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sábado, 28 de setembro de 2013

António Lobo Xavier - reconhece que o PM e Portas são responsáveis pelo descalabro

Se não tivesse cometido os erros que comete, sem a crise Portas, o governo teria mais autoridade moral, mas o problema português não se resume aos actores concretos e à maneira de actuar do governo, nem a situação seria substancialmente diferente. 
A brutalidade dos factos é que estamos à beira de uma situação de abismo.  Mas já se sabia há imenso tempo que a necessidade de ir aos mercados naquela data não interessava para nada, porque já nos tínhamos financiado antes. 
Concorda que a crise política motivada pelos partidos (do governo) e com actores concretos é o maior responsável pela dificuldade nos juros e pela insatisfação e intranquilidade nos mercados; considera que a crise política criada pelo governo é o maior ataque à credibilidade do país e à capacidade de financiamento; reconhece que estávamos mais perto de regressar aos mercados há 6 meses.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Quadratura - António Lobo Xavier -A dita REQUALIFICAÇÃO da Função Pública é um gag de banda desenhada.

O problema é de alternativa. O corte de pensões não é de aplaudir mas é um problema de distribuição de sacrifícios. Não temos só um problema económico mas também de dívida pública, que só pode ser reduzida ou com esperanças míticas de que a Europa modifique a forma como trata os países excessivamente endividados, ou com crescimento económico e criando excedentes orçamentais.

Vai-se chamar reforma do Estado a tudo o que se fizer, mas não espera mais do que um plano de cortes.

Por muito que o PS tenha um plano para o futuro de Portugal que se baseie numa modificação das regras europeias, essa modificação não está à vista.

Custa-nos ver o recuo do Estado social, mas o peso fundamental do Estado é nas funções sociais e nos recursos humanos. Esperamos é que seja feito da forma mais equitativa possível, não concordando que a solução do governo para a mobilidade seja um disparate tão grave e pior do que aquela que estava. Admite que a "requalificação" é um gag de banda desenhada.

A ideia da austeridade como virtuosa em si mesma falhou, por várias razões; o problema é não termos outro remédio senão austeridade. É verdade que a permanência destas políticas (de austeridade) aumenta a desigualdade, o problema é que o Estado português é um Estado ao serviço dos mais fracos, o que é dramático. A única via para sair desta situação é pelo crescimento económico

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

António Lobo Xavier (CDS) - Há limites - critica a atitude de Passos Coelho

Há limites a um PM para fazer comentários a um tribunal, uma declaração deste tipo (sobre o TC) é uma declaração que não subscreve; um PM escusa de se meter por um caminho de afrontamento aos tribunais.


Neste acórdão, o governo não ajudou muito a que o TC tomasse outra decisão: a definição das situações que poderiam justificar a passagem da mobilidade ao despedimento é frágil e fugaz; e pelo tempo, ter sido feita agora e não há 2 anos, não existindo um embrulho de enquadramento relacionado com um estado de necessidade financeira do país.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

António Lobo Xavier: PR e promessa de eleições perturba a negociação



O acordo é algo de que se fala há muito tempo, mesmo o PS, no início, estava disponível para o diálogo e foi sendo afastado pelo governo (diz quem conhece os meandros, de formas menos dignas).
Era possível estabelecer um acordo que reforçasse a posição negocial do país e em matérias de crescimento, que já fazia parte do discurso do governo (e desapareceu estranhamente hoje). Este acordo era importante para o próprio governo e custa-lhe a crer que a negociação seja um diálogo entre "um memorando custe o que custar" e o PS a propor uns alívios.
Nesta tentativa de acordo há uma realidade que está ser oferecida pelo PR - a história das eleições antecipadas - e que é o problema, sendo evidente que não se pode introduzir uma condição de dissolução com um prazo destes, à distância de 13 meses. 
Isto está a perturbar a negociação, com AJS e Passos Coelho a mostrarem que têm uma interpretação diferente do discurso do PR. O PS está numa posição complicada: AJS olha para as sondagens e está a crescer; mesmo sabendo-se que não tem propostas, estrutura, nem pessoas, custa-lhe (a AJS) apostar o seu capital numa solução que acha negativa e que acha que está a morrer.
Acha que é possível haver um acordo sobre algumas medidas e sobre propostas para crescimento. Estamos numa situação caótica, em que ninguém diz a mesma coisa sobre o mesmo assunto, e que ninguém sabe quando termina. AJS até tinha alguma coisa a ganhar: um certificado de credibilidade (pelo sentido de responsabilidade) e por forçar o governo a inflectir.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

António Lobo Xavier: "O que foi destruído ... foi a confiança das pessoas em tudo isto"


Ninguém pode perceber o ponto em que estamos. O CDS tem uma história e um passado que dificilmente torne perceptível que esteja amarrado a um período de instabilidade e incerteza sem nenhuma declaração política forte sobre a situação. 
A realização do congresso [ainda não sabia que poderia ser adiado] é uma coisa incompreensível, não vendo que utilidade possa ter sem se conhecer a solução governativa. As razões e o gesto do líder do CDS são difíceis de compreender e seria útil separarem-se da posição política do partido; o CDS precisa de declarações próprias dos seus orgãos e dirigentes para saber qual o seu compromisso. 
Só um partido que não está preparado para nenhuma mudança é que manda um ministro que se demitiu negociar com o PM de quem escreveu aquela carta. 
Não podemos apreciar o comportamento de Passos e Portas sem falar também do PR: por quem passam as soluções, por ser uma situação vexatória para ele (que assumiu o compromisso de suportar este governo e foi traído) e sendo impensável esperar que o PR confie numa solução estranha, de avanços e recuos.
O que foi destruído entretanto foi a confiança das pessoas em tudo isto. O CDS - e Portas - não pode apresentar-se como vítima, escrevendo cartas assassinas. O dano é muito difícil de recuperar. Depois disto, está com muita dificuldade em imaginar uma solução credível que não seja através de eleições.