sexta-feira, 23 de outubro de 2015

(Opinião) DV - António Costa, Presidente da República

António Costa, Presidente da República

A nova Assembleia da República será empossada nesta sexta-feira e terá o presidente que o PS propuser, com acordo prévio do PCP e do BE. 
Funcionará assim, pela primeira vez, a maioria de esquerda. Nesta matéria não é certo que a coligação PàF apresente uma alternativa, não só porque seria chumbada, mas porque já fez saber, há algum tempo, que a presidência pertenceria ao PS, quer esse desejo tenha ou não sido sincero. O que tem que ser tem muita força!
Este facto demonstra bem que o PS ao liderar a oposição poderia fazer aprovar à esquerda todas as medidas do seu programa, todas as que entendesse fundamentais ao interesse do país e aquelas que no mesmo contexto e com o mesmo sentido pudessem ser avançadas pelo BE e pelo PCP.
Compreende-se, pois, que defenda dever ser esta a estratégia correta do PS. O governo, a quem os eleitores renovaram a confiança - que não a maioria absoluta - seria obrigado a negociar com todos os partidos da oposição, a cada momento.
A sua obrigação de governar não seria um passeio, mas um desafio permanente já experimentado por Guterres e por Sócrates nas segundas legislaturas. E, como se sabe, esses governos minoritários tiveram a duração média de 18 meses e deram sempre origem a soluções de maioria absoluta à direita.
Sei bem do que falo, porque foi nesses contextos difíceis que desempenhei funções de secretário de estado, respetivamente, da Administração Marítima e Portuária e da Administração Local. Sei bem o que as oposições fizeram e as alianças sucessivas do PCP e do BE com o PSD e o CDS, sempre para dificultarem a vida e derrubarem os governos do PS.
É esta memória que também me faz pensar numa solução diferente da de António Costa. Quem ganha tem não só o direito como a obrigação de governar. Remeter para a oposição a maioria escolhida nas urnas, fazer um governo excluindo-a dessa responsabilidade, não é politicamente desejável, nem para o país nem para o PS.
A teoria justificativa que refere - ao contrário - os resultados das eleições não colhe. Argumentar que, em números redondos, os 38% da coligação PàF significam que 62% dos portugueses rejeitaram essa solução, permitiria concluir que 92% rejeitaram a CDU (só teve 8%), 90% o BE (só teve 10%) e 68% o PS (só teve 32%). Convenhamos que esta “narrativa” não é lá grande coisa, porque alguém poderia dizer que um hipotético governo à esquerda seria um somatório de rejeitados.
O que está em jogo não é só o futuro de António Costa, mas o do partido. Isto do PS ficar nas mãos do PCP e do BE tem muito que se lhe diga, como se verá! A vida tem destas coisas. Sempre imaginei chegar a outubro e ver António Seguro como primeiro-ministro, preparando-me para iniciar 2016 com a eleição de António Costa como Presidente da República.

DV 2015.10.21

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