quarta-feira, 4 de março de 2015

Fará sentido refletir sobre a implantação de uma plataforma logística em Viseu?

(Pedro Baila Antunes) - O município de Viseu, no norte do centro de Portugal, entre o mar e Espanha, está geoestrategicamente localizado no território nacional. É, por isso, cruzamento de vias nas direções oeste-este e norte-sul. No entanto, hoje, com outras exigências de mobilidade, são patentes alguns handicaps no plano ferroviário e na ligação rodoviária ao Sul.
No Plano Estratégico dos Transportes e Infraestruturas 2014-2020, um dos eixos de desenvolvimento prioritários, o Corredor Internacional Norte, inclui o eixo ferroviário Aveiro-(ramal de Viseu?)-Vilar Formoso, que deverá privilegiar o transporte de mercadorias, de financiamento público, quer o eixo rodoviário Viseu-Coimbra que integra com a A25 a Rede Transeuropeia de Transportes), de financiamento privado.
Estes projetos foram confirmados e já calendarizados no Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos, conhecido por Plano Juncker. É certo que o eventual financiamento privado de um deles traz grandes constrangimentos à sua efetiva construção e, posteriormente, à sua exploração/utilização.
É latente a polarização de Viseu cidade-região neste moderno, operacional e competitivo cruzamento rodoferroviário que se tende a consolidar, articulando-se Viseu radialmente com diversos municípios. Num raio de 20km encontra-se uma população superior a 250 mil habitantes e diversos polos industriais.
À semelhança do país, Viseu — que nunca apostou na industrialização — necessita de atrair investimento em atividades produtoras de bens e serviços transacionáveis, que acrescente valor aos recursos endógenos, garanta competitividade ao território, aumente o emprego e o rendimento locais.
É reconhecido que houve muito investimento com comparticipação comunitária em infraestruturas de fomento empresarial/industrial (parques empresariais, mercados abastecedores, centros tecnológicos, plataformas logísticas…) mal concebido ou sobredimensionado. Em relação a outros quadros comunitários de apoio, o Portugal 2020 é muito mais exigente na sua consecução, apostando menos nas infraestruturas, sobretudo se estas não forem “reprodutíveis”.
Assim, como fator de impulso à industrialização vital do município de Viseu, baseada em bens e serviços de cariz tecnológico e noutros setores já tradicionais na região (p.e. farmacêutico e automóvel) e em cluster específicos associados aos recursos endógenos (p.e. floresta), para um escoamento eficaz dos produtos transacionáveis para a Europa (Espanha) ou outros destinos (via porto de Aveiro), numa interface localizada junto à A25 e à linha ferroviária, possivelmente aproveitando um dos parques empresariais existentes, numa aposta intrarregional de proximidade (Viseu Dão Lafões), à escala, após estudos fiáveis de sustentabilidade, porventura com construção faseada, em eventual consórcio público-associativo-empresarial, fará sentido refletir sobre a implantação de uma plataforma logística em Viseu?

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