sábado, 31 de março de 2012

TUDO ESTÁ PIOR DO QUE HÁ UM ANO (in Diário as Beiras)

Esta é a constatação possível depois de ouvir atentamente a entrevista do primeiro-ministro. E não se comprometeu com uma linha de esperança deixando no ar uma única certeza: não pode garantir que não sejam necessárias mais medidas de austeridade.
Mais interessado na avaliação da "Troika" do que na dos portugueses, refugia-se naquela e esconde-se desta com um "neste momento não precisamos de mais tempo ou mais dinheiro". O problema está na expressão "neste momento". Significa que num outro, o do dia seguinte, por exemplo, tudo poderá acontecer.
A hora da verdade chegará em breve. Jacinto Nunes, Catroga, Manuela Ferreira Leite ("tem fé" e não pode deixar de "acreditar em milagres") Adriano Moreira, Soares dos Santos, Marcelo, Marques Mendes, entre muitos outros, têm dito que é preciso mais tempo, ou mais dinheiro ou as duas coisas.
Estes últimos, Marques Mendes e Marcelo, afirmam, no entanto, que o primeiro-ministro faz bem em negar e dizer o contrário "por causa dos mercados". Sim, explicação inteligente, porque os mercados não leem jornais, não veem televisões, os embaixadores andam distraídos, enfim não se apercebem do que passa e muito menos da dicotomia opinativa entre farinha do mesmo saco. E nós, nem falar, simples mortais, gente incapaz de compreender tão douto discurso!
A entrevista foi "quase" um evento natural, depois de um congresso em que nada se falou sobre o futuro e tudo se recalcou sobre um passado já transitado em julgado, com um juízo de 28% sobre a governação do PS.
O PSD não se ficou por aqui e avançou mesmo com ataques pessoais a muitos socialistas. Talvez por isso o presidente do PSD tivesse necessidade, no discurso final, de "desautorizar" os excessos dos congressistas. Hipocrisia dos tempos!
Na entrevista disse que não "viu" nenhuma crispação com o PS, mas que não poderia "pôr uma rolha às bases" do PSD. Percebi duas coisas, uma mais simpática e outra nem tanto. A primeira é a de que Miguel Relvas, Luis Montenegro ou Filipe Menezes, são um novo conceito de bases. A segunda, a de que Américo Amorim não fará negócio com a "venda" de rolhas no PSD!  
Para quem perdeu o emprego ou não consegue a sua primeira oportunidade de trabalho, nomeadamente os mais jovens, para um reformado ou funcionário da administração pública, que viram amputados o produto do seu esforço e trabalho, para todos nós em geral, o primeiro-ministro transmitiu tudo menos confiança e apenas incerteza do caminho a seguir, isto é, ofereceu-nos um futuro imprevisível, de aventura!
Alguns analistas dizem que, pelo menos, falou verdade – e não falou – e confessou que tudo era imprevisível, mas, convenhamos, é muito curto dar uma entrevista para dizer o que todos sabemos: tudo está pior do que há um ano!
DB 29.03.2012

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