sexta-feira, 5 de julho de 2013

Pacheco Pereira: o que é criminoso na gestão do PR


As peripécias são relativamente pouco interessantes, o pano de fundo desta crise é que é interessante: a transição, em parte por razões eleitorais e em parte pelo desastre desta política, das "finanças" para o "crescimento". 
A razão porque Gaspar se afasta é porque reconhece o falhanço da política e porque o PM começou a oscilar entre as finanças e o discurso do crescimento. 
Portas vê um PM que não está verdadeiramente nem num lado nem no outro e viu isso como pretexto para não apresentar a reforma do Estado e para não continuar associado com aquilo que vai ser a continuação do desastre. O que se vê no governo são as ruínas do período das finanças e uma confusão monumental do período do desenvolvimento.
A troika e os mercados querem um acordo entre os 3 principais partidos que suporte tudo, até eleições, e permita dar uma continuidade natural. O que é criminoso na gestão do PR e na maneira como Passos e Portas desenvolvem esta crise, é que deviam ter garantido uma solução, que pode passar por um governo de gestão (que até pode ser este), que comprometesse um partido como o PS, perante a hipótese de eleições antecipadas.
O argumento contra as eleições antecipadas começa a aproximar-se perigosamente de um argumento contra eleições, "anti-económicas", que alguma direita tem. A questão das eleições antecipadas tem que ser associada a um acordo prévio de como se vai viver no período até às eleições; para ser credível tem de envolver o PS, que se quer eleições não pode desligar-se do período anterior a elas. E quem provocou eleições antecipadas foram Passos e Portas, não se tenham dúvidas sobre isso. São um grande risco político e de governabilidade mas a situação actual é um risco maior. Não há condições para se evitarem eleições, sendo preferível que se prepare bem esse cenário

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