuma.
Nessa mesma semana e dia saíram os dados da execução orçamental de Janeiro. O Governo diz que a execução correu bem e dá confiança para as metas do primeiro trimestre, mas os dados são muito maus:

1.     A receita esta a crescer 1% (OE previa 7,7%) e a despesa corrente sobe 14,3% (OE previa 7,1%).
2.     Em janeiro 2012 o saldo era de 308 M€ e agora há um défice de 31M€. Onde está a consolidação?
3.     A receita fiscal sobe 2,4%, muito por obra do aumento IRS, aumento escandaloso do corte nos rendimentos do trabalho das pessoas, e,assim, neste contexto irracional, o IVA cai 4%.  
4.     Na segurança social as contribuições caem 2,6% e a despesa está a subir 7,8%, com o saldo a perder 80 M€ num só mês
A Estratégia orçamental colapsou e o governo deixa de ter estratégia orçamental. É a espiral recessiva e o ciclo vicioso da austeridade, recessão e austeridade em todo o seu esplendor: mais défice, mais recessão, mais dívida, mais desemprego.
Por muito que se procure, não há qualquer coincidência entre as previsões da Comissão europeia e o Documento de Estratégia Orçamental do Governo que, aliás, convém relembrar, foi feito na clandestinidade, nas costas da Assembleia da República.
E se quanto a Vítor Gaspar estamos conversados, na equipa da economia a tragédia assume também proporções inimagináveis. Talvez o ministério precise de aplicar a si próprio o tal programa “Revitalizar”, se o mesmo se dirigir ao apoio de alguma ideia, uma que seja, que distinga a sua incompetência do profissionalismo de uma equipa da “Remax”. É que vender apartamentos, conhecer e trabalhar o mercado, é matéria para bons profissionais e não para membros do governo, até por motivos curriculares sobejamente conhecidos.
Diz o primeiro-ministro, com a ligeireza a que já nos habituou, neste ambiente caótico, que o caminho seguido é o correto, mas que, afinal, é preciso “mais tempo”. O líder do PS sempre defendeu que é necessário “mais tempo” para consolidar as contas públicas e o primeiro-ministro sempre disse que “mais tempo” obrigava a pedir mais dinheiro.
Apanhado no seu falhanço, tenta agora fazer uma confusão entre “mais tempo” para o programa da troica e “mais tempo” para a consolidação das contas públicas. Pouca sorte a do primeiro-ministro, porque o PS nunca pediu “mais tempo” para o programa da “Troica”, mas sim para a consolidação das contas públicas.
O governo atualizou por seis vezes o memorando, unilateralmente, sem consultar os partidos ou a AR; fez o mesmo com o DEO, Documento de Estratégia Orçamental em Bruxelas; e decidiu, na clandestinidade, com a “Troica”, em setembro, um corte de 4 mil milhões no Estado Social.
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho disse, enquanto líder da oposição, em 15 de Março de 2011: “isso é de uma deslealdade e de uma falta de respeito pelo país, pelos portugueses, pelas instituições, suficientemente grave para pôr em causa a confiança que o país tem em quem o governa»... "por ter ocultado as medidas que estava a negociar com Bruxelas".  
Pois senhor primeiro-ministro a sua ação governativa tem sido isso mesmo “… de uma deslealdade e de uma falta de respeito pelo país, pelos portugueses, pelas instituições, suficientemente grave para pôr em causa a confiança que o país tem em quem o governa».
E é isso que explica a dificuldade do PM sente em enfrentar o " debate de urgência" proposto pelo líder do PS, António José Seguro, sobre as "Alternativas para a saída da crise"
O PM revela insegurança, mas sobretudo, revela medo em enfrentar as propostas do PS e de António José Seguro.
Nalguns sítios está cercado pelas pessoas e aqui está cercado pelo falhanço. O PM tem medo e foge ao debate. É tempo de governar, não é tempo de desertar. O PS e o país tomam a devida nota.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Televisões - José Junqueiro - Primeiro Ministro foge ao debate com António Seguro

O grupo parlamentar do PS acusou hoje o primeiro-ministro de ter "medo" e de fugir ao debate de sexta-feira sobre alternativas de combate à crise económico-financeira, acrescentando compreender que Passos Coelho está, "lá fora, cercado pelas pessoas".
"O secretário-geral do PS propôs um debate de urgência sobre as alternativas para a saída da crise. O primeiro-ministro fez saber que não estará nesse debate. Foge e tem medo desse debate. Compreendemos que esteja cercado, lá fora, pelas pessoas e cercado, cá dentro pelo fracasso da sua ação governativa", disse o deputado socialista José Junqueiro, após reunião da bancada socialista.
O vice-líder do grupo parlamentar "rosa" acusou o líder do executivo da coligação PSD/CDS-PP de ter falhado "todas as previsões" e disse que o Orçamento do Estado 2013, "dois meses depois de ter entrado em vigor, vale zero", porque "falhou no défice, no crescimento, nas estimativas para a recessão e no desemprego".
"O primeiro-ministro decidiu sozinho seis atualizações do memorando da ‘troika', o documento estratégico orçamental e um corte de quatro mil milhões de euros no Estado Social. Tem de receber e admitir sozinho as consequências da sua governação", mas "tem medo e foge ao debate", reforçou.
A secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares, Teresa Morais, comunicou quarta-feira aos partidos na conferência de líderes que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, não estará presente no debate de urgência do PS marcado para sexta-feira, que tem por tema a "alternativa para a saída da crise".

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

DECLARAÇÃO NA AR - PROMISCUIDADE NA GOVERNAÇÃO



Há uma enorme apreensão dos portugueses com a deterioração da atividade governativa, porque, para além dos erros que conduziram ao afundamento da economia, ao crescimento do desemprego e ao descontrolo das contas públicas, sente-se também o desnorte do executivo e a falta de autoridade do primeiro-ministro.
É o resultado de um governo esquisito, com menos ministérios, mas mais confusão, com menos ministros, mas com mais assessores para vigiarem os próprios ministros. Foi assim que nasceu Carlos Moedas e a sua equipa de “polícias” governamentais, incompetentes, diga-se, porque nunca assistimos a tantas tolices como agora.
Foi assim que acabou de nascer uma equipa externa da maioria, deputados ou dirigentes do PSD e CDS, para vigiarem as relações entre os membros do governo, do PSD e do CDS, para controlarem a própria maioria. Se o ridículo pagasse imposto, Vítor Gaspar teria colhido entre os seus colegas o suficiente para cumprir o défice.
O consultor António Borges, despedido de funções internacionais por desempenho insuficiente encontrou no governo português um porto de abrigo. Tem um superministério. Se é preciso anunciar a privatização da televisão pública logo se substitui ao debilitado ministro de Estado e dos Assuntos Parlamentares; se é preciso anunciar o empobrecimento dos trabalhadores, lá se substitui ao ainda ministro da Economia e anuncia que “baixar salários não é uma política, é uma urgência nacional”; ou se é preciso insultar os empresários por não gostarem da TSU, lá se substitui ao ministro de Estado e das Finanças. Larva, portanto, uma promiscuidade institucional sem precedentes.
O presidente da Unidade Técnica para a Organização do Território, Manuel Porto, cujo o único papel é extinguir freguesias, aceitou o seu papel de algoz do poder local, imiscuindo-se nas suas atribuições e competências e fazendo pelo governo o trabalho iníquo de quem não tem coragem para dar a cara. No entanto, pasme-se, este presidente acaba de se declarar contra a extinção de freguesias, contra o objetivo primeiro do governo, mas lá prossegue, sem pudor, no ser e não ser, no faz de conta, no estou contra mas extingo.
Aparece, entretanto, o tsunami da extinção de fundações, essas responsáveis pelas “gorduras”, pelo “regabofe nacional”. O país acordou em sobressalto com a notícia. Estava descoberta a cura para a consolidação orçamental. A esperança renascia, as fundações seriam aniquiladas. E António Capucho, temeroso, já dizia, do seu governo: Extinguir a Fundação Paula Rego “é como os talibãs bombardearem os budas”.
Mas, verdadeiramente, o inesperado aconteceu. O governo anunciou com suspense, depois de um longo conselho de ministros, entre centenas de fundações, o fim de quatro, a recomendação do encerramento de 13 entidades ligadas instituições de ensino superior e 21 uma outras cuja “competência decisória” se encontra cometida às autarquias. Como disse o líder parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, “ a montanha pariu um rato”. Afinal a tão falada fundação Magalhães foi a que mais recebeu, a Culturgest teve nota negativa, mas a fundação de Alberto João Jardim, que arrenda sedes ao PSD na Madeira, sobreviveu. Um delírio!
Perante tal desconcerto e em nome da transparência, o PS solicitou os estudos ao senhor primeiro-ministro. Sim, pelo menos ele deveria saber. A resposta foi rápida, uma espécie de “isso não é comigo”, como já quase nada é com ele, perguntem ao senhor ministro das Finanças. Fica a suspeita e a apreensão. Terá havido estudo? E o primeiro-ministro confessa dificuldades em falar com seu ministro das finanças? É a falta de autoridade ao rubro, mas o PS ajuda o primeiro-ministro. O PS já enviou a pergunta ao ministro Vítor Gaspar.
Como se tudo isto não bastasse, os resultados da governação não poderiam ser piores. O desemprego bate um máximo histórico, a economia afunda-se numa recessão sem precedentes, o défice está descontrolado, a insensibilidade social acentua-se, a pobreza instala-se, as famílias estão desesperadas e a esperança desaparece. Hoje à tarde, o núncio dos impostos, Vítor Gaspar, a estrela declinante voltou a soletrar mais austeridade, mais de 30% de aumento no IRS.
É este o estado a que chegámos. O primeiro-ministro vê o seu parceiro de coligação, Paulo Portas, levantar ferro, vê Bagão Félix treinar a sua contundência no governo, vê os mais altos dirigentes e ex-dirigentes e governantes do PSD contra si; Marcelo diz mesmo que se trata de alguém “impreparado” e Morais Sarmento até se “engasga” com a TSU. Ao povo aconteceu-lhe o mesmo e saiu à rua. O primeiro-ministro é um homem só. E foi assim, só, que negociou em Bruxelas, sem o conhecimento do país e do parlamento, não linhas gerais como há um ano, mas mais austeridade e impostos concretos. Termino, pois, repetindo o que o dr. Passos Coelho disse em enquanto líder da oposição, em 15 de Março de 2011: “isso é de uma deslealdade e de uma falta de respeito pelo país, pelos portugueses, pelas instituições, suficientemente grave para pôr em causa a confiança que o país tem em quem o governa»... "por ter ocultado as medidas que estava a negociar com Bruxelas".  …. e acrescento, que se traduziu no maior aumento de impostos, no mais imoral aumento de impostos de que há memória em Portugal.