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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

José Junqueiro 3ª- Resposta a António Filipe do PCP


António Filipe fez perguntas decorrentes da minha declaração política sobre Justiça, Educação e Primeiro-Ministro.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

JJunqueiro (2ª int) - responde ao PCP, CDS, BE e PSD



O estado da Saúde e do Governo foram o centro da minha intervenção, em nome do PS. Contrariamente ao BE, o PCP deu folga à maioria de direita e fez um ataque radical ao PS. Quem estivesse distraído até julgaria que este governo seria do PS. João Semedo do BE não se enganou no adversário. Deixou o PCP e toda a direita em núpcias antigas. As respostas do PS não se fizeram esperar e não ficaram pelas meias palavras.

Lusa - "PS considera Paulo Macedo "inadaptado" ao lugar de ministro da Saúde. 
O PS considerou hoje que Paulo Macedo se tem revelado "inadaptado" às funções de ministro da Saúde, críticas que levaram PSD e CDS a invocar a herança de "dívidas" deixada pelo executivo socialista no setor da saúde.
"De facto, lidar com números é bem diferente de lidar com as pessoas, e aqui se aplica novamente o princípio de Peter: Paulo Macedo foi um bom diretor geral da Autoridade Tributária, mas um ministro da Saúde sempre inadaptado", declarou o vice-presidente da bancada socialista José Junqueiro, em plenário, na Assembleia da República.
Numa intervenção que aconteceu um dia depois do fim da greve convocada pelo sindicato médico FNAM (Federação Nacional de Médicos), José Junqueiro acusou o atual Governo de estar a destruir o Serviço Nacional de Saúde (SNS).
"Não se estranha, pois, que, perante este desnorte, os profissionais de saúde tenham feito uma greve, não para reivindicar salários ou progressão nas carreiras, mas para dar voz a quem não a tem", sustentou o dirigente da bancada socialista.
No seu discurso, no período de declarações políticas do plenário parlamentar, o ex-secretário de Estado socialista criticou o executivo PSD/CDS por "promover a transferência do SNS para privados" e por alegadamente estar em silêncio sobre casos mortais ocorridos na sequência de eventuais falhas no INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica).
"O curioso é que ninguém é responsabilizado. O ministro [Paulo Macedo], para sossegar o desconforto político, manda levantar inquéritos ou fazer inspeções, mas, até hoje, não foi dado à estampa um único resultado, mesmo depois de solicitados pelo PS na Assembleia da República", apontou José Junqueiro.
Na resposta, a deputada social-democrata Carla Rodrigues acusou o PS de se encontrar "em estado de negação" em relação ao seu passado recente, vincando que o atual Governo herdou dívidas na ordem dos três mil milhões de euros no setor da saúde. "O PS esqueceu-se hoje aqui de dizer que a greve dos médicos só existiu porque um sindicato afeto à CGTP-IN rompeu um acordo celebrado com o Ministério da Saúde", referiu Carla Rodrigues.
Mais controversa foi a intervenção do deputado do CDS-PP Paulo Almeida, que também abordou a questão das dívidas herdadas pelo atual executivo no setor da saúde, mas que comparou o PS a "um avião malaio" - uma referência que motivou protestos, já que parte dos deputados das bancadas da esquerda interpretou-a como uma alusão ao recente desastre aéreo ocorrido na Asia e às posteriores buscas mal sucedidas para encontrar o avião no Oceano Índico.
Já o coordenador do Bloco de Esquerda João Semedo negou a tese de que este Governo tenha conseguido recuperar dívidas no setor da saúde, dizendo que, a curto ou médio prazo, "quando se abrirem as gavetas fechadas das administrações hospitalares, novas dívidas acumuladas serão descobertas". João Semedo tirou depois a conclusão de que "fracassou a política e a propaganda do Governo em relação à saúde". "Tudo se resumiu a cortes orçamentais", sustentou, já depois de a deputada do PCP Carla Cruz ter colocado o PS ao lado do PSD e CDS na política de saúde. "O PS, conjuntamente com o PSD e o CDS, subscreveu o pacto de agressão, opôs-se à revogação das taxas moderadoras e ao fim das parcerias público-privadas na saúde", apontou Carla Cruz."

Saúde - José Junqueiro - 3 anos de desnorte



Em nosso entender é sempre melhor:
1 - Prevenir em vez de remediar
Cuidados primários – Foi feito um grande desinvestimento. A prevenção, atitude primeira para uma sociedade saudável e competitiva, foi anulada por uma austeridade cega, sem critério.
Acresce a esta atitude que quase 40% dos Portugueses não conseguem fazer face às despesas de saúde do seu agregado familiar - Um em cada cinco Portugueses deixou de ir ao médico por motivos monetários. Por maioria de razão também tem dificuldade no acesso ao medicamento que, por sua vez, está frequentemente ausente das farmácias. Não se estranha, pois, que as urgências estejam saturadas. O que se estranha é que o INEM tenha sido sempre uma referência de qualidade, um modelo exportável para países terceiros. Este Governo tem vindo a destruir esse “curriculum”, limitando nos recursos humanos, nos medicamentos e nos dispositivos. Hoje em dia, nestes serviços, falta de tudo um pouco, menos, infelizmente, os casos de consequências fatais.
No início do ano, o país teve conhecimento do caso de uma doente oncológica que aguardou dois anos para realizar uma colonoscopia, (...) No início de fevereiro, um jovem acidentado de Chaves, com neurotrauma, teve de percorrer 400 quilómetros para receber os cuidados especiais que necessitava(...) Ainda no mês de fevereiro, um outro doente, desta vez das Caldas da Rainha e com necessidade de cuidados intensivos, volta a ser recusado, pelo menos por quatro hospitais. Este doente veio a falecer no Hospital de Abrantes. Depois os casos das mortes de Évora …
Responsabilização - O curioso é que ninguém é responsabilizado. O ministro para sossegar o desconforto político manda levantar inquéritos ou fazer inspeções, mas até hoje, não foi dado à estampa um único resultado, mesmo depois de solicitados pelo PS na AR.

Em nosso entender é sempre melhor
2-  Reformar em vez de cortar
(OCDE) - As medidas do Governo de contenção da despesa no sector da saúde fizeram com que Portugal acabasse por cortar o dobro do que era exigido no memorando de entendimento com a troika, diz o recente relatório da OCDE.
Denuncia uma austeridade muito para além do exigido pela Troika que, por exemplo, no período 2012-2104 em vez dos: 925 M€ acordado com a Troika, o Governo cortou 1,492 M€, mais 567 M€ (+61%)
O Relatório da Primavera do Observatório Português dos Serviços de Saúde denuncia isso mesmo: as faltas na cadeia de medicamentos, falhas de abastecimento, atrasos na inovação, dificuldades de acesso às terapêuticas e serviços de saúde. Embora fosse expectável o impacto negativo da crise nos cuidados de saúde prestados, não existe nenhum sinal no sentido de uma política intersectorial da saúde com o objetivo de monitorizar os indicadores de impacto e de acautelar ou tentar minimizar os efeitos da crise nos grupos mais vulneráveis, isto é, idosos, jovens e carenciados.
Os episódios graves no Hospital de S. João são o corolário destas constatações
Esta é uma das principais conclusões do relatório Health Spending Growth at Zero – Which countries, which sectors are most affected?
 “Em Setembro de 2011, o país anunciou uma redução de 11% no orçamento do Serviço Nacional de Saúde para 2012, o dobro do corte do memorando de entendimento com a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional”, lê-se no documento. (…) Tudo isto fará com que o país alcance em 2013 uma despesa pública em Saúde pouco superior a 5,1% do produto interno bruto (PIB), quando a média da zona euro se estima que seja na ordem dos 7%. Em 2010 a despesa portuguesa representava mais de 10%." (2013

Em nosso entender é sempre melhor
3- Aproximar em vez de Concentrar
Reforma hospitalar – Três anos depois o Governo não produziu uma reforma estruturante. Anunciou, sublinho, anunciou, precariamente, uma reforma, qual coelho tirado da cartola. Tinha como objetivo inculcar na opinião pública a ideia, ainda que tardia, de “reforma hospitalar”, mas todos concluíram que se tratava de mais uma iniciativa para o “corte hospitalar”.
Mas, também agora, perante uma reação nacional adversa, vem dizer que a referida portaria não significa nada, que é a peça de um “puzzle”, que não conta. Uma espécie de “não me levem a sério” ou de “desculpem lá qualquer coisinha”.
De facto tudo se resumia à extinção e concentração de equipamentos, à desqualificação da maioria dos existentes, à anulação de valências, ao afastar em vez de aproximar os utentes do SNS

Em nosso entender é sempre melhor
4- Valorizar o SNS em vez de descredibilizar
Três anos depois, o ministro da Saúde insiste em promover a transferência do SNS para privados e esse facto faz-se sentir no aumento que estes conseguiram do número de camas, de urgências, de exames complementares, de entrega de equipamentos de saúde ou de hospitais, a título de exemplo.

Nesta década houve uma redução geral do nº de camas de internamento (cerca de – 3000 camas). Registou-se uma diminuição contínua setor público e um reforço constante do nº de camas no setor privado (+cerca de 1500 camas). A maior redução verificou-se na área da grande Lisboa (cerca de -1000 camas) com a desativação dos hospitais que integravam o anterior grupo dos Hospitais Civis de Lisboa e com o desmantelamento do Hospital Pulido Valente.

O papel do privado é subsidiário do SNS, não é o de substituição do SNS, de uma saúde para todos por outra apenas para ricos.

Em nosso entender é sempre melhor
5 - Estabilidade em vez Imprevisibilidade
O infeliz Código de Ética, agora anunciado, não é mais do que uma lei da rolha. Agora, perante adversidade da opinião pública, o Governo promete eliminar todas as palavras que induzam essa perceção de lápis azul. Afinal também não é para aplicar.
A Medicina do trabalho e a sua mudança para os centros de saúde, desnudou ainda mais a impreparação do Governo. Perante a reação adversa foi ensaiado um recuo, uma espécie de “perceberam mal” ou um “não fomos bem entendidos”.
Falta de recursos humanos - Recentemente, em audição na Comissão Parlamentar de Saúde, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses denunciou a falta de mais de 350 enfermeiros nas unidades de saúde do Algarve. O Centro Hospitalar do Algarve (CHA) devia ter mais 238 enfermeiros para garantir a qualidade dos serviços hospitalares. Já nas unidades de saúde primárias faltam mais de uma centena.
Há insuficiência de profissionais de saúde (ex.: IPO’s)  - Maiores tempos de espera para exames. Ex.: 1 ano à espera de colonoscopia - Urgências entupidas e em rutura - Hospitais a racionar medicamentos - Acesso mais restrito à inovação - Hospitais a eliminar ou fundir serviços, e a eliminar camas,  Desinvestimento na RNCCI -  O insuspeito presidente da União das Misericórdias diz que “as palavras são muitas e os atos são nenhuns “e que estamos perante uma tragédia para as pessoas, para as instituições e para o Estado português .
Há situações em que o ministério autorizou a abertura de camas em Misericórdias que não as têm e outras, que fazem parte de um conjunto de 18 unidades de CCI têm tudo pronto, mas não foram autorizadas!!
Maior % de doentes oncológicos operados depois do tempo máximo de resposta garantido 
Falta de recursos materiais – espátulas, luvas, tesouras, de tudo um pouco, acrescem as dificuldades e a desqualificação do atendimento
Greve - Não se estranha, pois, que perante este desnorte os profissionais de saúde tenham feito uma greve, não para reivindicar salários ou progressão nasc carreiras, mas para dar voz a quem não tem voz, à desqualificação dos cuidados na saúde e desmantelamento do SNS. Importa, pois, sublinhar e valorizar o desempenho dos profissionais que têm sido os verdadeiros guardiões do SNS, apesar do governo.


De facto, lidar com números é bem diferente de lidar com as pessoas. Aqui se aplica novamente o princípio de Peter. Paulo Macedo foi um bom diretor geral da Autoridade Tributária, mas um ministro da Saúde sempre inadaptado.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Europeias: José Junqueiro (PS) questiona Filipe D'Avila (CDS)



No período de declarações políticas agradeci as saudações dirigidas ao PS pela sua vitória nas eleições europeias, sublinhando o facto do CDS ter reconhecido que o resultado da coligação foi "historicamente baixo". 
Na oportunidade, Filipe Lobo D' Ávila foi questionado sobre as ilações que o governo vai retirar desta derrota eleitoral, bem como de uma Europa que esqueceu as pessoas em favor dos mercados e a solidariedade em proveito da especulação financeira.




sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O "off-shore" do CDS - José Junqueiro (PS) responde a Nuno Magalhães


'Congresso do CDS foi uma offshore para esconder a realidade'
"O deputado do PS José Junqueiro referiu-se esta tarde ao congresso do CDS (que se realizou no último fim-de-semana) como uma espécie de “offshore para esconder a realidade do país”. O parlamentar socialista acusou ainda o líder parlamentar do CDS, Nuno Magalhães, de ter usado a declaração política desta tarde na Assembleia da República para fazer a “abertura oficial da campanha eleitoral”.
Eu não vi o CDS da lavoura, o CDS dos reformados, o CDS dos pensionistas, o CDS dos pobres nem tão pouco o CDS dos contribuintes”, observou José Junqueiro, logo depois de Nuno Magalhães ter enumerado 15 medidas aplicados durante os dois anos e meio de maioria PSD/CDS que constavam do programa eleitoral do CDS quando foi a votos em 2011, entre elas o IVA de caixa, a reforma do IRC, a simplificação fiscal e a introdução de critérios mais justos para evitar abusos no rendimento social de inserção.
Nuno Magalhães, na resposta, devolveu a acusação aos socialistas. “Quem está em campanha eleitoral é o PS. Não quer consensos, não quer diálogo, não quer tirar o partido do protetorado”, disse o líder parlamentar dos centristas. Luís Montenegro, da bancada do PSD, completou a ideia: “Nós queremos de uma saída limpinha, à irlandesa, mas o PS quer fazer tudo para que esta saída não seja assim”, disse o líder parlamentar social-democrata.
PCP e Bloco de Esquerda juntaram-se à narrativa do PS e reiteraram a acusação de que o CDS aproveitou o congresso para dar início à pré-campanha eleitoral. Pedro Filipe Soares, líder parlamentar do Bloco, criticou a substância do XXV congresso centrista: “Parece que o país real chegou ao congresso do CDS nos intervalos do congresso. Dentro do congresso o que nós vimos foi muito pouco desta realidade”.
João Oliveira, líder parlamentar do PCP, resumiu: “O que ficamos a saber é que o CDS já está em campanha eleitoral, aproveitando o congresso para fazer um branqueamento da sua acção e das suas responsabilidades. Quem ouviu Paulo Portas fica com a ideia de que o CDS passou ao lado da responsabilidade na governação. É ou não verdade que o CDS assinou o memorando com a troika?”, questionou o comunista.
Nuno Magalhães ainda teve tempo para responder. Sinalizou as diferenças entre o CDS e o PCP e Bloco de Esquerda e preferiu centrar as suas farpas para o PS. Recordou que Sócrates, em 2009, aumentou o salários dos funcionários públicos quando o país já estava à beira do incumprimento e notou que “de manhã o PS quer uma saída à irlandesa, mas à tarde faz tudo para que assim não seja, enviando tudo para o Tribunal Constitucional”."

Nota: Nuno Magalhães esqueceu-se dos aumentos de Cavaco Silva, o "pai do monstro", segundo o seu ministro das Finanças, à época, Miguel Cadilhe que fez  aumentos de 70%, 80% e não de 3%

terça-feira, 17 de setembro de 2013

AR - José Junqueiro abre ano parlamentar - Em defesa dos trabalhadores


O vice-presidente da bancada do PS José Junqueiro acusou hoje o Governo de falar a duas vozes e reiterou a oposição dos socialistas à convergência das pensões por considerar que representará uma "tragédia social".
"Estamos a iniciar a terceira sessão legislativa com um governo que falhou todas as metas, defraudou todas as expetativas e que, no dia em que também inicia negociações formais com a `troika´, não se entende quanto ao défice ou quanto ao programa cautelar", afirmou José Junqueiro.
O deputado intervinha, pela bancada do PS, no período de declarações políticas no Parlamento, que "inaugura" hoje a terceira sessão legislativa da XII legislatura.
Junqueiro acusou o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, de manterem "dois tons, duas vozes e dois discursos", revelando "dislexia política".
Para o deputado do PS, "teimosia, preconceito e cegueira ideológica" é o que "também define o desnorte da coligação", considerando que é preciso "arrepiar caminho".
O deputado considerou que "se perdeu o rasto" à "dita reforma do Estado", frisando que "se percebeu agora que não havia nenhum outro objetivo se não cortar" e "atrair o PS para os cortes".
Referindo-se à proposta para a convergência das pensões da Caixa Geral de Aposentações com a Segurança Social, José Junqueiro considerou que se trata de "um escândalo que, mais uma vez, sacrifica os mesmos do costume", os mais pobres, os funcionários públicos e os aposentados".
"Como já avisou recentemente [a ex-líder do PSD] Manuela Ferreira Leite, dentro de meses chegará a vez dos reformados da Segurança Social. Não, o PS nunca será parte dessa insensibilidade e tragédia social", declarou.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

José Junqueiro - Abertura do Ano Parlamentar - Em defesa dos trabalhadores e reformados


Estamos a iniciar a terceira sessão legislativa com um governo que falhou todas as metas, defraudou todas as expetativas e que, no dia em que também inicia negociações formais com a Troika, não se entende quanto ao défice ou quanto ao programa cautelar. 

Com é hábito, o Primeiro-Ministro e o agora Vice-Primeiro-Ministro, mantêm dois tons, duas vozes e dois discursos, exatamente no momento em que o país precisava de um Governo a uma só voz, com uma só vontade, com um sentido estratégico único.

A dislexia política não é só nesta matéria. Ainda ontem, em Viseu, Paulo Portas procurava resgatar o CDS da perseguição que o seu Governo faz aos funcionários públicos dizendo que eles, os funcionários, são bons, mas que os seus chefes é que são maus, falta-lhes liderança.
Compreendo a estratégia, mas não aceito a hipocrisia. Isso leva-me a pensar que além de governarem mal, nomeiam mal e pergunto: não foi este Governo que em dois anos, até ao dia de hoje, fez cerca de 5 mil nomeações de confiança política? E destas, 1779 não são cargos dirigentes? Então de que se queixa Paulo Portas? E o Governo?

Foi neste contexto de extrema gravidade, de uma espécie de fim do “novo ciclo”, que ontem, o líder do PS, António José Seguro, referiu assertivamente: "A 'troika' vem amanhã [segunda-feira] a Portugal para mais uma avaliação e o país desconhece qual a posição do Governo, porque o Governo fala a várias vozes, quando deveria ter uma posição firme.”
E continuou “Só conseguiremos sair desta situação se Portugal tiver mais tempo para equilibrar as suas contas públicas. É necessário dizer isso à 'troika'

Custará ao Governo perceber que a retoma da agitação política entre os dois partidos da coligação é profundamente nefasta ao país? O Primeiro-Ministro já se deu conta que a zanga de verão afetou Portugal nos mercados e fez subir as taxas de juro? Já se deu conta de que agora os parceiros europeus exigem provas de facto da vontade de Portugal honrar os seus compromissos? Mais grave ainda, já se deu conta da espiral de sacrifícios induzida, nas pessoas, nas famílias e nas empresas?

Sim, com a conhecida retoma do desemprego, no período homólogo, atingindo quase um milhão de pessoas, sem contar com as que emigram todos os anos, com a UTAO a estimar um défice, no 2º trimestre, entre os 6,6% e 7,6% do PIB, mesmo sem contar com os 700 M€ usados na recapitalização do BANIF, projetou uma recessão económica de 1%, no OE para 2013, mas afinal agora no OR diz-nos que será de 2,3 … entre muitos outros exemplos

E este caos chegou à economia social, reportando-me à que emana da força de trabalho das redes de equipamentos de solidariedade social. Sem a atualização dos acordos e com a aprovação do aumento de vagas, com o corte de subsídios e prestações sociais, o horizonte de equilíbrio das instituições está a ruir rapidamente.

São conhecidos agora, em muitas instituições, os casos de salários em atraso, de diminuição de vencimentos em 10% e despedimentos. Este Governo toca num espaço social que deveria ser inviolável. A insensibilidade não tem limites, mas a teimosia em persistir no erro também não. O que é que falta para o Governo perceber que tem de arrepiar caminho?

Teimosia, preconceito e cegueira ideológica, é o que também define o desnorte da coligação. Fizeram 7 atualizações do memorando nas costas de todos, tal como fizeram na elaboração do DEO ou nos compromissos secretos para cortar 4,7 MM€ nas políticas sociais. Quiseram confundir essa atitude com uma “Reforma do Estado”, mas confrontados pelo PS com um calendário e uma estratégia que permitiria concluí-la em Julho último o Governo rejeitou, porque, dizia, não havia tempo a perder.

Estamos quase em outubro e a única coisa que perdemos foi o rasto a essa dita “Reforma do Estado”. Percebemos, todos percebem agora, que não havia nenhum outro objetivo se não cortar, como já hoje é claro quanto às pensões da CGA. De facto não havia outra estratégia se não atrair o PS para estes cortes. Um escândalo que, mais uma vez sacrifica os mesmos do costume, os mais pobres, os funcionários públicos e os aposentados. Como já avisa Manuela Ferreira Leite, dentro meses chegará a vez dos reformados da Segurança Social. Não, o PS nunca será parte dessa insensibilidade e tragédia social.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

José Junqueiro (PS) responde a Hélder Amaral - o partido dos contribuintes



Sobre como reduzir o défice e evitar os cortes sociais Junqueiro aconselhou Hélder Amaral a ouvir não só o PS, mas Bagão Félix ou o Presidente da República porque todos defendem como solução, agora, uma "Agenda para o crescimento e emprego" ... e proclamando-se o CDS como partido dos contribuintes, tendo escrito uma carta a todos os  militantes a dizer que não consentiriam mais impostos ... o que responde agora sobre o corte aos reformados, as prestações sociais, sobre o aumento de impostos, sobre o despedimento de 50 mil professores e 120 mil funcionários públicos?"... e a Pires de Lima que diz haver um furão dentro do governo...?

sábado, 11 de fevereiro de 2012

TEXTO DA MINHA DECLARAÇÃO NA AR - O 1º MINISTRO TEM DE PARAR DE CRITICAR OS PORTUGUESES

Um primeiro-ministro, merecedor dessa função, a primeira obrigação que tem para com o seu povo é respeitá-lo e fazer dos seus atos a prova permanente de que honra os compromissos assumidos e a palavra dada. Há um contrato de confiança firmado entre as partes que não pode ser traído.

E o primeiro-ministro, reiteradamente, todos os dias, rasga uma parte desse contrato social dirigindo-se aos jovens que aspiram a um futuro ou aos desempregados que querem trabalhar para lhes dizer: emigrem; e às famílias a quem cortou os salários, que veem os seus filhos abandonar a escola, ou aos reformados a quem confiscou rendimentos para lhes dizer: não sejam “piegas”. E nós dizemos-lhe, a sua missão é governar, pare de criticar os portugueses

Não pode em momento algum perder o equilíbrio, nem falar como se os portugueses fossem medíocres ou incapazes. Ao longo da sua história secular deram provas de muita coragem, fazendo aquilo que deviam para o engrandecimento da pátria, bem ao contrário do primeiro-ministro que não faz o que deve e a única coisa que prova conseguir é o empobrecimento do país.

Não pode em momento algum falar como se tivesse uma espécie de “mandato” sobre a oposição. O primeiro-ministro deveria “ouvir mais…consensualizar mais”, como referiu o senhor Presidente da República, mas não ouve, não consensualiza, “tem revelado incongruência, mas isso também não lhe desculpa a displicência com que fala ao país real. E nós voltamos a dizer-lhe, senhor primeiro-ministro, a sua missão é governar, pare de arranjar desculpas e de criticar os portugueses

Há vários meses que o secretário-geral do PS, o convocou e exigiu uma agenda para o crescimento e o emprego, porque o primeiro-ministro apenas nos oferece austeridade em cima de austeridade, e um empobrecimento de que se orgulha, dizendo mesmo:

“Custe o que custar” é para continuar, porque “o memorando não é uma obrigação pesada”, e não o sente “como quem carrega uma cruz às costas”, porque é a execução do programa político do PSD.

Esse é um caminho errado. O secretário-geral do PS lembrou-lhe que esta receita nos conduziu ao mais baixo índice de confiança de sempre, batendo os máximos históricos destes últimos 20 anos, ao maior desemprego de sempre, que se estima em 14% já em 2012, e à previsão da maior recessão de sempre, próxima dos 4%, igualmente este ano.

O secretário-geral do PS perguntou-lhe, por isso, que outros sinais são precisos para perceber que este é o caminho errado?

É por isso que dizemos ao primeiro-ministro que mude de rumo, que ouça, que tenha a humildade de reconhecer que este é o caminho da tragédia grega, que pare de se desculpar e de criticar os portugueses.

E, já agora, é preciso antecipar-lhes a verdade e a realidade. O primeiro-ministro tem de confessar que para atingir os 4,5% de défice em 2012, vai anunciar mais cortes e mais austeridade e que as “poupanças” daí decorrentes vão ser perdidas para a recessão, porque com mais falência de empresas, mais desemprego e menos, muito menos, atividade económica as receitas esperadas não acontecerão.

Infelizmente e por força da teimosia e sucessivos erros do seu governo a crença da Dr.ª Manuela Ferreira Leite que diz que “só com um milagre” é que o governo atingirá o seu objetivo do défice e do regresso aos marcados, agora se torna verdadeira. O primeiro-ministro não pode acusar os portugueses, porque só pode queixar-se de si próprio, da sua receita e do caminho que escolheu.

A dívida pública do 3º trimestre de 2011, da sua responsabilidade, atingiu 110% do PIB, a 3ª mais elevada da UE. Isto quer dizer que comparada com o período homólogo de 2010 aumentou 19 pontos percentuais, cinco vezes mais do que a UE a 27. Este não é o nosso caminho, este é o caminho do governo PSD/CDS e do primeiro-ministro. Por isso, voltamos a dizer ao primeiro-ministro que governe e que pare de se desculpar e de criticar os portugueses

E assim se percebe a hipocrisia do primeiro-ministro, com o “corte” do Carnaval, o castigo, mais um, para fazer de conta que atua em nome da produtividade. Não, isso é mesmo deslealdade aos portugueses em geral e à concertação social em particular, quadro em que deveria ter assumido essa intenção em vez de se ter refugiado no silêncio da omissão.

O primeiro-ministro não tem razão, fez uma avaliação económica grosseira e são também os seus que desafiam a sua autoridade como, entre outros, Rui Rio, Alberto João Jardim, Carlos Carreiras ou Berta Cabral, que se decidiram pela tolerância de ponto.

E o que vai fazer o primeiro-ministro? Nada, porque este é primeiro-ministro que não se envergonha de ser fraco com os fortes e forte com os fracos, que não tem coragem para assumir as consequências das suas políticas, que critica e se desculpa com os portugueses, que acha que os desempregados e os pobres são uns piegas, que os manda emigrar, custe o que custar!