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domingo, 26 de abril de 2015

António Costa homenageou os 148 deputados constituintes no Rato

O secretário-geral do PS recusou, este sábado, 25 de abril, os apelos ao PS para "compromissos, consensos ou conciliação" com o Governo, contrapondo que o voto é a arma do povo e que a escolha faz-se entre alternativas.

(www.ps.pt)
António Costa falava numa sessão de homenagem, na Sede Nacional do PS, aos 148 deputados socialistas eleitos para a Assembleia Constituinte em 1975. Uma placa evocativa foi descerrada por António Costa e Mário Soares.
O secretário-geral do PS sustentou que ninguém melhor do que o PS "sabe que o diálogo é a componente essencial da democracia - diálogo entre os partidos políticos e as forças sociais".
"Mas as eleições são um momento de escolhas e, como há 40 anos se dizia, o voto é a
arma do povo, porque o voto decide, permitindo fazer diferente ou o mesmo - e 40 anos depois o fundamental para que os cidadãos voltem a acreditar que vale a pena votar é que as eleições permitam escolher entre diferenças", disse.
Por isso, "que ninguém peça ao PS compromissos, consensos ou conciliação com a política que quer mudar".
"Pedimos ao povo o mandato de podermos mudar a atual política e virar a página da austeridade. É essa a mudança que é necessária e que queremos fazer", vincou, recebendo muitas palmas.
O secretário-geral do PS invocou também a Constituição para salientar que ao Presidente da República não cabe formular programas políticos, mas fazer cumprir a lei fundamental, função que disse ter sido recordada recentemente "pelos piores motivos".
"O Presidente da República tem uma função bem definida de representação da Nação e, como dizia Mário Soares - exemplo dos exemplos da forma como se exerce o mandato presidencial -, deve ser o Presidente de todos os portugueses, olhando para os problemas do país com isenção e de uma forma inspiradora - e não podendo deixar de olhar para o país de hoje sem compreender que o problema central é o desemprego e o da pobreza. Quando se faz a avaliação do país, esses têm de ser os dois problemas centrais colocados na agenda do dia", disse.
“A Constituição não apenas garantiu a liberdade e organizou de forma democrática o poder político, mas, igualmente, consagrou o Estado social de direito em Portugal, com um conteúdo bem preciso e densificado", sustentou.
Na sua intervenção, António Costa referiu também as mudanças de percurso operadas em muitos dos partidos políticos ao longo dos últimos 41 anos de democracia, apontando que "alguns daqueles que combateram a Assembleia Constituinte são hoje dos maiores defensores da Constituição".
 "Alguns daqueles que então aprovaram a Constituição da República revelaram-se nos últimos anos dos maiores inimigos da Constituição. Mas nesta mudança há algo que permanece firme, que é a identidade do PS. Da mesma forma como então nos batemos pela liberdade e pela consolidação da democracia, também nos batemos hoje pela defesa do Estado social como garantia fundamental do Portugal de Abril e do Portugal do futuro", afirmou.
A Assembleia Constituinte foi eleita a 25 de abril de 1975 tendo como missão a elaboração da nova Constituição, texto que ainda vigora com as alterações introduzidas pelas sete revisões constitucionais.








sábado, 30 de abril de 2011

GUARDA - HOMENAGEM AOS AUTARCAS “PIONEIROS” DO PODER LOCAL DEMOCRÁTICO

Desloquei-me à Guarda, a convite do Governador Civil, Santinho Pacheco, para presidir à homenagem dos primeiros presidentes de câmara municipal do distrito eleitos democraticamente.
"Esta cerimónia insere-se nas comemorações do 25 de Abril. “É tempo de a nível distrital se comemorar Abril da liberdade lembrando os primeiros presidentes de câmara eleitos nos 14 concelhos do nosso distrito, exaltando assim o papel insubstituível que o poder local desempenhou na construção desta II República e no arranque de um período de desenvolvimento e de modernização das nossas terras, sem paralelo em toda a nossa história secular”, frisa Santinho Pacheco.
Foram homenageados os autarcas de Aguiar da Beira: António Raimundo Cunha (a título póstumo); Almeida: António José Sousa Júnior; Celorico da Beira: Carlos A. Faria de Almeida; Figueira de Castelo Rodrigo: José Pinto Lopes (a título póstumo); Fornos de Algodres: Francisco Paulo Almeida Menano; Gouveia: Alípio Mendes de Melo; Guarda: Victor Manuel Gonçalves Cabeço/Abílio Aleixo Curto; Manteigas: Homero Lopes Ambrósio (a título póstumo); Mêda: Luís E. Figueiredo Lopes (a título póstumo); Pinhel: António Luís Santos Fonseca; Sabugal: João A. Antunes Lopes (a título póstumo); Seia: Jorge A. Santos Correia; Trancoso: António Almeida (a título póstumo) e V. Nova de Foz Côa: José Costa Ferreira (a título póstumo).
Saudei todos os “pioneiros” do Poder Local democrático, lembrando que sem nada ou quase nada fizeram tudo ou quase tudo com as parcas disponibilidades existentes. Sem recursos humanos qualificados, sem instrumentos de planeamento adequados, sem Lei das Finanças Locais, enfrentaram um estado centralista e daí, até aos dias de hoje, a luta por uma autonomia acrescida continua e tem valido a pena.
Hoje os desafios são bem diferentes. Já não se trata de estruturar a água, o saneamento ou os caminhos e acessibilidades locais.
Nos nossos dias as exigências são bem maiores e implicam a partilha das políticas para a saúde, a educação, a solidariedade social, o emprego, o ambiente e todas as outras que definem a competitividade dos seus territórios e qualifica a vida dos seus cidadãos.”
Lancei o desafio para, por breves momentos, pensarem em algo que fosse essencial para os seus concelhos.
E fui lembrando “os Centros Escolares, Centros de Saúde, Unidades de Saúde Familiar, Unidades de Cuidados Continuados, Lares, Centros de Dia, Creches, Piscinas, Pavilhões, Auditórios, Quartéis de Bombeiros e GNR, Julgados de Paz, Lojas do Cidadão, Edifícios Municipais e de Freguesia”, enfim, um pouco de tudo do muito que ficou por dizer.
E todos olharam para os seus concelhos e deram-se conta de que tudo isso existia e que estes anos de poder local foram tempo de oportunidade e esperança
“E que ninguém de boa-fé poderia falar em “década perdida”, mesmo ao mais alto nível, porque estes foram os maiores e mais qualificados investimentos dos últimos 100 anos, da República, e os maiores da história de Portugal.”A República, o 25 de Abril e o Poder Local democrático valeram a pena.