sexta-feira, 4 de setembro de 2015

(Opinião) O fim de semana em que a coligação perdeu as eleições

A última semana foi dominada pelas ondas de choque do discurso de Paulo Rangel na Universidade de Verão da JSD. A SIC, na segunda-feira, abriu o jornal da noite com as várias reações, incluindo a minha no blogue “Gota de Água”. Transcrevo, em síntese, alguns extratos: “ (...) P. Rangel meteu a Justiça ao barulho insinuando que é partidarizável. Os juízes reagiram forte (...) E os comentadores, mesmo os oficiais do meio laranja, não pouparam o dislate. P. Coelho foi a cereja em cima do bolo. Ao afirmar - traído pela memória - que a política não é para "beneficiar alguns amigos" (com quase seis mil nomeados), revelou não estar em grande tecnoforma (...) Ao mesmo tempo, António Costa, em Sto. Tirso, era levado em ombros (...) ”
Se a este infeliz episódio juntarmos os que sublinhei no último artigo “Não há melhor cartaz do que estes deslizes do governo!” (desde a tentativa de adjudicação direta da concessão do Metro e STCP, passando pelos números fantasiados da receita fiscal, para acenar com um possível corte na sobretaxa do IRS, até ao atraso na candidatura para 60 mil bolsas de estudo), rapidamente nos damos conta de que posso vir a ter razão no comentário que fiz à notícia de primeira página do Jornal de Negócios desta quarta-feira, assim titulada: Sondagens: Distância entre PS e coligação é a mesma há dois anos”.
E observei o seguinte: “(…) são as mesmas há dois anos, com o PS à frente. Este próximo fim de semana terá novas sondagens, certamente bem diferentes das que o PSD mandou fazer lá em casa, na sua "cozinha política". Nunca mostraram nada a ninguém, nem um algarismo e muito menos um número. Só dizem "já ganhámos", mas têm um problema: é que por acaso vamos mesmo ter eleições em vez de sondagens”. E vai ser já no próximo dia 4 de outubro.
Foi assim que para a coligação, ao contrário do PS, terminou mal, no dia 31 de agosto, uma “silly season” que lhe tinha começado bem. Se a intranquilidade nunca foi boa conselheira, julgar que os eleitores andam distraídos - e que quando a inteligência foi distribuída não estávamos cá todos - é um erro fatal. Acredito, por isso, que o último fim de semana de agosto foi aquele em que a coligação perdeu as eleições.

DV 2015.09.02

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