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segunda-feira, 24 de junho de 2013

Discurso de Portas visto por Pacheco Pereira, António Costa e Lobo Xavier

Quando na palavra a "habilidade"  se substitui à "verdade", ninguém, acrediita

Pacheco Pereira: O discurso de Portas é profundamente enganador, sendo o homem que vai estar à frente dos cortes de 4 mil milhões, que vai assinar por baixo muitos dos cortes na FP e reformados, que vai validar todas as decisões do governo hoje, contra as pessoas que diz defender no seu discurso.

António Costa: A cabeça de Portas já está fora do governo e já está a fazer o discurso justificativo, a anunciar o programa próprio e a justificação que vai ter para a ruptura no momento certo. É o roteiro para o próximo episódio. O discurso vai ser-lhe cobrado caro, o PSD já lhe respondeu anteriormente com humilhação na esquina seguinte.

António Lobo Xavier: A novidade no discurso de Portas foi falar na possibilidade da baixa dos impostos, de uma forma que se torna difícil de aceitar ou aderir. Se um membro do governo diz que é possível, deixa de poder criticar as oposições que falam do fim da austeridade. Admite que não haja eleições até ao fim do programa, mas depois acha natural que haja.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Pacheco Pereira: Falar verdade é um grande ativo ... o Governo começou a falar mentira

Este governo tem dois ciclos: estragar com convicção e tentar consertar em desespero de causa e sem convicção. O momento de ruptura da sua legitimidade política, em que perdeu o Norte, foi quando mudou os 4,5 para 5% de défice, ficando em posição difícil face à troika e propondo o corte dos 4 mil milhões que depois percebeu que não sabia como o havia de realizar.
O que aconteceu nos últimos dias nos vários ministérios, foi terem recebido instruções para fazerem cortes, em vésperas do CM e em cima do joelho; e nem para o corte de 1,3 mil milhões o governo tem plano.
A conferência é um exercício monumental de vazio político, não sendo compreensível que depois deste aparato, o governo faça uma conferência para dizer que vai cortar 1,3 mil milhões e quando perguntado onde, não sabe.
Este tipo de governação (como o despacho do MF) custa milhões aos portugueses, a incompetência com que os assuntos do Estado são tratados; a conferência mostra que o governo não tem nada preparado e não pode revelar o que já negociou. 
Falar verdade é o grande activo de uma governação e quando isto começou a correr mal, o governo não quis admitir o resultado da suas opções e começou a falar mentira; não há razão para que os FP e os reformados não saibam quais as medidas que já estão negociadas com a troika,.

sexta-feira, 8 de março de 2013

PACHECO Pereira: Nova austeridade é insultuosa para as pessoas

Pacheco Pereira - novo programa de ausreidade: processo até insultuoso para as pessoas; tem medo de dizer o que tem em intenção - O governo está a preparar-se para aprovar um novo programa de austeridade ... tem medo de dizer o que tem em intenção, havendo uma certa má-fé, dolo com as pessoas. 
Trata-se de um plano que se destina, em parte, a cobrir erros do próprio governo e também a uma ideia assente no princípio de que fazendo cortes no funcionamento do Estado, se obtém resultados (e está a criar uma situação muito complicada nas FA, a que é preciso ter atenção). 
Esse programa não é anunciado, nem na versão do FMI, porque o governo tem medo. A história dos 4 mil milhões é muito mal contada; foi a contrapartida que o PM apresentou à troika por ter falhado os objectivos. 
O grande engano que querem agora vender-nos é que o governo percebeu que a sua política tem que ser outra por estar em desespero de causa, sem a hombridade de admitir que o programa anterior falhou

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Pacheco Pereira: "As pessoas que nos governam não conhecem Portugal"

"As razões porque este exercício do governo está a falhar é porque lhe falta uma dimensão política; tem que haver consistência política entre queixarmo-nos de um orçamento europeu de contenção e defendermos o contrário cá dentro sem que ninguém se deva queixar, entre sermos keynesianos lá fora e hayekianos cá dentro.
As pessoas que nos governam há ano e meio não conhecem Portugal, são uma coligação entre tecnocratas e ignorantes e seria possível, sem pôr em causa os objectivos orçamentais, não destruir o tecido económico existente sem construir nada ao lado.
A maneira com o fisco trata os portugueses raia um estado totalitário, podendo saber-se tudo sobre a vida de uma pessoa a partir de um número de contribuinte, o que coloca um número de questões e não há nenhum pensamento político sobre esta questão (e a oposição também não o tem).
A classe média está destruída e a empobrecer, havendo uma enorme desautorização do Estado e das instituições e um desrespeito pela política e pelos políticos."

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Quadratura - Pacheco Pereira, Lobo Xavier e António Costa

Pacheco Pereira:
"Aquilo" (conferência) é o equivalente a uma sessão de propaganda, supostamente de debate, em que tudo o resto (para além das intervenções do governo) é controlado. O governo não quer uma discussão de fundo sobre o Estado; desde o momento inicial da "refundação do memorando", o governo já negociou tudo com a troika, o que não significa que não tenha medo do que faz e queira companhia; o apelo da "refundação do memorando" era um apelo desesperado ao PS para uma revisão constitucional.

Lobo Xavier
O PS não quer ser trazido para esse debate, mas ninguém fez nada para que o PS quisesse; durante um tempo esteve aberto a consensos e agora está numa linha diferente, não querendo ter nada a ver com isto.

António Costa

O governo não faz isto só por incompetência; é hoje claro que a troika é apenas um pretexto para a aplicação de um programa. A troika mostrou-se disponível para dar mais tempo, mais dinheiro e menos juros e o governo não o quis. Os 4 mil milhões são um falhanço e um falhanço provocado.
A UE não quer repetir com Portugal o mesmo erro que cometeu com a Grécia e a sua principal preocupação não é Portugal, desde que mantenha as aparências. O regresso aos mercados é um objectivo antecipadamente garantido, com a contrapartida de manter as aparências, de executar o programa e não aparecer nas notícias.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Isabel Jonet na opinião de Pacheco Pereira - Quadratura do Círculo



Sobre Isabel Jonet - O Banco Alimentar tem obra fundamental no combate à pobreza em Portugal e evitou comentar as declarações anteriores de Isabel Jonet, embora contivessem já alguns aspectos que seriam criticáveis.
Estas declarações já são de outra natureza, de carácter e conteúdo político claro; dá o passo complicado de dizer que prefere a caridade à solidariedade social, uma comparação que suscita todas as reservas; o problema está em quando se valoriza a caridade em relação à solidariedade, estando implícita uma supremacia moral e social, que é inaceitável, até pela própria Igreja portuguesa que faz uma chamada de atenção em relação às obrigações do Estado. Significa (essa visão) um enorme retrocesso em termos sociais; é um discurso político profundamente conservador e que remete para um mundo muito mais cruel; e é um eco do discurso do poder actual, utilizando expressões pejorativas como o conceito de "direitos adquiridos", e da sua legitimação. O discurso político e do poder é insensível quando fala de pobreza, desvalorizando aspectos subjectivos do sofrimento, que não é só económico e social, não existindo no discurso do PM empatia com as pessoas, proximidade com o seu sofrimento.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

QUADRATURA DO CÍRCULO - "TRITURAÇÃO" DO PMINISTRO E MFINANÇAS

Síntese - PLANO DE FUGA DO GOVERNO - L XAVIER - "o PM acha que o MF é o dono da verdade e pode dizer o que entender, e este imagina que há condições políticas para falhar nas previsões e nos seus objectivos e pedir mais austeridade, o que não existem."P PEREIRA - "o PM já não vê as coisas da mesma maneira mas sabe que está dependente do MF e que este caindo, fica sozinho com o nada à volta (e com Relvas, o que deve ser um pesadelo para qualquer pessoa" A COSTA - "não são cegos... TENDO ORGANIZADO UM PLANO DE FUGA...o PR será confrontado com um levantamento popular e o que PM e MF vão querer é regressar, um a sua casa outro ao BCE, dizendo que não conseguiram chegar lá porque não os deixaram e (por ironia do destino) A FORÇA DE BLOQUEIO SERÁ O PR.
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LOBO XAVIER-Considera mais importante, como facto mais relevante desta semana, olhar para as palavras do MF, de que as previsões falharem continuará o caminho na mesma, o que o deixa preocupado; isto acontece porque o PM acha que o MF é o dono da verdade e pode dizer o que entender, e este imagina que há condições políticas para falhar nas previsões e nos seus objectivos e pedir mais austeridade, o que não existem.
PACHECO PEREIRA - O MF actua face à realidade nacional como se esta fosse um puzzle, experimentando peças; o PM já não vê as coisas da mesma maneira mas sabe que está dependente do MF e que este caindo, fica sozinho com o nada à volta (e com Relvas, o que deve ser um pesadelo para qualquer pessoa
ANTÓNIO COSTA - Faz uma interpretação de que PM e MF também não são cegos e já perceberam que a receita não funciona, tendo organizado um plano de fuga sem que pareça sê-lo: as previsões não interessam, até aos resultados da execução orçamental no primeiro trimestre de 2013 revelarem o absoluto falhanço; nessa altura o PR será confrontado com um levantamento popular e o que PM e MF vão querer é regressar, um a sua casa outro ao BCE, dizendo que não conseguiram chegar lá porque não os deixaram e (por ironia do destino) a força de bloqueio será o PR

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Quadratura do Circulo - CRISE NA COLIGAÇÃO E NO OE


Síntese – TRÊS PENSAMENTOS E UM MESMO OLHAR – Pacheco Pereira - Este não é um orçamento para levar a sério e ainda hoje ninguém explicou porque não se conseguiu chegar aos 4,5% em 2012, tal como o argumento da herança de Sócrates (o "buraco colossal") também nunca foi explicado. António Costa - Este governo acabou, ninguém se lembra, no último mês, de algum membro do governo ter praticado algum acto governativo relevante. António Lobo Xavier: O pensamento dominante em matéria financeira e de estratégia do país é exclusivamente técnico e econométrico (do Ministro das Finanças) e colonizou o Primeiro Ministro; não é possível deixar de fora o pensamento político

António Costa:
Numa coligação, a força dos partidos pequenos só resulta da fraqueza dos partidos grandes e a liderança que o PSD tem dá margem para que aconteça isto. Portas veio dizer uma banalidade que podia ter dito há 3 dias e deixou algumas portas abertas; cumpre o seu papel de procurar criar condições para sair deste governo o melhor possível.
As pessoas mais insuspeitas, como Ferreira Leite, já disseram que este orçamento não tem execução possível. Este governo acabou, ninguém se lembra, no último mês, de algum membro do governo ter praticado algum acto governativo relevante. Não é possível dizer pior do PM (como refere que fez Lobo Xavier com uma "crueldade brutal") do que dizer que é colonizado pelo pensamento do MF e não é ele que tem o pensamento principal da acção do governo. Os relatos do que acontece no CM é algo de que já não há memória.
Nenhuma crise política é bem vinda, mas a crise não está para vir, ela existe. O problema de fundo está enunciado no resultado de recessão económica, na inviabilidade de consolidação das contas públicas por esta via, sendo a condição indispensável a mudança de política. É muito importante começar a ter um discurso não demagógico sobre as finanças públicas; o governo tem que explicar se as "gorduras do Estado" não existem ou se existem e não é capaz de as cortar; ao fim de quase 2 anos começa a suspeitar de que não existem, uma vez que os cortes têm sido feitos no RSI, no subsídio de desemprego e de doença, no 13 e 14 mês dos FP.
Deixa nota final positiva para Carlos César, caso exemplar de como sair e organizar a transição e deixar a região com a melhor situação económica do país.

António Lobo Xavier:
Não partilha da ideia de que o CDS esteja a preparar a melhor forma de sair do governo, não podendo escapar, se isto correr mal, à punição geral do voto e da opinião dos portugueses. Reconhece a existência de uma tensão no governo mas não vê que possa produzir os efeitos de se dizer que o governo está a acabar, considerando que produziu alguns efeitos positivos, com recuos saudáveis (TSU e IMI) que eliminaram asneiras significativas.
O pensamento dominante em matéria financeira e de estratégia do país é exclusivamente técnico e econométrico (do MF) e colonizou o PM; não é possível deixar de fora o pensamento político e só há um caminho para ter alguma esperança, que depende do PM ter uma coordenação política.
Se tivermos eleições agora ficaremos numa situação parecida à Grécia; como acha que o PR não vai nomear um governo de sua iniciativa, a crise política resultante de uma ruptura vai sempre dar eleições, o que neste momento é o pior que pode acontecer ao país; se a alternativa for dar o poder a Seguro (que terá que fazer uma coligação com alguém) ou a punição dos partidos do centro (inclusive o PS), é um cenário negativo.
O grande problema deste governo foi ter assumido que era possível executar o memorando mesmo contra as circunstâncias mais evidentes de que se estava a tornar muito difícil; era preciso ter negociado previamente outras condições com a troika numa dimensão política e não exclusivamente técnica, porque a troika percebe a crise política e muda de ideias se lhe explicarem que isto vai rebentar. 

Pacheco Pereira:
Tem a impressão de andarmos na "terra da fantasia" na maneira como as pessoas interpretam o comunicado do CDS; que o parceiro de coligação tenha que fazer um comunicado a dizer que vai aprovar o OE, é em si próprio a evidência da existência de uma crise política.
O governo tem um orçamento que é inaplicável, como qualquer pessoa de bom senso o sabe, e que é quase uma provocação às pessoas. Se fosse para ganhar tempo com a troika, também poderia avançar com uma tese conspirativa de que o governo não quer governar, que percebeu que o país se tornou ingovernável com base na sua política e está a arranjar pretextos para se ir embora (metendo inconstitucionalidades no orçamento para atirar a culpa para o TC, dizendo que a culpa é do povo por não ter pago os impostos, atirando a culpa para o parceiro da coligação).
Mesmo uma pessoa altamente imaginativa não consegue perceber como o PM tem condições, força política, pessoal, para inverter esta situação. Este não é uma orçamento para levar a sério e ainda hoje ninguém explicou porque não se conseguiu chegar aos 4,5% em 2012, tal como o argumento da herança de Sócrates (o "buraco colossal") também nunca foi explicado. Acha engraçado este discurso de propaganda, protagonizado por algumas pessoas do PSD (e a começar pelo MF), como se quisessem ressuscitar uma espécie de discurso nacionalista contra a troika (de nos vermos livres da troika), quando nos foi dito que o programa da troika era o programa do PSD, era a salvação do país e era necessário ir mais longe.
Um discurso de austeridade tem que ser racional e este orçamento é incomportável para muitas famílias, que não vão conseguir pagar os impostos.
Cada vez suspeita mais de que é mais fácil negociar com a troika em situação de crise política que o contrário; se governo cair admite um agravamento nos juros, mas será mais fácil negociar significativamente o memorando se a troika encontrar um interlocutor que considere viável e este governo nunca vai negociar com a troika; deve-se evitar eleições mas têm que se encontrar mecanismos que são possíveis e (neste cenário) o PR tem que ser chamado.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

ACOSTA, PPEREIRA,LOBO XAVIER - NO FUNERAL DO GOVERNO

Síntese - Pacheco Pereira- Isto não é governação, o PM e o MF perderam completamente a face...Se tivéssemos governo, só apresentaria medidas fechadas... A maneira como a FP está a ser tratada atenta contra a dignidade de qualquer pessoa.O PR não pode deixar correr as coisas. Lobo Xavier -  Este nível de desinformação dentro do governo (pelo MF) só pode partir de uma pessoa que tem completo desprezo pela política e pelas consequências do que é anunciado...O PM não tem a informação, não a procura e não a comanda; não podemos admitir ao MF o falhanço das previsões, grosseira; António Costa -quando o governo já está neste nível de relacionamento é evidente que há um problema, havendo já várias apostas sobre quando é que se dissolve.
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(Qualidade da governação) - Pacheco Pereira:
Não há governo em Portugal, há actos avulsos e contraditórios. Nos últimos dois meses, Passos Coelho anunciou a retoma da situação económica para 2013, pouco tempo depois fez aquela declaração sobre a TSU como principal medida de reanimação económica e a partir desta altura (quando já havia uma guerra civil à volta da TSU) recuou-se para medidas de natureza completamente diferente; o discurso da substituição da TSU é uma mentira, o que se veio trazer foi um novo pacote de austeridade, que provavelmente acabaria por existir na mesma, em complemento. As propostas apresentadas pelo MF (fim do período de transição no IMI, enorme aumento de impostos) foram-no em tom taxativo, como sólidas, aprovadas e adquiridas; e depois de uma nova série de protestos e de mal estar, o governo passou a ter um novo discurso, que também é uma mentira, de que está a fazer um enorme esforço de corte na despesa e um aumento mais moderado das tabelas do IRS (imaginado-se como seriam as anteriores).
Isto não é governação, o PM e o MF perderam completamente a face e toda a gente percebe a fraqueza do governo. Se tivéssemos governo, este só apresentaria medidas quando estivessem fechadas, estudadas e consolidadas. Isto significa que muito provavelmente não vamos conseguir controlar o défice este ano. A maneira como a FP está a ser tratada atenta contra a dignidade de qualquer pessoa.
O PR não pode deixar correr as coisas e não tem dúvidas de que está altamente preocupado com esta situação, que parece o governo de Santana Lopes na fase final.
Estamos a aproximar-nos de um impasse político grave, em que no actual contexto as eleições dificilmente são uma solução razoável.
O PR será inevitavelmente chamado ao processo, tendo uma última cartada possível que é chamar os 3 principais partidos para encontrar uma solução à volta do memorando e em torno de uma acordo parlamentar; uma hipótese de governo de salvação nacional, que não seria a solução ideal, com muitos aspectos perniciosos, mas de emergência, teria que ser feito sem as personalidades dos partidos, durante a vigência do memorando, havendo eleições terminado este período.

António Lobo Xavier:
Algumas coisas, quanto à qualidade da governação, são ainda mais graves do que diz Pacheco Pereira. Crê que quando Passos Coelho está a anunciar em Agosto que Portugal está no bom caminho, está a utilizar a informação de que dispõe e que ao utilizar este nível de desinformação, há um problema de coordenação no governo total e brutal; problema que estende a Portas, que fez afirmações impossíveis de serem suportadas pelo MF. Este nível de desinformação dentro do governo (pelo MF) só pode partir de uma pessoa que tem completo desprezo pela política e pelas consequências do que é anunciado (dando exemplo do anúncio da TSU, um comportamento político incompreensível, quando tinha um plano gravíssimo de somaria à TSU).
O PM não tem a informação adequada, não a procura e não a comanda; não podemos admitir ao MF o falhanço das previsões, grosseiras, mesmo sabendo que o próprio FMI falha com uma desfaçatez chocante.
Uma situação deste tipo está a aproximar-se do limite e não são os "planinhos" do PS, umas "coisitas" de reabilitação urbana e um banco sem análise de risco, que podem resolver a situação (dizendo, num aparte, fazer-lhe impressão que António Costa, às vezes tão crítico da sua direcção, compre uns "projectitos" feitos por Zorrinho e Seguro, que não valem nada, sem lhes discutir o valor).
A situação só se resolve com a alteração da relação com a Europa e do comportamento do governo com a troika e Bruxelas, o único golpe de asa que este governo pode ter.
Uma situação de tricheiras (uma de Portas, outra de Gaspar, com Passos sem saber bem onde estar) não é uma solução que possa perdurar, mas Portugal também não aguenta uma crise política.

António Costa:
É preciso ver os sinais de degenerescência da base política do governo, sendo muito claro o que aconteceu na TSU e no IMI, com a expressão "enorme aumento de impostos" a ter sido uma vingança do MF em relação ao CDS; quando o governo já está neste nível de relacionamento é evidente que há um problema, havendo já várias apostas sobre quando é que se dissolve. O quadro político é muito difícil porque o próprio PR já não está em condições políticas para gerir a situação. Há a hipótese de um movimento interno no PSD para uma outra alternativa, mas não sabe se é possível ou desejável. Um solução que passe por eleições é também muito complicada, com poucas garantias de que sairia uma solução maioritária alternativa (provavelmente um governo minoritário do PS).
Tivemos um clima de diálogo social até há poucas semanas (mesmo com a CGTP muito prudente), sendo preciso aproveitar essa oportunidade e essa capacidade.
O problema é que o debate na Europa está a existir e Portugal não só se põe de fora, como quando é chamado a pronunciar-se fá-lo no sentido contrário ao interesse nacional e por convicção.
O tempo em que o memorando podia ser o programa exclusivo da acção do governo passou; hoje o país precisa de mais, precisa de expectativa e sentido de futuro. A margem dos instrumentos de consolidação está esgotada e falta a dimensão que não está no programa, falta um novo programa para o governo de Portugal

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

QUADRATURA DO CIRCULO ANUNCIA DESASTRE DO GOVERNO

Síntese - SÃO DE PARTIDOS DIFERENTES MAS CONCORDAM NO DESASTRE GOVERNAMENTAL - ANTÓNIO LOBO XAVIER:Governo fez alternativa total a si próprio e ao seu próprio plano apresentado há 15 dias, com aumento da tributação das empresas, o que o deixa perplexo... apouca. ANTÓNIO COSTA - A política económica e financeira deixou de existir, existe o acaso; o fracasso da estratégia orçamental é o que justifica a adopção destas medidas; e mesmo em relação ao sucesso da operação de renovação da dívida, é preciso saber quem a comprou. PACHECO PEREIRA - Não existe nexo, está tudo fragmentado, não há qualquer espécie de inteligência, é o grau zero da política. A cena no parlamento foi patética e o PM ANDA A FUGIR. FALTAM A TUDO .
ANTÓNIO LOBO XAVIER - Governo fez alternativa total a si próprio e ao seu próprio plano apresentado há 15 dias, com aumento da tributação das empresas, o que o deixa perplexo.
Defende que a despesa primária baixou brutalmente (e não é só imputável aos salários, uma parte dela foi estrutural) e isto passa despercebido e até mesmo o próprio governo apouca.
Percebe a lógica do MF, de querer agradar aos critérios da troika, havendo um grau de satisfação externa elevado, e deixando a política para quem conheça o país; é possível fazer política para além do acerto das contas, o que acontece é que as gaffes, os deslizes, os discursos mal pensados, algumas medidas erradas, estão a matar a política e a desagregar o governo
ANTÓNIO COSTA: Prefere aguardar para ver qual é a brutalidade das medidas e quem é mais atingido, quando conhecermos as medidas em pormenor.
Estas medidas não são alternativas à TSU, que era apresentada como estímulo às empresas e que só muito marginalmente contribuía para a redução do défice.
Questiona a razão do Estado, há 15 dias, poder prescindir de 2,3 mil milhões para dar às empresas e agora esse dinheiro ser para o Estado, sem que nada tenha sido dito sobre emprego e crescimento.
Questiona só termos tido conhecimento destas medidas porque Durão Barroso, certamente por "distração", ter revelado que tinham sido acordadas em Bruxelas antes de serem anunciadas.
Questiona o que se assistiu no debate das moções de censura, em que poucos devem ter sido os instantes em Portas levantou a cabeça, depois de tudo o que disse sobre política fiscal; e ter sido extraordinário, quando Honório Novo citou a carta de Portas aos militantes do CDS, assistir ao riso efusivo de Relvas e Passos Coelho perante o enxovalho de Portas.
A política económica e financeira deixou de existir, existe o acaso; o fracasso da estratégia orçamental é o que justifica a adopção destas medidas; e mesmo em relação ao sucesso da operação de renovação da dívida, é preciso saber quem a comprou.
Mesmo com esta redução artificial da despesa (através do corte de salários, ataque ao SNS, à escola pública, ao transporte público), o défice é muito superior às metas, com a queda da receita a ter sido muitíssimo superior à queda da despesa.
Salienta o exemplo dos Açores, que tem conseguido fazer reduzir o défice e a dívida porque tem conseguido sustentar minimamente a actividade económica.
Este governo criou a ilusão de que era possível fazer o ajustamento sem política, destacando a comparação com 83/85, em que houve 2 grandes diferenças, a liderança política de Soares e ter havido um horizonte; este governo não dá um sinal de expectativa para o futuro, as pessoas têm a percepção de que o governo não acredita no país e nos portugueses, havendo um problema de gestão de expectativas, que são essenciais para a capacidade de resistência e mobilização.

PACHECO PEREIRA - Não existe nexo, está tudo fragmentado, não há qualquer espécie de inteligência, é o grau zero da política. A cena no parlamento foi patética e o PM anda a fugir (evitou apresentar as medidas, não vai estar no 5 de Out).
A completa incompreensão do tempo político leva à criação de pacotes de austeridade para remendar o anterior e cada vez a margem de manobra da governação é menor. Não tem a menor dúvida de que milhares de famílias não vão poder pagar os impostos. O PR também tem que parar para pensar duas vezes (no que está a suceder).
Estamos numa situação de pacotes (de austeridade) sobre pacotes, em que a cada vez que o governo apresenta um pacote, implicitamente diz "isto chega" e diz não serem precisas mais medidas.
Em relação à despesa, estamos a poupar mas não há mudanças estruturais, temendo que se ou quando o dinheiro voltar, volte a correr pelos mesmos sítios.
Parte do problema é que o PS devia, neste contexto, funcionar como alternativa moderada, consciente e inteligente, propondo medidas que objectivamente fossem de outra natureza, mas não o faz, porque no PS não há inteligência (no sentido administrativo, prático) nenhuma.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

ANTÓNIO COSTA - PS TEVE 3 GANHOS DE CAUSA MUITO IMPORTANTES

Síntese - 3 ganhos de causa:1 - execução orçamental; 2- previsões da OCDE; 3- aprovação da adenda com recuo do PSD/CDS, como consequência da conclusão dos 2 anteriores: esta politica não vai produzir bons resultados, tal como demonstram as previsões da OCDE com mais recessão, desemprego e pior economia.É preciso reconhecer que  a direcção do PS agiu bem, pôs tema na agenda, confrontou a direita e manteve-se firme e consistente
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(Votação da adenda)
António Costa: PS teve 3 grandes ganhos de causa muito importantes: a execução orçamental, que veio demonstrar que  esta politica não vai produzir bons resultados; as previsões da OCDE, que são ainda mais graves, confirmando que défice e divida vão aumentar, vai continuar aumento do desemprego, quebra investimento e consumo e recessão mais profunda; e, em consequencia, explica que PSD e CDS tenham recuado na aprovação da adenda que tinham tentado ridicularizar.
É preciso reconhecer que desta vez a direcção do PS agiu bem, pôs tema na agenda, confrontou a direita e manteve-se firme e consistente; PS sintonizou bem a alternativa que havia a colocar. PS não fez tudo bem (diz que teria tido dificuldade em votar as alteracoes às leis laborais) mas quando faz as coisas bem feitas, tem bons resultados.
António Lobo Xavier: É difícil perceber regozijo do PS pelo facto de que a politica que sufragou no essencial (acordo com troika) não esteja a correr tão bem como se previa. Do ponto de vista táctico é uma vitoria, mas são palavras, sendo um caso triste da politica europeia e internacional toda a gente ter mudado de discurso com facilidade impressionante (pela vitoria de Hollande).
Pacheco Pereira: Acha absurdo que se considere ganho de causa do PS, uma vez que PS tem dado caução, em todos os momentos decisivos, à politica que tem estado a ser seguida (exemplo da lei laboral) e tem sido legitimador e um votante nessa politica.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

PACHECO PEREIRA AFIRMA QUE O GOVERNO NÃO ACERTA E CRIA DESCRENÇA

Quadratura - Pacheco Pereira:
(DEO) Não há uma única estatística, prazo ou elemento que bata certo, esperando o governo que aconteça no futuro. Este sistemático adiamento e agravamento das condições sociais cria descrença muito grande quanto à credibilidade dos governantes em relação aos números.
Isto (adiamento da reposição dos rendimentos) começa a colocar um problema ao TC e a sua composição vai ser vital em relação às decisões que vai ter que tomar.
(promoção Pingo Doce) Soares Santos cometeu um erro, havendo um saldo negativo para o país e para o Pingo Doce. Não estando o pais numa situação normal, é preciso extremo cuidado nas iniciativas de quem tem poder; há muita gente que esta em dificuldade e há que ter extremo cuidado e respeito no tratamento das pessoas e da sua dignidade. Episódio deu-nos um retrato fidedigno de nova pobreza e de um certo elemento de humilhação.

ACOSTA - SIC - ESTE "PEC" ESCONDIDO DO GOVERNO "DESOBRIGA O PS"

Quadratura do Circulo- António Costa:
(DEO) Este DEO (documento de estratégia orçamental) é, verdadeiramente e com outra denominação, o que eram os PEC pelo que devia ter sido objeto do mesmo tipo de negociação, relembrando que foi o pretexto invocado pelo PSD (a falsa nao apresentação do PEC) para desencadear a crise politica que conduziu às eleições.

É UMA HABILIDADE QUE TEVE O INFELIZ CONDÃO DE DESOBRIGAR O PS relativamente a esta estratégia orçamental, quando se havia dado como positivo, na nossa situação politica, que, relativamente a alguns elementos essenciais da estratégia de consolidação, havia um acordo politico muito alargado, UM BEM PARA O PAÍS QUE DEVERIA SER PRESERVADO e que é um ERRO PROFUNDO e um CAMINHO ERRADO que o governo esta a seguir.

Na forma como ao longo deste ano o acordo com a troika foi desigualmente aplicado, os resultados são bastante inquietantes, agravando o nosso desequilíbrio orçamental. Sublinha a previsão de corte de 12% nas transferências para as autarquias, que sabem o grau de pressão que estão a sofrer em termos de apoio social e economia local, o que comparando com cortes no funcionamento da administração central faz constatar que a estratégia do MF é um fracasso absoluto. (Promoção Pingo Doce) Efeito mediático foi extraordinário.

O mais chocante foi o país ver-se ao espelho, assustado e com medo, adotando logica de açambarcamento; não há (da parte de governo) nenhum discurso mobilizador ou mensagem de tranquilidade em relação ao futuro, levando as pessoas a adotar atitude defensiva

sexta-feira, 6 de abril de 2012

ANTÓNIO COSTA (PS) - INVESTIGAÇÃO DO PÚBLICO PROVA QUE SÓ CHUMBO DO PEC IV CHAMOU A TROIKA

Quadratura - (PS e troika) António Costa:
Cita a investigação do Publico sobre o PEC IV, defendendo que a intervenção da troika nao teria sido necessária porque a CE e o BCE tinham dado garantias suficientes de financiamento ao Estado português (salientando a confirmação do Governador do BdP) e recordando a atitude interna do aparelho e das estruturas do PSD que o levaram a retirar o apoio que tinha dado ao PEC e a precipitar a crise politica; assim, quando se fala do acordo com a troika assinado pelo PS, devera falar-se do acordo com a troika provocado por uma crise politica determinada por interesses políticos, por parte da direcção do PSD, que retirou o resultado.
Anuncio da reposição subsídios em 2015 surpreende porque o PM ou não o percebeu ou não o quis explicar: a politica de recessão vai prolongar necessidade dos cortes, que são sua consequencia. (Chumbo enriquecimento ilícito): Sente satisfação, gostando de ver o Estado de direito reafirmado.

PACHECO PEREIRA (PSD) - MÁ FÉ DO 1º MINSITRO - SUBSÍDIOS - in Quadratura do Circulo

Quadratura (III) - Pacheco Pereira
(Apoios sociais e subsidios): Argumento para baixar subsídios sociais (não porque precisamos de cortar mas porque existe muita fraude) é inaceitável.
Ma fé do PM sobre subsídios férias e natal é evidente, não é o que nos foi prometido e não percebe porque vai tudo desaguar em 2015, quando (supostamente) em 2013 já devíamos estar a crescer; só pode ser por razoes eleitorais, quando nada nos garante que em 2015 as condicoes económicas o permitam, o que institucionaliza a desconfiança na relação entre cidadãos e Estado e a perda do valor da palavra dos políticos.
(Chumbo enriquecimento ilícito): Principio, que já existe em alguns sectores do Estado, transportado em geral é instrumento muito importante de perseguição, que pode ser politica, e viola a Constituição; foi teimosia puramente populista do PSD.

sexta-feira, 23 de março de 2012

QUADRATURA DO CIRCULO - ANTÓNIO COSTA - PROMISCUIDADE

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Quadratura III (Promiscuidade)
LXavier: Nunca como no tempo de Socrates existiu uma tao grande promiscuidade entre certos sectores economicos e a estratégia e decisao politica, ambiente que é agora muito mais respiravel.
Pacheco Pereira: Hoje nao ha um problema de promiscuidade mas de comunidade; nunca um governo em Portugal teve tao grande proximidade politica e ideologica com os interesses e expressao de interesses desta elite, que esta a aproveitar em pleno esta oportunidade excepcional para alterar relacoes no mercado trabalho, relacoes sociais, concentrando poder com prejuizo do primado do poder politico; processos EDP e BPN nao tem nenhuma transparencia e mostram grande fragilidade do poder politico; é por isso que estes grupos fazem defesa muito agressiva deste governo. Promiscuidade nos governos Socrates revelou-se, por exemplo, na gestao bancaria, através do controlo na concessao de crédito.
ACosta: Efectiva promiscuidade foi o enriquecimento de toda uma classe politica do PSD, no periodo cavaquista, "à pala" dos processos de privatizacoes; foi o caso exemplar da Lusoponte e da constituicao do BPN, e comportamentos identicos com socialistas sao igualmente maus (Iberdrola); ha uma nocao na sociedade portuguesa de poder patrimonial da direita sobre a sociedade, sendo visto como uma "anormalidade" que um socialista seja presidente de um banco. O "problema" da promiscuidade (Socrates) so se comecou a colocar quando um grande grupo economico (Sonae) foi prejudicado (na PT), em beneficio do interesse publico.