terça-feira, 18 de novembro de 2014

AM - Pedro Baila - Centro Histórico - Monumento Nacional e património da UNESCO

Uma pesquisa no Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA) e no sistema Ulisses da Direção Geral do Património Cultural revela que as classificações, proteções, condicionantes e valorizações de imóveis em muitos dos concelhos da CIM Viseu Dão Lafões são tendencialmente em menor número face a concelhos de características similares, o que é particularmente notório no concelho de Viseu.
Este facto é estranho dado o vasto património histórico, cultural e popular/tradicional de Viseu e dos concelhos adjacentes.
Para a valorização deste território e dos seus bens patrimoniais, seria útil que as autarquias locais, incluindo as juntas de freguesia, em concertação com proprietários, mecenas, participação pública e governo central, criassem condições para a atualização e (re)classificação de sítios, monumentos e conjuntos arquitetónicos da região em bens imóveis de interesse municipal, interesse público, interesse nacional (vulgo monumentos nacionais) ou em outras categorias.
Como passo intermédio para a candidatura do Centro Histórico de Viseu (CHV) a Património Mundial da UNESCO (ensejo público a longo prazo do atual executivo municipal), a sua classificação a breve prazo como Monumento Nacional seria muito oportuna, obrigando desde já a uma série de restrições positivas para a sua proteção.
Nos próximo anos, o CHV vai ser sujeito a diversas intervenções urbanas nos edifícios e espaços públicos, enquadradas na estratégia para a sua revitalização. Será fundamental que impulsos de especulação imobiliária (a que a Câmara Municipal de Viseu e a Sociedade de Reabilitação Urbana estarão certamente atentas) ou “descuidos” arquitetónicos não desvirtuem a sua valia patrimonial.
Por outro lado, lançar já este procedimento administrativo para a “classificação nacional” do CHV, com a recolha e sistematização de informação inerente, irá instruir, alicerçar e dar mais propriedade à futura candidatura a Património Mundial, fazendo com que as movimentações urbanísticas que se advinham sejam já enformadas do espírito e padrões internacionais de perseveração patrimonial.
Existe o bom exemplo do Centro Histórico de Guimarães. A sua reabilitação, impulsionada pelo Arquiteto Fernando Távora, culminou na sua classificação como Património Mundial. Foi um projeto concretizado de forma gradativa, ao longo de muitos anos, num trabalho de proximidade com os habitantes e as atividades económicas tradicionais, exigente quanto à qualidade da preservação e com uma instrução administrativa do processo de candidatura irrepreensível.
Não menos importante neste contexto de classificação do património histórico-cultural do CHV, é a valorização do Museu Grão Vasco — uma das suas principais âncoras — pela sua elevação a Museu Nacional, para a qual todos os agentes locais-regionais responsáveis se devem empenhar.
É o futuro do território de Viseu que está em causa, deve ser pensado estruturadamente no seu todo, com todos e sem grandes preocupações imediatistas. (Pedro Baila Antunes)

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