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terça-feira, 21 de julho de 2015

Estados Unidos-Cuba: as previsões de José Saramago

Guantánamo
No momento em que escrevo estas linhas os colégios eleitorais ainda vão continuar abertos durante mais algumas horas. Só pela madrugada dentro surgirão as primeiras projecções sobre quem será o próximo presidente dos Estados Unidos. No caso altamente indesejável de que viesse a triunfar o general McCain, o que estou a escrever pareceria obra de alguém cujas ideias sobre o mundo em que vive pecassem por um total irrealismo, por um desconhecimento absoluto das malhas com que se tecem os factos políticos e os diversos objectivos estratégicos do planeta. Nunca o general McCain, sendo, ainda por cima, como a propaganda não se cansa de lhe chamar e que um miserável paisano como eu nunca se atreveria a negar, um herói da guerra contra o Vietnam, nunca ele ousaria deitar abaixo o campo de concentração e tortura instalado na base militar de Guntánamo e desmontar a própria base até ao último parafuso, deixando o espaço que ocupa entregue a quem é o seu legítimo dono, o povo cubano. Porque, quer se queira, quer não, se é certo que nem sempre o hábito faz o monge, a farda, essa, faz sempre o general. Deitar abaixo, desmontar? Quem é o ingénuo que teve semelhante ideia?

E, contudo, é disso precisamente que se trata. Há poucos minutos uma estação de rádio portuguesa quis saber qual seria a primeira medida de governo que eu proporia a Barack Obama no caso de ele ser, como tantos andamos a sonhar desde há um ano e meio, o novo presidente dos Estados Unidos. Fui rápido na resposta: desmontar a base militar de Guantánamo, mandar regressar os marines, deitar abaixo a vergonha que aquele campo de concentração (e de tortura, não esqueçamos) representa, virar a página e pedir desculpa a Cuba. E, de caminho, acabar com o bloqueio, esse garrote com o qual, inutilmente, se pretendeu vergar a vontade do povo cubano. Pode suceder, e oxalá que assim seja, que o resultado final desta eleição venha a investir a população norte-americana de uma nova dignidade e de um novo respeito, mas eu permito-me recordar aos falsos distraídos que lições da mais autêntica das dignidades, das quais Washington poderia ter aprendido, as andou a dar quotidianamente o povo cubano em quase cinquenta anos de patriótica resistência.

Que não se pode fazer tudo, assim de uma assentada? Sim, talvez não se possa, mas, por favor, senhor presidente, faça ao menos alguma coisa. Ao contrário do que acaso lhe tenham dito nos corredores do senado, aquela ilha é mais que um desenho no mapa. Espero, senhor presidente, que algum dia queira ir a Cuba para conhecer quem lá vive. Finalmente. Garanto-lhe que ninguém lhe fará mal.




publicado por Fundação Saramago 

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Sem emenda - a UTAO, na AR, confirma receios da CE e do FMI sobre as previsões do Governo

Por mera "dor de cotovelo", enquanto o Governo procurava testar as propostas do PS,  distraiu-se e não testou as suas próprias previsões económicas. 
É nesse sentido que a UTAO, na AR, confirma agora todas as preocupações da Comissão Europeia e do FMI sobre a fragilidade dos números do Governo em ano de eleições. "Fazer de conta" é uma irresponsabilidade. Este Governo não tem emenda.

"As previsões económicas e orçamentais apresentadas pelo Governo no Programa de Estabilidade entregue em Bruxelas revestem-se de "importantes riscos para a sua concretização", especialmente porque não levam em conta a ameaça de perda de competitividade externa do país e porque uma parte substancial da redução prevista na despesa pública está dependente de fatores externos difíceis de controlar. 
Este aviso foi feito ontem pela UTAO, que, à semelhança do que já foi feito pela Comissão Europeia, o FMI e o Conselho das Finanças Públicas, confirmou os seus receios em relação à segurança do cenário macroeconómico traçado pelo Executivo para os próximos quatro anos." 

quinta-feira, 16 de abril de 2015

"FMI prevê dívida pública portuguesa acima de 120% do PIB até 2020"

A ser assim, o Governo desenhou para os próximos anos um calendário de austeridade a partir da continuada magreza dos rendimentos.

"O FMI prevê que a dívida pública portuguesa se situe acima dos 120% do PIB em 2020. Aos elevados rácios do endividamento, o Fundo soma uma preocupação e um recado. 
Primeiro, a baixa taxa de inflação e o fraco crescimento económico penalizam a dívida. Segundo, o FMI defende a necessidade de os países preparem almofadas orçamentais nos "bons tempos" que evitem um aumento de dívida em conjunturas mais difíceis. 
As projeções divulgadas ontem em Washington no documento Fiscal Monitor mostram que depois de um pico de dívida em 2014 (que o rácio atingiu os 130,2% do PIB), a dívida pública vai começar a abrandar."

quinta-feira, 26 de março de 2015

BdP: Economia aproveita euro fraco e petróleo barato para crescer mais

Boas notícias - Em todos os jornais, e segundo o Banco de Portugal (BdP), pode ler-se que instituição "prevê variação do PIB de 1,7% este ano, numa economia que usa a melhor conjuntura externa para conseguir crescer sem recorrer a mais endividamento". 
As razões: "Mais procura vinda do exterior, um euro perto da paridade com o dólar e preços dos combustíveis bastante mais baixos: são estes os três fatores que fazem com que o supervisor, replicando aquilo que já foi feito por outras instituições, tenha melhorado a sua previsão para o crescimento da economia portuguesa durante este ano e o próximo".
As teses do PS, desde 2011, iam no sentido de uma maior intervenção do BCE, porque essa seria a estratégia para injetar mais dinheiro em toda a economia europeia e baixar as taxas de juro, o preço do dinheiro. Com muito atraso e muitos problemas para o país está agora demonstrado que o PS sempre teve razão e que não tinha ficado mal ao governo ter acompanhado esse esforço em vez de diabolizar as propostas e perspetivas do PS.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Governo falha défice e previsões

A projeção sobre as exportações/importações falhou em 1450 M€, com base em dados do INE; também o volume de negócios continuou negativo, bem como a produção na construção. A ida aos mercados tem-se revelado como uma espécie de "empurrar o problema com a barriga". De facto, contraem-se novas dívidas para um prazo ulterior, mas ficamos mais endividados, porque não há crescimento.
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 “O índice de volume de negócios nos serviços apresentou, em dezembro, uma variação homóloga nominal de -1,8% ( -2,9% no mês de novembro). No 4º trimestre de 2013, a variação homóloga deste índice situou-se em -2,8% (-2,9% no trimestre anterior). Para o conjunto do ano 2013, a variação média foi -4,5% (-8,7% em 2012).”
“O índice de produção na construção registou uma variação homóloga de -14,4% em dezembro de 2013 (variação de -15,0% no mês anterior). No conjunto do ano 2013 a variação média anual situou-se em -16,3%, idêntica à registada em 2012.”
As previsões do Governo para a evolução da balança comercial portuguesa saíram furadas em 2013, tendo sido esta uma das razões de o executivo ter avançado com mais austeridade que a esperada e mesmo assim terminar o ano com um défice superior ao previsto. 
Em relação as projeções feitas para a evolução das exportações e importações no ano passado. Portugal falhou as metas por 1.450 milhões de euros (ME), segundo cálculos tendo por base os números ontem divulgados pelo INE. 
Nas contas do Governo PSD/CDS, a estratégia de empobrecimento da população ia permitir continuar a estrangular o consumo das famílias residentes em Portugal, forçando nova redução das importações depois da queda de 5,2% de 2012. Contudo, foi mais uma previsão falhada.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Eurostat vê melhoras na economia no 2º trimestre, mas Portugal perde lugares no Ranking

O Eurostat reviu as previsões de contração da economia da zona euro e da União Europeia no segundo trimestre, em termos homólogos, para 0,5% e uma estagnação, respetivamente, melhor do que o estimado em agosto. 
A estimativa anterior indicava quedas do PIB de 0,7% na zona euro e de 0,2% na União Europeia, em termos homólogos.
Portugal voltou a perder lugares no 'ranking' mundial de competitividade de 2013-2014, elaborado pelo World Economic Fórum, caindo para o 51.º e numa tendência que se prolonga desde 2005, com exceção do ano de 2011.


quarta-feira, 17 de julho de 2013

OCDE - previsões - Desemprego a subir: 18,6% em 2014

Este governo, a sua política e o estado de negação do PR conduzem a este resultado. Entretanto o ministro das Finanças fugiu e o ministro dos Negócios Estrangeiros "saiu para fora, lá dentro"!!!

  1. A OCDE prevê que o desemprego continue a subir em Portugal, pelo menos até maio de 2014. Nessa altura a taxa deverá estar nos 18,6%, um número acima dos 17,6% registados em maio de 2013.
  2. O desemprego na zona euro vai atingir uma taxa média de 12,3%. Em 2014 são esperados aumentos também na Grécia, Itália, Holanda, Polónia e Espanha. O desemprego jovem continuará a rondar os 40% em Portugal.
  3.  A taxa de inflação anual acelerou, em junho, para 1,6% na zona euro e para 1,7% na União Europeia, tendo Portugal registado a oitava taxa mais baixa (1,2%), segundo o Eurostat


Banco de Portugal - Recessão em 2013 e estagnação em 2014


O PS considerou hoje que as previsões do Banco de Portugal (BdP) indiciam que a recessão este ano será o dobro face à estimativa inicialmente feita pelo Governo e com estagnação económica em 2014.
A posição foi assumida pelo deputado socialista Pedro Marques, após o Boletim Económico de Verão do BdP ter melhorado as previsões do crescimento para 2013, antecipando uma contração de dois por cento e não de 2,3 por cento, embora piorando as de 2014, ano em que espera que a economia cresça apenas 0,3 por cento e não 1,1 por cento.
"Confirma-se a duplicação da recessão em 2013 face às previsões iniciais do Governo", declarou o ex-secretário de Estado socialista, adiantando que esta "evolução negativa" se deve sobretudo "à quebra do investimento".
"Quer para 2013, quer na previsão para 2014, volta a verificar-se uma quebra do investimento. Sem procura interna, com menor rendimento das famílias, as empresas não investem porque não têm quem compre os seus produtos. É o que dizem os empresários em todos os inquéritos de análise da conjuntura", sustentou o deputado do PS. Para Pedro Marques, a economia portuguesa "não recupera sem investimento - um dado que parece evidente".
"Não se vê a luz ao fundo do túnel, porque o Governo escolheu duplicar a austeridade, fê-lo durante dois anos consecutivos e mais austeridade significou mais recessão e mais desemprego", apontou o ex-membro dos governos socialistas.
Interrogado sobre o facto de o BdP desagravar agora as previsões de recessão para este ano, sendo de dois por cento e não de 2,3 por cento, Pedro Marques insistiu que se verifica uma duplicação da recessão face à previsão inicial do Governo.
"A diferença que agora aparece é de duas ou três décimas em relação a uma outra previsão anterior. Mas prevê-se também uma estagnação económica no próximo ano e o BdP ainda indica que, provavelmente, a previsão para 2014 tenha um cenário agravado por mais resultados de quebra da procura interna por via das medidas recessivas que o Governo perspetivaria adotar e, igualmente, por via de um menor desempenho das exportações", justificou. Pedro Marques referiu ainda que "convém explicar" o fundamento de a estimativa do BdP praticamente duplicar as exportações.

terça-feira, 26 de março de 2013

Previsões - BdPortugal espera que a economia portuguesa destrua mais 3,3% dos empregos


  •  Síntese - Previsões da primavera - A equipa da Economia e o governo falham novamente...50% da redução da despesa será por cortes nas reformas de uma vida de trabalho...a destruição de emprego aumenta mais 3,3%...e a recessão aumenta para -2,3% do PIB ... o tal bom caminho de Passos Coelho e da equipa da Economia.
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  • Banco de Portugal espera que a economia cresça apenas 0,3% em 2014 se for considerado um cenário que inclui os cortes na despesa pública já anunciados pelo Governo. 
  • No Boletim Económico da Primavera, hoje revelado, o Banco de Portugal desenvolveu um cenário com pressupostos orçamentais alternativos para o próximo ano, estimando uma redução da despesa pública de 1,5% do PIB, que será feita em 50% pelo lado das despesas com pessoal e os restantes 50% pelo lado das pensões.
  • O Banco de Portugal espera que a economia portuguesa destrua mais 3,3% dos empregos durante este ano até conseguir atingir uma “relativa estabilidade” em 2014.
  • O Banco de Portugal reviu hoje em baixa as projeções para o desempenho da economia este ano, esperando agora uma recessão de 2,3% do PIB, em linha com o esperado pelo Governo e ‘troika’.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

UE - Previsões - O 1º Ministro está em depressão

Mais défice, mais desemprego, menor crescimento e mais impostos são as previsões da UE. A incompetência dos dirigentes europeus e das "troikas" que por aí andam rimam bem com um governo em queda livre e a incompetência do 1º ministro, ministro das Finanças e da coligação PSD/CDS, no governo e na AR. Estes resultados demonstram que em Portugal, tal como na Europa, a direita tem de ser removida. Como se vê o desemprego começa sempre a diminuir no ano que virá, não se sabe é qual!
"A Comissão Europeia espera agora quase o dobro da recessão em 2013 que o estimado anteriormente, passando de uma contração de 1% para 1,9%, e diz que pode voltar a piorar as previsões já no próximo mês de março. Nas suas previsões económicas de inverno hoje divulgadas, Bruxelas explica que a queda de 1,8% do Produto Interno Bruto no quarto trimestre do ano passado (em termos homólogos) foi “inesperada” e que se deveu a uma contração pronunciada na procura interna e a uma desaceleração nas exportações nesta parte final do ano. Com este resultado a recessão foi de 3,2% do PIB, mais grave que os 3% estimados na altura da sexta revisão do programa. A destruição de emprego foi também maior que a prevista, o que levou a taxa de desemprego média anual do ano passado para 15,7%, superior aos 15,5% esperados na mesma altura pelo Governo e pela ‘troika’.
A Comissão Europeia espera que Portugal falhe a meta do défice orçamental com que comprometeu para 2013 e 2014, esperando agora um défice 4,9% este ano contra os 4,5% acordados com a ‘troika’.
A Comissão Europeia voltou a rever hoje em baixa as previsões para o crescimento da economia europeia, ao projetar uma contração de 0,3% na zona euro para este ano e um ténue crescimento de 0,1 na União Europeia.
 A taxa de desemprego deve chegar os 17,3% este ano e baixar apenas para 16,8% em 2014, estimou hoje a Comissão Europeia, que agrava significativamente as suas expectativas para o mercado de trabalho português"

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

CRONOLOGIA DE FALSAS CERTEZAS E VERDADEIROS FALHANÇOS



Síntese - BREVE RESUMO DE AFIRMAÇÕES EM 2012 - Em janeiro Vítor Gaspar garantia não serem precisas mais medidas de austeridade; disse o mesmo em Março. O 1ª MINISTRO garantiu a mesma coisa na mesma altura. O junho o PR reconhece que "será muito difícil voltar a exigir sacrifícios àqueles que já contribuíram significativamente para a redução dos desequilíbrios financeiros em Portugal."Em agosto, ANTÓNIO BORGES diz sobre a austeridade: "do meu ponto de vista não é necessário porque o reequilíbrio da economia é mais rápido do que o esperado". ONTEM AUMENTARAM todos os impostos e o IRS EM 35%. PALAVRAS PARA QUÊ?
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Vítor Gaspar – 10/Janeiro/2012
O ministro das Finanças garantiu esta tarde na Assembleia da República que não vê necessidade de novas medidas de austeridade para compensar os novos encargos do OE2012, acrescentando que "um esclarecimento integral só estará completo aquando da apresentação do Orçamento Rectificativo" - em data ainda não determinada. (DN)

Vítor Gaspar - 23/Março/2012 
1) Exclui liminarmente novas medidas de austeridade este ano? De acordo com as perspectivas que temos neste momento e de acordo com a nossa melhor avaliação, o objectivo para o défice em 2012 de 4,5% do PIB será atingido como previsto...
2) Mas os últimos números da execução orçamental não são muito animadores…Procedendo à correcção destas situações, a despesa efectiva teria apresentado uma diminuição de 4,9% e a despesa primária apresentaria um decréscimo de 5,5%. Não existe, assim, qualquer indicação que aponte para menor contenção da despesa. SOL

PM – 28/Março/2012

Passos mostra-se convicto, em entrevista à TVI, que o Governo não terá de avançar com mais medidas de austeridade, frisando porém que é uma hipótese que nenhum primeiro-ministro pode excluir.

PR – 25/Junho/2012
O Presidente da República, Cavaco Silva, reconheceu ontem que "será muito difícil voltar a exigir sacrifícios àqueles que já contribuíram significativamente para a redução dos desequilíbrios financeiros em Portugal."(CM)

António Borges - 23/Agosto/2012
"O Governo tem muitas formas de responder a essa questão [de controlo do défice]. Pode optar por mais austeridade. Mas do meu ponto de vista não é necessário porque o reequilíbrio da economia é mais rápido do que o esperado", afirmou hoje António Borges, consultor do Governo para as privatizações, em entrevista à TVI.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

MARÇO DE 2012 - VÍTOR GASPAR - "NÃO PREVEJO MAIS AUSTERIDADE ESTE ANO" - UMA NULIDADE!!!


Síntese - AS NÃO PREVISÕES DE VÍTOR GASPAR AO JORNALISTA -  1) Exclui liminarmente novas medidas de austeridade este ano? De acordo com as perspectivas que temos neste momento e de acordo com a nossa melhor avaliação, o objectivo para o défice em 2012 de 4,5% do PIB será atingido como previsto...2) Mas os últimos números da execução orçamental não são muito animadores…Procedendo à correcção destas situações, a despesa efectiva teria apresentado uma diminuição de 4,9% e a despesa primária apresentaria um decréscimo de 5,5%. Não existe, assim, qualquer indicação que aponte para menor contenção da despesa.COMO SE VÊ, UMA VERDADEIRA NULIDADE!
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Em vésperas de visitar Luanda, onde irá discutir com o governo angolano as privatizações em Portugal e a eliminação de dupla tributação entre os dois países, Vítor Gaspar concede uma entrevista ao SOL. O ministro das Finanças sublinha que o cumprimento do programa da troika é a única garantia para recuperar a credibilidade nos mercados.
Se fosse ministro na altura, teria assumido este Memorando? O que faria diferente?
O programa foi essencial para evitar a bancarrota em Junho do ano passado. Foi o programa possível e o programa necessário. Sem ele, teríamos um ajustamento abrupto e desordenado. Um tal processo seria muito custoso para o país e afectaria com particular violência os mais vulneráveis e os mais desfavorecidos. Estou plenamente convicto de que o programa de ajustamento é a melhor resposta à situação de crise e emergência em que o país se encontra. O programa incorpora uma estratégia completa e equilibrada que responde aos principais desequilíbrios e debilidades estruturais acumulados ao longo da última década. O programa protege o financiamento do Tesouro face a tensões nos mercados de obrigações, concedendo tempo para mudar gradualmente expectativas e percepções.

Sente-se um mero executor do Memorando da troika ou tem margem de autonomia?
O programa de ajustamento é o programa de ajustamento de Portugal. Como já referi, a estratégia por detrás do programa é aquela que responde efectivamente aos elementos fundamentais do diagnóstico dos determinantes da actual situação de crise e emergência nacional. Estou convencido de que é por isto que existe em Portugal um consenso social e político alargado em torno da necessidade e do imperativo do ajustamento e uma grande determinação em que este seja bem sucedido.
O programa tem limites quantitativos – para a dívida e para o défice –, medidas estruturais de referência, prazos e limites de financiamento que têm uma grande visibilidade e prioridade. Nos detalhes, é um programa vivo que pode ser adaptado às circunstâncias no quadro dos exames trimestrais.
Exclui liminarmente novas medidas de austeridade este ano?
De acordo com as perspectivas que temos neste momento e de acordo com a nossa melhor avaliação, o objectivo para o défice em 2012 de 4,5% do PIB será atingido como previsto.
Mas os últimos números da execução orçamental não são muito animadores…
Os dados de que dispomos nesta altura, relativos a Janeiro e Fevereiro, não podem ser extrapolados para o conjunto do ano. Regista-se um conjunto de factores especiais que justificam uma interpretação cuidada.
Do lado da receita fiscal, que registou uma quebra acumulada de 5.3% em termos homólogos, é preciso ter em conta que estes dois meses não reflectem ainda os efeitos resultantes da reestruturação das taxas de IVA introduzida no OE 2012. Estes só serão integralmente registados a partir de Maio. De igual modo, as retenções na fonte para 2012 sobre o trabalho dependente e pensões também não estão reflectidas nesta receita, o que só acontecerá em Abril. Adicionalmente, existem factores atípicos que empolaram a receita fiscal no início de 2011, por exemplo os associados à conhecida antecipação generalizada da distribuição de dividendos.
Do lado da despesa efectiva acumulada nos primeiros dois meses de 2012 verificou-se um crescimento de 3,5% relativamente ao período homólogo de 2011, estando este valor influenciado por duas operações específicas: a transferência de 348 milhões de euros para a RTP para pagamento de dívida e o pagamento, em Fevereiro, de juros referentes a uma obrigação emitida em 2011, no valor de 225 milhões de euros. Este pagamento reflecte um perfil intra-anual diferente dos pagamentos de juros e não altera o valor previsto para o conjunto do ano.
Procedendo à correcção destas situações, a despesa efectiva teria apresentado uma diminuição de 4,9% e a despesa primária apresentaria um decréscimo de 5,5%. Não existe, assim, qualquer indicação que aponte para menor contenção da despesa.
Os valores da execução orçamental nos primeiros dois meses do ano são importantes. Não permitem conclusões definitivas para o conjunto do ano. A preocupação que os resultados suscitaram junto da opinião pública é um sinal saudável e bem vindo da atenção que merece aos portugueses o cumprimento dos objectivos do programa de ajustamento. Esta atenção é proporcional ao seu empenhamento em que o programa seja bem sucedido.
jas@sol.pt
23 de Março, 2012 por José António Saraiva, José António Lima e Luís Gonçalves

sábado, 12 de maio de 2012

BRUXELAS - AS PREVISÕES DA PRIMAVERA ARRASAM O GOVERNO

TUDO AO CONTRÁRIO - as previsõse de Bruxelas contrariam o governo. Máximos e Mínimos históricos: Desemprego sobe para 15,5%, a recessão afunda-se para menos -3,3%, o défice sobe para 4,7% (maior do que 2011) -. ISTO É O BOM CAMINHO?

"Bruxelas, 11 mai (Lusa) - A taxa de desemprego em Portugal vai atingir os 15,5 por cento este ano e diminuirá apenas para 15,1 por cento em 2013, anunciou hoje a Comissão Europeia nas suas previsões de primavera.
"No último trimestre de 2011, a situação do mercado laboral deteriorou-se consideravelmente, com o emprego a encolher 2,5 por cento em relação ao trimestre anterior e a taxa de desemprego a atingir os 14 por cento", lê-se no relatório da Comissão.
“A taxa de desemprego subiu para 15 por cento em fevereiro, e deverá aumentar mais ainda este ano”, preveem ainda os técnicos de Bruxelas.
Num anexo ao seu Documento de Estratégia Orçamental, o Governo divulgou projeções de uma taxa de desemprego de 14,5 por cento este ano e 14,1 por cento no próximo.
No entanto, estas previsões vão ser revistas no início do junho. O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, disse esta semana no Parlamento que o aumento do desemprego está a ser superior ao que seria de esperar tendo em conta a diminuição da atividade económica, e que por isso o Governo ia fazer uma nova análise aos números do mercado do trabalho para elaborar novas previsões.
Todos estes valores são médias anuais, e referem-se ao desemprego na definição do Eurostat - que é ligeiramente diferente da taxa oficial calculada pelo Instituto Nacional de Estatística.
Nas suas previsões de primavera, a Comissão prevê que a economia portuguesa encolha 3,3 por cento este ano e cresça 0,3 por cento em 2013."

terça-feira, 22 de novembro de 2011

GOVERNO ENGANA-SE 4 VEZES EM 4 MESES - ANUNCIA RECESSÃO AINDA MAIS GRAVE EM 2012

O governo PSD/CDS, através do ministro das finanças, veio rever, pela quarta vez em outros tantos meses, as suas projeções económicas. Desta feita para anunciar que a recessão este ano era APENAS MÁ E NÃO PÉSSIMA e que para 2012 vai ser PÉSSIMA E NÃO APENAS MÁ.

Para quem viu o país crescer - em 2010 +1,4% - e constata, pelo execução orçamental divulgada hoje pelo governo, que não fossse o desempenho dos primeiros meses deste ano e o desastre seria ainda mais colossal, É FÁCIL PERCEBER O EMBUSTE dos partidos que ontem eram oposição e hoje são governo.

E é importante lembrar que PSD/CDS tiveram a ajuda dos "paquetes" de serviço, PCP/BE, para nos colocarem nesta situação extrema, ao chumbarem o PEC IV, depois dete ter sido aprovado pelo governo, Comissão Europeia, Chefes de Estado e de Governo e Banco Central. Um acso único de estultícia em toda a europa.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

PORTUGAL O 2º PIOR NO 3º E 4º TRIMESTRES - DEPOIS DIGAM QUE FOI O PS!

TROCARAM DE PAPEIS há escassos meses. Eram oposição e agora são poder. Só sabiam criticar e agora não sabem  governar. Eram bons a dizer e agora são maus a fazer. De oposição destrutiva passaram  à governação explosiva. Juravam mais emprego e têm mais desemprego. Eram contra os impostos e agora são os campeões dos impostos. Queriam crescimento saudável e têm uma recessão miserável. Queriam mais justiça e nunca houve tanta injustiça. Queriam mais igualdade e praticam a iniquidade. SÃO FORTES COM OS FRACOS E FRACOS COM OS FORTES.

(Lusa) UE/Previsões: A economia de Portugal vai ter o segundo pior desempenho da UE na segunda metade de 2011 e só o Chipre estará pior entre os 27. De acordo com as previsões, o PIB português terá caído 1,4% no terceiro trimestre deste ano relativamente ao trimestre anterior; no ultimo trimestre de 2011, a queda será de 1,5%.
Estas são as variações em cadeia do PIB mais negativas da UE para os últimos dois trimestres de 2011, com excecao do Chipre que deverá cair 1,7% no terceiro trimestre e 1,8% no quarto. Mesmo a Grécia terá um desempenho menos negativo - variações negativas de 0,7% em ambos os trimestres.
Em média, a zona euro terá um crescimento em cadeia de 0,2% no terceiro trimestre deste ano, e uma redução do PIB de 0,1% no quarto.
A Comissão não apresenta dados para Irlanda, Republica Checa e Malta, mas tendo em conta a evolução recente das respetivas economias, é improvável que registem quedas tão acentuadas.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

1º SEMESTRE FOI MELHOR - MAS - GOVERNO MANTÉM PREVISÃO DE RECESSÃO

Margarida Peixoto
Moedas responde sobre o desvio orçamental com imagens - Apesar da contracção no primeiro semestre ter sido menor que o esperado, Carlos Moedas reafirma a recessão de 2,2% este ano.
"Mantemos o cenário macroeconómico. Não sabemos o que será o segundo semestre", disse hoje o secretário-de-Estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, na Comissão eventual de Acompanhamento do memorando de entendimento assinado com a troika, no Parlamento.
Carlos Moedas respondia a Fernando Medina, ex-secretário-de-Estado do anterior Governo. O agora deputado socialista lembrou que tendo em conta que a recessão do primeiro semestre não deverá ter sido superior a 0,9% - assumindo a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística - será preciso uma contracção muito acentuada na segunda metade do ano para que a recessão seja tão profunda como os 2,2% inicialmente previstos.
"Vai haver uma revisão do cenário macro-económico, perante os dados do primeiro semestre, que são menos negativos do que o esperado, ou o Governo confirma aquela que será a recessão mais profunda da Historia económica, que teria de ser em torno de 4% do PIB?", interrogou Fernando Medina.
Carlos Moedas não respondeu sobre a degradação agressiva das condições económicas na segunda metade deste ano que a estimativa para o conjunto de 2011 pressupõe, mas disse apenas que o cenário se mantém.