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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Um passo à frente, dois à retaguarda. E depois?

Um passo à frente, dois à retaguarda. E depois?

Nem governo de combate, nem governo de grande abertura à sociedade civil ou a personalidades mais à esquerda. O novo governo é o que é, nem melhor que o anterior nem muito pior. Mas também não podia ser outra coisa. Criticar abertamente a composição deste executivo exige uma enorme dose de cinismo, porque é criticar uma lista de nomes sem ter em conta as circunstâncias que o rodeiam. Numa situação tão especial - e bizarra - seria muito difícil fazer um executivo mais forte. Não há ninguém naquela lista que não saiba o seu destino próximo. E os que ainda possam duvidar, não acreditam que fiquem lá além do verão.
Pode-se analisar o novo governo de todas as formas: pelo número de independentes, pelos novos ministros, pelos que saem, pelos secretários de Estado promovidos, pelos que ficam, pelo quem é quem, pelo que fizeram no passado, e por aí fora. Mas será que vale mesmo a pena? É que este governo é um pequeno passo à frente, à espera de dois à retaguarda.
A questão está no que se passa depois.
No fundo este governo tem que existir para que a atual maioria se possa reorganizar na oposição. Este movimento parece muito simples, mas não é nada óbvio. Sobretudo porque a coligação ganhou eleições e estava, naturalmente, à espera de governar. Ter que se preparar para a oposição obriga a uma volta de 180 graus. E a equipas muito diferentes: governar é uma coisa, estar na oposição é outra.

Além disso, há uma outra questão que se levanta: estamos a falar de quanto tempo na oposição? É que é muito diferente estar fora do governo seis meses ou três ou quatro anos. Neste momento está tudo a preparar-se para uma legislatura muito curta, mas pode dar-se o caso de durar um pouco mais. E nesse caso, tanto Passos Coelho como Paulo Portas têm que repensar as suas estratégias de curto e médio prazo.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

(Exp. Ricardo Costa) A última jogada de Tsipras

Como resumir os últimos meses de Alexis Tsipras? Não é tarefa fácil, depois de tanta volta e reviravolta, de ter chegado de rompante com um discurso demasiado fácil e de ter engolido quase tudo, de ter vencido eleições contra a austeridade e arriscado a vida política num referendo, de ter feito o contrário do que queria e ter enfrentado uma rebelião no seu partido.

Mas há um indicador comum a todo este resumo. É que Tsipras continua com uma popularidade incrivelmente alta e sem ninguém que lhe faça frente. É isto que explica a demissão e o caminho para eleições antecipadas. O primeiro-ministro grego sabe que as vai ganhar com facilidade e isso permite-lhe ter um grupo parlamentar expurgado dos mais contestatários.

Não é certo que o Syriza se mantenha intacto – é uma coligação de vários pequenos partidos –, mas é certo que Tsipras vai vencer a eleição de forma clara, podendo até dispensar os nacionalistas que hoje lhe garantem a maioria. Bruxelas, Berlim, etc., sabem que é com Alexis Tsipras que vão lidar e por muito tempo.

Ah, já me esquecia. É que apesar de as eleições gregas ainda não terem data, tudo aponta para dia 20 de setembro, ali em plena campanha eleitoral… portuguesa. Isto explica o regresso em força da Grécia ao discurso da coligação PSD-CDS e promete mais uns embaraços ao PS que mostrou uma estranha simpatia pelo advento do Syriza. Depois corrigiu o tiro, mas o mal inicial ficou feito.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Polémica - Ricardo Costa - "O perigoso poder das concelhias" (Expresso)

"Um dos dados mais relevantes destas autárquicas é a explosão de candidaturas independentes. Muitas delas nasceram de movimentos populares ou de desencanto com os partidos, mas há uma grande parte que brotou de uma óbvia dissidência partidária. Essa dissidência quase nunca teve a ver razões políticas profundas, visões diferentes para o concelho ou conceitos divergentes do desenvolvimento local. Nada disso. A dissidência teve quase sempre a ver com o inusitado poder que o PSD e o PS deram à suas concelhias para escolher os candidatos.
A ideia e entregar às bases a escolha dos candidatos parece boa, mas apenas a quem não conhece os partidos. Os defensores desta ideia esquecem que as concelhias têm exactamente os mesmos vícios das direcções nacionais, com a agravante de funcionarem e de exercerem o poder em zonas restritas, onde as inimizades, as zangas ou os simples acertos de contas têm tendência a ter menos filtros e a revelarem-se de imediato.
Foi exactamente isso que aconteceu. Desde 2003, quando teve um retumbante vitória nas eleições locais, que o PSD se assumiu como partidos autárquico. Na última década o poder doas autarcas e das concelhias cresceu desmesuradamente, apoiado na perigosa ideia das eleições directas para escolher os líderes partidários. Todos os concorrentes a líderes do PSD tiveram isso bem presente, e Passos Coelho mais do que todos. O problema é que o PS passou pelo mesmo processo de mimetismo e António José Seguro sabe que o seu poder é, acima de tudo, o poder das concelhias.

Quando chegou a hora de escolher candidatos, Passos e Seguro não tiveram grande escolha. Deram o poder a quem os elegeu, as concelhias. E agora vão perceber o desastre em que se meteram."   Ricardo Costa

quinta-feira, 31 de maio de 2012

(RR) RICARDO COSTA - GOVERNO "ESCONDE A VERDADE" NO CASO DAS SECRETAS

Síntese - Director do “Expresso” acusa PM de utilizar argumento “patético e vergonhoso. O espião não regressou aos serviços porque o Expresso deu a notícia e impediu; o governo fez inquérito e sindicâncias, incompetentes, porque foi obrigado;“O que se passou aqui é a mais despudorada e escandalosa tentativa de utilização dos serviços secretos de uma República....e isto está a tentar ser apagado como se não tivesse passado nada,

"RENASCENÇA - Director do “Expresso” acusa primeiro-ministro de utilizar argumento “patético e vergonhoso”. O jornalista Ricardo Costa, alvo do relatório encontrado na posse do ex-superespião Jorge Silva Carvalho, sustenta que em toda a polémica das secretas o Governo tem usado “uma lógica de defesa que não é errada, mas que esconde a verdade”.
O Executivo argumenta que quem queria regressar aos serviços secretos não voltou “porque o Expresso deu a notícia”, disse à SIC o director do jornal.
“O Governo fez inquéritos, sindicâncias e depois levou tudo à justiça. Sim, o Governo fez inquéritos e sindicâncias incompetentes apenas porque foi obrigado a fazê-lo, e foi entregar à justiça porque tinha de entregar à Justiça”.
“Terceiro, isto é uma guerra empresarial e, este sim, é o argumento escandaloso, é o argumento, se quisermos, patético e vergonhoso que qualquer primeiro-ministro devia ter vergonha em dizer”, acusa Ricardo Costa.
O director do “Expresso” contesta a ideia de que por detrás de toda esta polémica esteja uma guerra empresarial entre a Ongoing e a direcção da Impresa, liderada por Pinto Balsemão.
“O que se passou aqui é a mais despudorada e escandalosa tentativa de utilização dos serviços secretos de uma República, que é uma coisa fundamental à democracia, e isto está a tentar ser apagado como se não tivesse passado nada, porque há uma guerra empresarial”, argumenta Ricardo Costa."