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sábado, 23 de abril de 2016

Henrique Monteiro em Mangualde - A Cultura da Liberdade

A ACCIG ( Associação Cultura, Conhecimento e Igualdade de Género) promoveu, no hoje, dia 23 de abril de 2016, uma palestra intitulada “A Cultura da Liberdade”, proferida pelo jornalista Henrique Monteiro. 
Esta atividade, contou com o apoio do município de Mangualde,e decorreu no auditório da Câmara Municipal de Mangualde, pelas 16h00 horas. Estive presente


Henrique Monteiro é jornalista profissional desde 1979.
Em 1989 entrou nos quadros do Expresso, onde foi editor da “Revista”, da secção “Sociedade” e, a partir de 1995, subdiretor.
Em janeiro de 2006 foi nomeado diretor daquele semanário.
Em 2008 foi nomeado pela Impresa Publishing,  publisher do Expresso, cargo que acumula com o de diretor da revista económica “Exame” e da revista “Courrier Internacional”.
Em 2010 foi ainda nomeado publisher e diretor da revista trimestral Intelligent Life.
Desde 2011 é administrador e diretor editorial para as novas plataformas do grupo Impresa Publishing.
Publica uma crónica semanal no Expresso, e colabora regularmente na SIC Notícias e na Rádio Renascença como comentador político. No Jornal do Centro pública mensalmente um artigo de opinião.












sexta-feira, 4 de setembro de 2015

A tragédia dos refugiados - "As mãos dos meus filhos escaparam das minhas"

Primeiro, uma das mais terríveis declarações jamais feitas à Comunicão Social. O pai de Aylan confessa: "As mãos dos meus filhos escaparam das minhas". Os mais bonitos filhos do mundo,diz Abdullah, após ter visto a morte da mulher e das suas crianças. Depois de recusar o asilo que o Canadá (onde o assunto já faz parte da campanha política em curso) lhe ofereceu, Abdullah está de volta a Kobane, de onde fugiu, para enterrar os seus. É o destino final do pequeno corpo cuja morte se tornou vergonha, dor, alerta e má consciência em todo o mundo.

E todo o mundo só fala nisso. Mesmo nas cadeias televisivas do Médio-Oriente as notícias tornaram-se chocantes. A Al-Arabiya, por exemplo, pergunta se o mundo, agora, prestará atenção. Aliás a Comunicação Social de todo o mundo comoveu-se e quis comover-nos com essa imagem, a imagem da morte que envergonha o mundo. Depois de quatro prisões relacionadas com o caso terem sido efetuadas, ainda vai correr alguma tinta sobre o assunto. O pior é que, neste mundo de comunicação instantânea, depois de uma imagem vem outra, as crises tornam-se crónicas e a atenção dos media dirige-se para outras latitudes. A ver vamos se, desta vez não é assim

segunda-feira, 20 de julho de 2015

(Exp) "Ego a mais, vergonha a menos"

Ego a mais, vergonha a menos
Este podia ser um texto sobre as inestimáveis contribuições de Passos Coelho e de Costa para o acordo obtido na Comissão do Eurogrupo. Mas não é. Vou ocupar-me de casos mais graves e, sobretudo, mais perniciosos de excessos de ego.
Começo por Wolfgang Schäuble. Irrita-me quando lhe chamam nazi, porque ele não o é, e isso resulta na desculpabilização do nazismo. Odeio quando sublinham que anda numa cadeira de rodas — nunca o fariam se ele fosse de esquerda. Mas não há dúvida de que o ego de Schäuble é excessivo. Assim como a falta de vergonha. Depois de derrotado na sua tese do ‘Grexit’, não demorou dois dias a voltar ao ataque, dizendo ser essa a melhor solução. O ministro pode pensá-lo, mas escusa de o dizer, porque está a deitar gasolina numa fogueira.
Passo ao par de Schäuble na contradança, outro homem cujo ego monumental lhe tolhe a lucidez: Varoufakis. Também ele pode achar que o acordo é um desastre, mas, uma semana depois de sair do Governo a dizer que apoiaria sempre Tsipras, fez-lhe o “grande favor” de votar contra Tsipras e o seu sucessor Tsakalotos no Parlamento de Atenas. Um radical atrai outro. Estou convicto de que Schäuble e Varoufakis podem construir uma bela amizade, se repararem melhor que a sua ideia central parece ser destruir o euro e a Europa.
Mas não se pense que é só pelo estrangeiro que há este estilo de egos que matam. Por cá temos Ricardo Salgado. A sua tese é que o BES desabou por culpa do governador do Banco de Portugal e do Governo. Estou convencido de que, se ele procurar melhor, a imprensa no geral, alguns jornalistas no particular e talvez um extraterrestre ou outro possam também ser responsabilizados pela ruína daquele que pretendia ser o mais sólido banco do país. Responsabilidades próprias? Nenhumas! Estaria tudo sob controlo se não houvesse reguladores e governos.
Mas o prémio desvergonha do mês vai para a ex-membro da ERC e professora de jornalismo Estrela Serrano, que criticou a mulher de Passos por esta ter aparecido sem cabelo. Laura Ferreira tem um cancro e sofre as consequências do tratamento. Estrela não foi a única a achar que se tratava de uma mera jogada eleitoral, mas é a mais responsável. Várias pessoas, com destaque para a jornalista Ana Sá Lopes, já lhe responderam muito bem. Haja piedade daqueles cuja ânsia de protagonismo os impede de pensar e remetamo-nos ao silêncio!

domingo, 12 de julho de 2015

(O testemunho de H. Monteiro) - A Drª Maria de Jesus, ou a ‘soutora’

"A Drª Maria de Jesus, ou a ‘soutora’

Há momentos assim em que nos temos de olhar de mais distante, de mais alto, para compreender o que sempre soubemos: que vidas acabam e nos deixam um vazio que jamais será preenchido. Que há vozes e expressões que nunca mais ouviremos, gestos que apenas na nossa memória perduram, memórias que apenas para nós fazem sentido.
Não sendo inesperada, porque há 12 dias a esperávamos, é um choque, porque é sempre um choque descobrir que é verdade a mais antiga lei do mundo. Eu vejo-a, maior do que eu, as mãos entrelaçadas; depois repousando na enorme varanda de uma casa (e uma quinta) que era do meu tio Álvaro, onde ela e Mário Soares estavam; na Índia, em cima do elefante que subia para o forte Amber, em Jaipur, numa visita oficial do Presidente da República, que era o seu marido; há dias, há poucos dias, a mostrar-me com o cuidado devido às coisas preciosas uma fotografia sua com o Papa Francisco. Misturam-se décadas, situações, recordações, mas há a constante ternura, o afeto, a delicadeza, a discrição, a elegância.
Um dia em que no Colégio Moderno fomos confrontados com a presença (rara, porque então no exílio) do Dr. Mário Soares, um dos meus colegas perguntou em voz audível que nos provocou uma risada: “Então, mas aquele é que o marido da soutora”. Era. E ficou. Por vezes ainda chamava a Soares “o marido da soutora”, coisa que ele recebia com um misto de humor e uma ponta de inveja. Sim a Drª Maria de Jesus calava-nos com um simples olhar…
Nos últimos anos do liceu éramos esquerdalhos e fazíamos trinta por uma linha e ela, que nunca fora medrosa, mas sempre prudente, que juntava esses dotes raros – ainda mais raros quando conjugados – que são a coragem e o bom senso – avisava-nos: “Não querem que nos fechem o colégio, pois, não?”. Aconselhava-nos não a resignação, mas a inteligência.
Se é verdade – porque não sei se é – que por detrás de um grande homem há sempre uma grande mulher, como se diz, Maria de Jesus Barroso é a ilustração perfeita dessa frase.
Foi, desde sempre, desde antes de conhecer o marido, na Faculdade de Letras, uma lutadora contra a ditadura. Era uma atriz de sucesso, a quem o regime retirou o palco; foi uma declamadora que incendiava plateias com os versos (as mais das vezes subversivos). Antes de Soares ser mais do que o filho do Dr. João Soares, ministro da República, pedagogo e fundador do Colégio, foi ela uma voz rebelde, tão firme quanto serena.
Esta espécie de força serena acompanhou-a sempre, até à conversão ao catolicismo na sequência do terrível desastre que, por semanas, deixou entre a vida e a morte João Soares. Mas nada de substancial nela mudou. A Fé e a Esperança já existiam. A Caridade, se a entendermos no seu étimo, usar o coração para ajudar os outros, também. As suas preocupações sociais eram concretas, reais e não teóricas, ao contrário de tanta gente que ama a humanidade no geral, mas ninguém pessoalmente. Assim como o seu desejo de paz, que teve influência em África, nomeadamente em Angola e Moçambique, e a sua feroz condenação de qualquer violência – o que a levou a ter posições muito críticas para a Comunicação Social, nomeadamente para as televisões.
Como escrevi no Facebook e já disse hoje na SIC, Maria de Jesus Barroso é uma mulher de armas. Esteja onde estiver, é uma mulher de armas. É uma grande senhora, que faz muita falta ao marido, aos filhos e netos, à família, aos amigos e ao país. É uma reserva de amizade e de ternura. Tudo isto é escrito por quem fica para sempre admirador da sua sensatez, capacidade de luta e veracidade. Esteja onde estiver quero vê-la outra vez, pegar-lhe nas mãos, chamar-lhe soutora e ouvir a sua voz serena. Ela, para mim, não é a ex-primeira dama, nem a fundadora do PS, nem a deputada, nem a atriz, nem a fantástica declamadora de poesia. É a minha professora, a mestra da minha meninice, adolescência, juventude e aquela que ainda há poucos dias me segredava o orgulho que tinha nos seus alunos, sem nunca saber o orgulho que todos tínhamos nela. Na sua independência de espírito.
Uma pessoa assim não morre nem se apaga, fica connosco. Com todos nós, sempre!

Não tenho mais nem melhores palavras."

sábado, 11 de julho de 2015

(Exp - Henrique Monteiro) - Quem quer ir para Belém

Saem sondagens para todos os gostos, mas os resultados para as legislativas tem uma constante: não há maiorias absolutas. Isso, além de implicar várias dificuldades e tentativas de aliança, obriga a algo verdadeiramente desafiador: ter em Belém alguém que saiba intervir sem dividir, que seja firme sem ser intrusivo. Enfim, que tenha bom senso, a coisa mais bem distribuída do mundo, uma vez que todos pensam ter mais do que o suficiente, já dizia Descartes. Estaríamos, pois, descansados, acaso a frase não fosse irónica.
Na frente presidencial, o que temos? Henrique Neto e Paulo Morais sem apoios de partido; Sampaio da Nóvoa que no terreno não parece impor-se; Maria de Belém, de quem se começou a falar (e que na sondagem que hoje publicamos quase apanha o ex-reitor); Rui Rio, já proposto por Balsemão e de quem se diz ser o preferido de Passos; Marcelo Rebelo de Sousa e — last but not least — Santana.
Quem tem verdadeiras hipóteses? Sampaio da Nóvoa parecia caso arrumado à esquerda, mas, por ora, só é apoiado pelo Livre, o que é curto. Se Maria de Belém avançar, como parece ser o desejo de boa parte do PS, e tendo em conta que é a ex-presidente do partido, cria uma dor de cabeça a António Costa. É mais central, tem muito menos anticorpos e é mais conhecida do que Nóvoa. Mas o PS ainda pode descartar o ex-reitor e apoiá-la? Ou já se comprometeu de tal maneira (como Nóvoa deu a entender) que o mais que pode fazer é não apelar ao voto?
À direita as coisas não são mais simples: o mais popular, Marcelo, não sabe se converte a popularidade em votos; Santana, apesar do novo look de avozinho sereno tem um passado que atrapalha. Rio também não parece propriamente ser um homem talhado para grandes compromissos. É certo que nenhum deles disse que avançaria, mas, penso eu, um deles, pelo menos, vai querer marcar terreno antes das legislativas.
Os dois partidos do centro têm, assim, excesso de candidatos. Acontece que a intriga interna e externa deste processo vai ter o seu auge logo após as legislativas, quando se tentar formar um Governo, o que é mau presságio. Seria possível um acordo, como em 1976 (e como Barroso, outro presidenciável, propôs há tempos), apoiando uma personalidade consensual?

Isso é pedir muito! Vão todos continuar a fingir que têm divergências insanáveis... e que o país aguenta tudo.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Expresso - Escrevam 100 vezes: isto é tudo uma Máfia (e às vezes ganham)

Henrique Monteiro
Blatter é um sem vergonha. Já se esgotaram os nomes que lhe podem chamar. Mas foi preciso uma  senhora procuradora americana, Loretta Lynch, para começar a pôr a FIFA na ordem. Sobre o tema, e as suas confusões, nada como ler o que está  aqui na AlJazeera, que traz tudo sobre as eleições de hoje, ou  aqui no 'Wall Street Journal', que diz que patrocinadores importantes (Coca-Cola, Visa, Adidas, McDonalds) já estão a abandonar o barco e  aqui na BBC, que tem perguntas e respostas sobre o caso, incluindo por que razão começou nos EUA... e talvez ainda  aquiaqui e  aqui. Mas, atenção! Hoje há eleições na FIFA e ele pode ganhá-las outra vez, não obstante as  ameaças europeias de Platini e de várias federações não só da Europa e de outras latitudes, como o Canadá. Sabem porquê? Por causa daquilo que está no título (...)...


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Henrique Monteiro - "A traição autárquica do PSD"


Não posso aceitar que um homem que esgotou os mandatos em Sintra possa fazer mais em Lisboa. O mesmo para Gaia e Porto. A ideia é politicamente repugnante, porque retira toda a carga simbólica do poder autárquico, o qual deveria ser exercido de baixo para cima e não de cima para baixo.
O PSD, e outros partidos (até já o CDS entrou na jogatana), traíram o princípio da limitação de mandatos com a mais estúpida das justificações - a de que esse limite se refere a uma câmara específica. Como se as teias de interesse seja nas obras públicas, futebóis ou outro tipo de lóbis, se recusasse a deslocar cinco ou 10 quilómetros. A limitação de mandatos, seja nas autarquias, seja na chefia do Estado destina-se a impedir que redes de interesses se mantenham indefinidamente. Aliás, a limitação deveria ser um princípio geral da vida política em todos os escalões.
O jornal I, hoje, ouve magistrados que dizem que tanto Seara como Meneses devem ser impedidos de levar as candidaturas adiante. Ainda bem, se assim for. Mas o simples facto de eles receberem o apoio partidário é muito revelador. E até me dá azo a uma grande provocação: por que não deixar candidatar Isaltino? Afinal, se a limitação dos mandatos é assunto tão local, o mesmo se poderá um dia aplicar a outros aspectos menos nobres da vida autárquica

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Henrique Monteiro - Cobardia Política


Os sucessivos episódios que o relatório do FMI está a provocar mostram à exaustão a falta de coragem política e o destempero que atingiu os responsáveis deste país. Vamos por partes, para que se perceba melhor o que está em causa.
Portugal tem gasto mais do que produz e, ainda que volte ao crescimento, não conseguirá sustentar o nível de despesa. A ideia de voltar aos mercados, postulada por Gaspar e Passos, corresponde à possibilidade de Portugal voltar a endividar-se.
Porém, se o volume das despesas do Estado não diminuírem, não é possível equilibrar as contas públicas e muito menos baixar o enorme nível de impostos existente que são, em si, um travão ao próprio desenvolvimento.
Perante isto, pode haver muitas escolhas e não necessariamente saídas de um catálogo do FMI. Mas vejamos como, perante este cenário, reagem os atores políticos nacionais.
 1)      O Governo esconde-se atrás de um relatório que, aparentemente, encomendou ao FMI, como se não tivesse, ou não devesse ter, uma posição sobre o assunto; o Governo teme perder ainda mais popularidade se tiver de assumir o risco de discutir uma redução do peso do Estado;
2)      Parte do Governo (CDS) finge que não sabe de nada; deixa o ónus para o parceiro de coligação, dizendo coisas vagas, mas não explicando o que, em seu entender, se cortaria na despesa;
3)      Parte do PSD (Carlos Carreiras) avisa que o problema está no sorriso de um secretário de Estado e exige a sua demissão, a fim de garantir votos numas eleições autárquicas onde tem medo de ser cilindrado, caso pareça estar relacionado com estes problemas mesquinhos de falta de dinheiro;
4)      O PS refugia-se em argumentos de falta de legitimidade do Governo; ou seja, não se obriga a dar alternativas, como se não soubesse que a despesa é totalmente insustentável, ou não tivesse, também, responsabilidades nessa matéria;
5)      O Bloco de Esquerda insulta, através da deputada Catarina Martins. Chama o Governo criminoso; Ana Avoila, líder dos sindicatos da Função Pública, ligada ao PCP, para não ficar atrás, chama-lhe mafioso;
6)      O Estado, prestando cada vez menos serviços e com menos qualidade, gasta cada vez mais dinheiro. Parte é em juros da dívida, contraídos com crescimento artificial gastos em cimento.
No meio de tudo isto, não há ninguém que queira, efetivamente, mudar o país, discutir o que deve ser feito. Mais: parece haver uma conspiração para que jamais seja mudado este estado de coisas, de modo a que o Estado continue a ser propriedade de alguns e sustentado através do confisco.
Mas é deprimente ver Portugal chegar a uma situação em que vamos ter de executar o que os outros mandam, sem qualquer discussão. Se é essa a estratégia de Vítor Gaspar, pode agradecer o facto de tanta gente cair na sua armadilha.
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terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Henrique Monteiro - BPN, ainda o escândalo, ainda a impunidade


Henrique Monteiro - Quem leu o Expresso deste fim-de-semana e quem viu, ontem, a reportagem especial da SIC sobre o BPN não pode ter deixado de ficar, como eu fiquei, com uma espécie de nojo. Tudo aquilo é mau de mais para ser verdade. Nós todos, contribuintes, os pobres, os remediados, os ricos, estamos a pagar a irresponsabilidade de uns, muito poucos, cujos nomes se repetem à exaustão.
Esses nomes, com o de Oliveira Costa à cabeça, e os de Duarte Lima, Dias Loureiro e Arlindo Carvalho como os mais conhecidos, têm todos em comum o facto de terem trabalhado para (ou com) o atual Presidente da República. O mesmo acontece com Joaquim Coimbra, Fernando Fantasia, membros da Comissão de Honra de Cavaco e este último seu vizinho na praia, e com a filha de Oliveira Costa com casa de férias no mesmo local. Há um padrão inelutável, que não significa obrigatoriamente um envolvimento menos legal de nenhum dos citados, mas lança uma sombra sobre o que se tem passado com o BPN. O buraco que em Novembro de 2008, quando foi nacionalizado, se estimava em 740 milhões, ia em março em mais de quatro vezes esse valor, ultrapassando os três mil milhões, e deverá atingir, com as imparidades e créditos incobráveis, os sete mil milhões.
Quase o custo do ministério da Saúde, durante um ano. Tudo isto em dívidas de não mais de 500 pessoas, boa parte das quais relacionadas politica e pessoalmente.
Quando, há quatro anos duvidei da nacionalização, quase todos (incluindo bons amigos e especialistas em Economia) me alertaram para o facto de haver um risco sistémico grande em deixar o BPN falir. Sempre contra-argumentei, que não se pode distribuir os danos de alguns por todos - o que se está agora a fazer.
Já nem digo que gostava de ver todas as responsabilidades apuradas. Dos nomes citados, de outros que por aí andam, daqueles que nacionalizaram o banco e dos que permitiram que ele fosse governado criminosamente.
Apenas apreciaria ver uma dessas pessoas pedir desculpa pelo que nós, contribuintes que nada tivemos a ver com aquilo estamos a pagar. Mas parece-me que é mais fácil acabar o mundo do que ver um pingo de vergonha na maioria daquelas caras. 
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domingo, 2 de dezembro de 2012

Henrique Monteiro - O(S) PARTIDO(S) DOS FUNCIONÁRIOS

Henrique Monteiro - Cerca de dois terços dos membros eleitos para o Comité Central do PCP são funcionários do próprio partido ou da sua organização de juventude. Esta informação chegaria para compreendermos o modelo de país que o PCP nos ofereceria caso chegasse ao poder.
Dois terços dos seus dirigentes dependem, na sua vida pessoal, do próprio partido, da sua liderança. Não têm, pois, autonomia pessoal. Ali não há pluralidade de interesses nem diversidade de vidas. 66,6% dos dirigentes têm vidas semelhantes uniformizadas.
É um dado que fala por si. De tão evidente, é como um grito.
E o mais preocupante é que a generalidade dos outros partidos lhe seguiu o modelo. A diferença é que, em vez de funcionários do partido, têm para aí dois terços de boys do Estado, os quais dependem indiretamente do poder que lhes dá o líder.
Querem reformar o país? Pois assim é difícil.
Twitter: @HenriquMonteiro https://twitter.com/HenriquMonteiro

domingo, 25 de novembro de 2012

Henrique Monteiro - TRÊS RAZÕES CONTRA A INDEPENDÊNCIA DA CATALUNHA


A causa da independência da Catalunha é bastante popular em Portugal. Vê-se na Comunicação Social, nas redes sociais e nas conversas. A esquerda gosta, por impulso, de "independências"; a direita vê a coisa como uma vingança face a Castela; outros lembram que a nossa vitória em 1640 se deveu à derrota da Catalunha. Essa simpatia, aliás, estende-se ao País Basco, embora, neste caso, o terrorismo da ETA fosse generalizadamente condenado.
Esta simpatia pela implosão de Espanha (ou de Castela, como gostam de dizer os mais patriotas) nada nos diz do presente e menos ainda do futuro. Em meu entender, a alteração do mapa político do país vizinho, nomeadamente a independência da Catalunha é-nos altamente prejudicial. Saliento três pontos:
O primeiro é que embora haja motivos históricos para um secessionismo catalão, há-os igualmente para a integração. Estes últimos são razoavelmente obscurecidos, mas a verdade é que a junção das coroas de Aragão e Castela deu-se há mais de 500 anos, ainda Madrid não existia como cidade.
O segundo é que a coexistência de vários países no espaço da península é prejudicial à afirmação de Portugal no espaço europeu e mundial. Ou seja, se na Península existirem além de Portugal e Espanha, ainda a Catalunha, o País Basco (ou mesmo a Galiza), tornamos a Ibéria um espaço balcanizado, onde as rivalidades tenderão a aumentar exponencialmente. Nesse cenário, Portugal perde importância, tanto económica, como demográfica e política.
O terceiro, e mais importante, é que a razão substancial e de fundo que leva os eleitores da Catalunha a querer a independência neste momento, é uma má razão. No fundo, e apesar de ser uma causa vista como "de esquerda" (é a Esquerda Republicana que mais pugna por ela, ao passo que a CiU, nacionalista, apenas o faz por oportunismo), baseia-se na ideia de que a região, sendo mais rica e desenvolvida, paga - como por lá se diz - "las tonterias de Andalucía". Ou seja, mutatis mutandis, é o mesmo argumento que os eleitores finlandeses, austríacos e alemães usam para não quererem pagar as loucuras gregas, portuguesas ou espanholas. É um argumento egoísta e, em tudo contrário, aos bons princípios de subsidiariedade europeia. É por isso importante que os avisos da Europa sejam ouvidos e que os eleitores da Catalunha saibam que a via independentista lhes pode sair cara.
Hoje, segundo as sondagens, vencerá a CiU e a demagogia continuará. E, ainda que pouco possamos fazer para a contrariar, é sempre bom entendermos o que está por ali em jogo.

domingo, 18 de novembro de 2012

Duarte Lima, Vale e Azevedo, Isaltino Morais: a injustiça


Duarte Lima, há um ano preso preventivamente (os últimos seis meses em casa), foi acusado no último dia em que o podia ser. O Ministério Público propõe que se mantenha a prisão domiciliária, enquanto aguarda o julgamento.
Vale e Azevedo, já condenado, finalmente sem recursos, entregou-se à Justiça portuguesa. Foi encarcerado na Penitenciária e, de imediato, se queixou da falta de condições da cela.
Isaltino Morais, já condenado, continua em liberdade, uma vez que tem sempre na manga mais um recurso para adiar a sua prisão.
Não me pronuncio sobre os casos concretos, que não domino. Mas sim sobre a brutal diferença de tratamento entre os acusados e condenados mediáticos e o geral dos cidadãos a braços com a Justiça. Qualquer pessoa acusada de uma burla com a dimensão daquela em que Duarte Lima é envolvido (40 milhões no BPN) pode ficar em prisão preventiva? Qualquer foragido por anos à justiça tem palco para se queixar da qualidade de uma cela e é imediatamente transferido? Qualquer condenado consegue adiar uma pena através de uma complexidade de recursos igual à de Isaltino.
Acho que todos sabem a resposta.
Dura lex, sed lex, era a divisa romana. A lei é dura, mas é a lei! E a representação da Justiça é uma mulher com uma balança (com iguais pesos e medidas), uma espada e de olhos vendados. Porque é igual para todos, não distinguido quem é quem, mas quem fez o quê e, em função disso, quem tem de pagar o quê.
Em plena crise, às vezes esquecemos este princípio tão simples: é através da Justiça que se realiza o essencial da coesão social. E se eu, que acho ser um cidadão informado e privilegiado, não percebo como é isto possível, interrogo-me como olharão para estes exemplos aqueles que diariamente lutam de forma honesta para sobreviver.
Também o edifício da Justiça não pode continuar como se nada se estivesse a passar entre nós. Fingindo a lei é igual para todos, mas mostrando que há uns para os quais ela é mais igual do que para outros.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

HENRIQUE MONTEIRO - Ferreira Leite, a democracia e Rosseau


Síntese - Henrique Monteiro ..."MAS SE É VERDADE QUE FERREIRA LEITE AFIRMOU o que as notícias dizem, é curioso verificar como as notícias omitem o que, tanto ela como os outros participantes (Mota Amaral, o professor de História Amadeu Carvalho Homem e o professor de Filosofia Diogo Pires Aurélio) sublinharam: que o Estado está capturado por poderosas corporações que impedem o seu fim mais elevado: a Justiça e a Equidade. E que a democracia, afinal, como dizia CHURCHILL é "O PIOR DOS REGIMES, EXCETUANDO TODOS OS OUTRO".

Henrique Monteiro (www.expresso.pt) - "Uma declaração de Manuela Ferreira Leite sobre a impossibilidade de, em democracia, se resolverem problemas complexos tem tido grande destaque no noticiário. Acontece que essa declaração foi feita a meu lado, quando moderava um debate sobre democracia e sistemas políticos que evocava o tricentenário de Jean-Jacques Rosseau e os 250 anos da sua obra Do Contrato Social.
O próprio Rosseau, socorrendo-se do exemplo da República Romana, defendeu que, em situações excecionais, se poderia governar em ditadura, mas nunca por mais de seis meses. Algo que a ex-líder do PSD já afirmara há cerca de três anos. Mas se é verdade que Ferreira Leite afirmou o que as notícias dizem, é curioso verificar como as notícias omitem o que, tanto ela como os outros participantes (Mota Amaral, o professor de História Amadeu Carvalho Homem e o professor de Filosofia Diogo Pires Aurélio) sublinharam: que o Estado está capturado por poderosas corporações que impedem o seu fim mais elevado: a Justiça e a Equidade. E que a democracia, afinal, como dizia Churchill é "o pior dos regimes, excetuando todos os outros".
Não vejam aqui uma crítica aos jornalistas presentes e muito menos aos editores dos jornais. Esta é apenas mais uma prova do primeiro tema debatido ontem, em Coimbra, na conferência organizada pela Câmara Municipal e pela Fundação Bissaya Barreto: o tempo instantâneo, a necessidade de tudo dizer em duas palavras ou em três linhas, são, ao fim e ao cabo, grandes inimigos de uma arquitetura política construída para um tempo diferente. Um tempo em que havia a possibilidade de ponderar, em que não havia o direto das televisões, o instantâneo da Internet e a pressão mediática que há hoje.
O que hoje discutimos, mesmo a falar de Rosseau, são meras simplificações dos problemas enormes que temos pela frente."

domingo, 21 de outubro de 2012

Henrique Monteiro- PASSOS, AS ESCUTAS E O SEGRDO

Passos Coelho reagiu com classe à divulgação da notícia (na edição do Expresso) de que havia escutas telefónicas entre ele e um interveniente da "operação Monte Branco", entregues pelo ex-PGR ao Supremo Tribunal, para efeitos de validação.
No momento em que Passos reagiu, dizendo que não tinha qualquer receio em ser escutado, encontrava-me no estúdio da SIC Notícias com o meu colega Martim Avillez de Figueiredo, que aliás comentou - e bem - ser pena Passos não estender a mesma ponderação a todos os assuntos do país.
Mas vamos esquecer o Orçamento, as trapalhadas do Governo e da coligação e concentrarmo-nos nas escutas.
Penso que ser imperioso duas coisas:
1) Que o Supremo, no caso de não encontrar ilícito que envolva o primeiro-ministro, suscite a Passos Coelho autorização para divulgar as escutas. É pior saber-se que há escutas sem conhecer o conteúdo, do que divulgar o conteúdo para se chegar à conclusão de que nada há que se aponte ao chefe do Governo
2) Caso se entenda que há ilícito não envolvendo o líder do PSD, explicar exatamente qual a sua tipologia, de forma a terminar com especulações. Ou seja, trata-se de pressões ilícitas sobre o primeiro-ministro? É tentativa de tráfico de influências? Enfim, de que tipo de crime há suspeita.
3) Caso não haja qualquer tipo de ilícito, é necessária uma explicação sobre o motivo que levou o ex-PGR a enviá-las para o Supremo.
O caso das escutas de Sócrates, independentemente da gravidade que tinham (e eu nunca soube de que constavam) teve um efeito desvastador na Justiça. Neste momento de crise grave, não ter um cuidado extremo à volta desta questão, é suicidário.
Para já, saúdo Passos Coelho por ter tido uma reação em tudo contrária ao do seu antecessor. Mas digo: não valia a pena a indignação inicial sobre a violação do segredo de Justiça. Todos os dias ele e violado em Portugal. Se querem que a Justiça funcione a sério, acabem com o segredo para a maioria dos crimes, multiplicando por 10 ou 20 as penas nos crimes em que ele é absolutamente necessário (crimes sexuais, com menores, etc.). Já toda a gente percebeu que o segredo é uma arma nas mãos dos poucos que a ele têm acesso

Twitter: @HenriquMonteiro https://twitter.com/HenriquMonteiro

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Ó IMAGINATIVO GASPAR, ASSIM TAMBÉM EU

Não acredito que se possa dizer, como Vítor Gaspar, que não há alternativa, que nada é possível para além deste Orçamento. Se essa é a disposição do ministro, se essa é a melhor coisa que tem para dizer, não demonstra nem grande inteligência política nem grande maleabiliadde. Se perante o desafio, que é passar o défice para 4,5%, nada lhe ocorre - mas mesmo nada - senão taxar brutalmente em sede de IRS (justamente os que não podem fugir ao fisco), posso dizer-lhe que assim também eu - e tenho tanto currículo para ministro das Finanças como, digamos, Miguel Relvas.
Os impostos são mortais. São como dizia Benjamin Franklin, a única coisa que, em conjunto com a morte, temos por certo na vida; Churchill acrescentava que não há nada a que se possa chamar 'um bom imposto' e o velho Milton Friedman, da escola de Chicago, alertava que cada vez mais os que trabalham pagam impostos para os que nada produzem. Mas Platão, há 2500 anos já avisava: os justos pagarão mais impostos do que os injustos, mesmo que tenham o mesmo rendimento.
Esta história não é nova. O que é inteiramente inesperado é que a mão pesada dos Governos - mais à direita ou mais à esquerda - recaia sempre sobre os mesmos: aqueles que se esforçam e trabalham. E que os responsáveis, feitas as contas, ainda nos venham dizer que é essa a única alternativa.  
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