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sábado, 25 de julho de 2015

Portugal teve a 5ª maior perda de população no mundo seremos 7,5 M em 2100

Em 2040, daqui a 25 anos, seremos um pouco mais de 8,4 milhões. Como já escrevi, desde 1983 que não substituímos gerações. O fenómeno tem décadas, atravessou vários governos, mas nestes últimos quatro anos queda de natalidade superou a dos últimos vinte.


"Como chegámos aqui e como vamos sair: Portugal teve a 5ª maior perda de população no mundo

"Só há quatro países no mundo com perdas de população maiores no ano passado do que a de Portugal, em termos relativos. Baixa fecundidade, população envelhecida e mais gente a sair do que a entrar no país: eis o retrato que torna “praticamente impossível” inverter a tendência a curto prazo, explicam os especialistas

A população no mundo continua a crescer e num só ano, entre 2013 e 2014, contam-se mais 82,8 milhões de pessoas, segundo os dados do Banco Mundial. Só que um olhar mais detalhado permite concluir que, em todo o mundo, houve 24 países e territórios que perderam população. Entre eles está Portugal – que regista a quinta maior perda populacional do mundo inteiro, em termos relativos.
Porto Rico, Letónia, Lituânia e Grécia são os únicos locais do mundo que tiveram uma variação de população mais negativa que a de Portugal. Porto Rico – um estado associado e dependente dos Estados Unidos da América – e a Letónia tiveram uma queda superior a 1%. Em todos os restantes países, entre os quais está a Espanha, Roménia, Ucrânia ou Japão, as perdas foram menos intensas. Grécia e Portugal surgem com descidas aproximadas (-0,63% na Grécia e -0,57% em Portugal).
Em termos absolutos, Espanha fica à frente com uma perda de 215 mil habitantes (-0,46%) e a seguir está o Japão com menos 207 mil (-0,16%). No caso de Portugal, segundo os dados do Banco Mundial, são menos 59 mil pessoas. Os números de população usados pelo Banco Mundial baseiam-se em várias fontes estatísticas nacionais, europeias e internacionais, têm em conta a população presente e não contam com os refugiados que não estejam ainda com título permanente no país de destino.
Maria Filomena Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Demografia, considera “surpreendente, mas de certo modo previsível” que Portugal tenha a quinta maior perda. “A surpresa pode residir em termos apenas quatro países em que a perda de população em termos relativos foi superior. Numa população de pouco mais de 10 milhões de habitantes, se ao valor deste saldo negativo acrescentarmos o número de emigrantes temporários (que são contabilizados como residentes) encontramos um “deficit” populacional anual muitíssimo significativo. Para além disso, o acumulado dos últimos anos ganha ainda mais significado e relevância.”

PORTUGAL AOS OLHOS DAS NAÇÕES UNIDAS

A perda de população em Portugal não surge só no ano passado. O país surge entre as dez maiores perdas de população entre 2010 e 2014 (-1,7%), segundo o Banco Mundial.
“Em Portugal há um declínio da população total devido à baixa fecundidade: os nascimentos são significativamente mais baixos que a mortalidade e o saldo migratório. O saldo migratório é estimado como negativo neste período: em média, as pessoas estão a sair do país”, explica Kirill Andreev, demógrafo da Divisão de População das Nações Unidas e um dos responsáveis pelas projeções demográficas publicadas pela organização internacional.
A estimativa é que Portugal tenha 7,5 milhões de habitantes em 2100. E porquê? “A atual estrutura etária da população e o nível de fecundidade abaixo do nível necessário para a renovação das gerações [2,1 filhos por mulher] puxam a população para baixo”, alerta Andreev.
Maria Filomena Mendes completa o panorama demográfico. “Somos um país em acentuado declínio demográfico, temos uma queda acentuada da natalidade num quadro já anteriormente de declínio, o número de óbitos vem sendo superior ao número de nascimentos e também nos últimos anos a imigração diminuiu enquanto a emigração regista valores imprevisivelmente surpreendentes.”
E o que fazer para inverter a situação? Para o demógrafo das Nações Unidas, o tempo necessário dependerá do "sucesso do governo português em recuperar a taxa de fecundidade do país para, no mínimo, o nível de renovação das gerações. O envelhecimento da população continuará a aumentar no futuro, não vejo nenhuma forma de contrabalançar isso. O governo terá de aumentar a idade da reforma para conseguir assegurar as finanças públicas, a segurança social e o sistema de saúde. A migração não vai ajudar a reverter essa tendência.”
Segundo Maria Filomena Mendes, inverter o saldo negativo da população “é difícil e praticamente impossível no curto prazo”. Resta, por isso, “criar condições de atração de imigrantes e, simultaneamente, estancar a saída dos emigrantes (jovens, qualificados e em idade de casar e de ter filhos) – ou, aumentar de tal forma a imigração que compense as perdas devidas à emigração e à quebra da natalidade (neste caso, colmatando o défice entre nascimentos e óbitos).”"

sábado, 4 de julho de 2015

Bom trabalhio no JC sobre a regressão demográfica no distrito de Viseu

"O professor Eduardo Anselmo, com quem nessa semana, em Moimenta, partilhei um painel nas V Jornadas de Cidadania, numa prognose até 2040, foi bem claro ao sublinhar que nessa altura seremos pouco mais de 8 milhões e que cada vez menos as mulheres na idade fértil: “A região do Douro perderá 40 mil pessoas, passará de 205 mil para 164 mil”. Portanto, as atuais políticas de natalidade e de apoio às famílias, serão insuficientes para substituir as gerações atuais, o que aliás já acontece desde 1983". 

O trabalho feito no Jornal do Centro, por Letícia Pereira, está em linha com o alerta que, em maio, deixei em artigo no mesmo semanário. As V Jornadas de Cidadania" realizadas em Moimenta da Beira proporcionaram essa reflexão.
E, como se conclui, é fundamental olhar mais longe e deixar de fingir "pseudosoluções", porque  "as atuais políticas de natalidade e de apoio às famílias, serão insuficientes para substituir as gerações atuais, o que aliás já acontece desde 1983". 

Bom trabalho. Todos os alertas são importantes.






quinta-feira, 6 de novembro de 2014

INE: Emigraram 350 mil e Portugal voltou aos saldos migratórios negativos dos anos 60

Dados do INE, da última semana, sobre estatísticas demográficas, deram-nos a saber, que nos últimos 3 anos emigraram 8% dos jovens e quase 2 mil idosos com 80 e mais anos.

Nos últimos três anos, o país regressou aos saldos migratórios negativos como na década de 60- Entre emigrantes permanentes[1] e temporários[2], saíram do país, o ano passado, mais de 128 mil pessoas.

Contabilizando os últimos três anos (2011-13),  emigraram mais de 350 mil pessoas
Saíram 
44 mil crianças e adolescentes (0-19 anos)Saíram 133 mil jovens (15-29 anos) que representam 8% da população jovem; Saíram 38 mil adultos dos 50 aos 64 anos, que já estão, em princípio, nos últimos 15 anos da sua carreira contributiva; Saíram 12 mil e 500 pessoas com 65 ou mais anos: pessoas em idade de reforma…. 


[1] Intenção de residir noutro país por um período igual os superior a 1 ano
[2] Intenção de residir noutro país por um período continuo inferior a um ano

terça-feira, 1 de abril de 2014

Projeções - Crise demográfica - Natalidade e relação criança/idoso

A população residente em Portugal tenderá a diminuir até 2060, em qualquer dos cenários de projeção. 

DE 1960 até 2011 passámos de 27 crianças/100 idosos para a relação 100 crianças/128 idosos

No cenário central a população diminui de 10,5 milhões de pessoas, em 2012, para 8,6 milhões de pessoas, em 2060. 

No cenário mais baixo a população de Portugal poderia cair para 6,3 milhões de pessoas

Para além do declínio populacional esperam-se alterações da estrutura etária da população, resultando num continuado e forte envelhecimento demográfico.


Assim, entre 2012 e 2060, o índice de envelhecimento aumenta de 131 para 307 idosos por cada 100 jovens, no cenário central. 

Nesse mesmo período e cenário, o índice de sustentabilidade potencial (Relação entre a população em idade ativa e a população idosa, definida habitualmente como o quociente entre o número de pessoas com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos e o número de pessoas com 65 ou mais anos) passa de 340 para 149 pessoas em idade ativa por cada 100 idosos.