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domingo, 4 de janeiro de 2015

52 mil idosos perderam CSI e crianças e jovens o abono de família

Síntese - Governo corta nos apoios sociais. A decisão é do ministro do CDS. De 2013 para 2014 há um decréscimo no número de crianças e jovens com direito a abono de família. Acontece o mesmo com o CSI para os idosos (-23%) mais pobres e com idade superior a 66 anos. O mesmo para o o RSI de inserção (-11%) ou o subsídio de desemprego.
"O universo dos beneficiários de apoios e prestações sociais continua a diminuir em Portugal. Os últimos dados oficiais, de Novembro face ao mês anterior, apontam de novo para um decréscimo do número de crianças e jovens com direito a abono de família e do total de pessoas que recebem subsídio de desemprego.
Em sentido inverso, no Rendimento Social de Inserção (RSI) e no complemento solidário para idosos (CSI) verificou-se um ligeiro aumento de Outubro para Novembro, mas a comparação anual não deixa margem para dúvidas: a tendência generalizada de queda dos vários apoios estatais mantém-se, de acordo com os últimos dados divulgados no site do Instituto da Segurança Social (ISS).
O  Estado português é, provam os números, cada vez menos social. Veja-se o caso do complemento solidário para idosos: apesar do acréscimo residual observado entre Outubro e Novembro de 2014, o total de pessoas a receber esta prestação que é complementar das pensões baixas decaiu em 23% quando a comparação é feita com Novembro de 2013. Ou seja: em Novembro, havia menos 52 030 pessoas com parcos rendimentos e idade superior a  66 anos a beneficiar do complemento social.
No Rendimento Social de Inserção, o fenómeno é idêntico. Apesar de o número de beneficiários ter aumentado ligeiramente em Novembro passado (mais 866) face a Outubro, invertendo uma tendência de quebra que se verificava desde Abril, a comparação com o mesmo mês do ano passado indica também que, num ano, quase 24 mil pessoas perderam o RSI, uma quebra da ordem dos 11%.

Diminuição dupla
Relativamente ao universo de crianças e jovens que recebem abono de família, a diminuição foi percentualmente menos acentuada, mas acabou por ser dupla: além de anual (eram menos cerca de 40 mil os beneficiários deste apoio face a Novembro de 2013), também entre Outubro e Novembro passados, cerca de 1 700  perderam o direito a esta prestação. O montante do abono de família varia de acordo com a idade das crianças e jovens e com o nível de rendimentos de referência do seu agregado familiar.
Da mesma forma, os subsídios de desemprego mantêm a tendência para a descida. Em Novembro foram atribuídos menos 4 544 do que no mês anterior, mas a redução anual é muito expressiva: em Novembro de 2013, havia mais de 376 mil pessoas a receber esta prestação, quando em Novembro último eram 307 mil os beneficiários. A taxa de desemprego está a descer, mas, segundo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (de Outubro passado), o número de desempregados era então superior a 608 mil.  

Os números da Segurança Social incluem o subsídio de desemprego, o subsídio social de desemprego inicial, o subsídio social de desemprego subsequente e ainda o prolongamento do subsídio social de desemprego. Estas prestações atingiram em Novembro passado o valor médio de 461,75 euros, face aos 480,57 euros observados um ano antes" (ALEXANDRA CAMPOS e LUSA)  

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

INE: Emigraram 350 mil e Portugal voltou aos saldos migratórios negativos dos anos 60

Dados do INE, da última semana, sobre estatísticas demográficas, deram-nos a saber, que nos últimos 3 anos emigraram 8% dos jovens e quase 2 mil idosos com 80 e mais anos.

Nos últimos três anos, o país regressou aos saldos migratórios negativos como na década de 60- Entre emigrantes permanentes[1] e temporários[2], saíram do país, o ano passado, mais de 128 mil pessoas.

Contabilizando os últimos três anos (2011-13),  emigraram mais de 350 mil pessoas
Saíram 
44 mil crianças e adolescentes (0-19 anos); Saíram 133 mil jovens (15-29 anos) que representam 8% da população jovem; Saíram 38 mil adultos dos 50 aos 64 anos, que já estão, em princípio, nos últimos 15 anos da sua carreira contributiva; Saíram 12 mil e 500 pessoas com 65 ou mais anos: pessoas em idade de reforma…. 


[1] Intenção de residir noutro país por um período igual os superior a 1 ano
[2] Intenção de residir noutro país por um período continuo inferior a um ano

Eurostat: "pobreza e exclusão social" em Portugal - subida exponencial

Pelo Eurostat, contrariamente ao discurso do Governo, esta semana ficámos a saber que Portugal conheceu o maior aumento da Taxa de Risco de Pobreza ou exclusão social e da Taxa de Privação Material Severa, em 2013, dentro de todos os países da União Europeia.
A Taxa de Risco de Pobreza ou exclusão social disparou para 27,4%, em 2013. São 2.877.000 as pessoas em risco de pobreza ou exclusão em Portugal: mais 210 mil em apenas um ano e mais 276 mil em dois anos (crescimentos de 8 e 11%, respetivamente).
Portugal volta aos valores de 2004, quando era liderado igualmente por um governo de coligação PSD/CDS-PP.
Portugal também conhece o maior aumento na Taxa de Risco de Pobreza ou Exclusão Social nas crianças que atinge 31,6%. São cerca de 600 mil as crianças que se encontram nesta situação em Portugal: mais 70 mil face ao ano anterior (um aumento de 13%).
Também a Taxa de Privação Material Severa disparou para 10,9%, o maior aumento da UE. Isto significa que cerca de 11% da população não consegue fazer face em simultâneo a despesas tão básicas como ter uma refeição de carne ou de peixe pelo menos de 2 em 2 dias; ter a casa adequadamente aquecida;  pagar a renda ou a prestações de crédito da casa e ter máquina de lavar a roupa”.
A Privação Material Severa atinge 1.148.000 pessoas em Portugal: mais 238 mil em apenas um ano e mais 267 mil em dois anos (crescimentos de 26 e 30%, respetivamente).
Dispara igualmente a Taxa de Intensidade Laboral Muito Reduzida para 12,2%. Isto é, 12,2% dos agregados familiares são constituídos por adultos (excluindo estudantes) que trabalham, em média, menos de 20% do tempo de trabalho possível.
A intensidade laboral muito reduzida atinge 950 mil pessoas: mais 159 mil em apenas um ano e mais 284 mil em dois anos (crescimentos de 20 e 43%, respetivamente). O 2º maior crescimento da UE (a seguir à Grécia).