sexta-feira, 24 de agosto de 2012

(in Diário de Viseu) OS PORTUGUESES CUMPRIRAM E SÓ O GOVERNO FALHOU



É curioso que a discussão, neste momento, se dirija ao OE 2013 sem cuidar dos resultados da atual execução orçamental e das suas consequências. Até parece que não tem importância nenhuma, mas não é assim.
Quando em 2011 o ano terminou com um défice de 4,2%, bem mais baixo do que os 5,9% exigidos pelo memorando da Troika, percebeu-se que a meta de 4,5% para 2012  e a de de 3% para 2013 seriam dados adquiridos. Penso que os portugueses aceitaram os sacrifícios impostos com base nessa expetativa.
Acontece que as ultimas notícias, das entidades nacionais e internacionais, são preocupantes, porque apontam para uma derrapagem de todos os cálculos do governo, mesmo depois deste os ter corrigido várias vezes.
Dir-se-ia, como o governo ultimamente tanto insiste, que há uma crise internacional, a mais severa destes últimos 80 anos, tal como há dias referia na televisão o nosso conterrâneo Alvaro Santos Pereira, ministro da Economia, e que isso justifica as dificuldades.
É verdade, mas isso já dizia o eng. Sócrates há um ano. Esse facto conduziu-o ao célebre  PEC IV, aprovado por todos os chefes de estado e de governo, pelo BCE, Comissão Europeia e chumbado logo a seguir pela nossa AR, sob a liderança do PSD, para espanto de toda a Europa.
Diziam, então, o PSD e o CDS exatamente o contrário. A crise era interna, exclusivamente portuguesa e socialista e que o tal PEC IV, de saudosa memória, era excessivo, pedia muitos sacrifícios aos portugueses. E foi assim, tal e qual, o que disseram. E os portugueses acreditaram e dirigiram o seu olhar para a esperança que a direita lhes prometia.
Estamos todos defraudados. Afinal a crise, agora, já é internacional, multilingue, mas as medidas impostas por Passos Coelho e Paulo Portas são incomparavelmente mais dramáticas, foram mesmo para além do que era exigido pela Troika.
E o que resultou de tudo isto? Uma crise política a somar à crise económica, um Presidente da República com popularidade instalada no "ground zero", um desemprego estatístico oficial de 15%, um outro global e real de 23%, mais 205 mil desempregados do que em 2011, tendo já perdido direito a subsidio mais de 50%; um aumento de 47% nas falências, uma recessão histórica superior a -3%, uma economia parada com total ausência de medidas para o seu financiamento e internacionalização.
E, espantem-se, o défice será superior ao de 2011, talvez não cumpra as metas deste ano nem do próximo, ficámos sem subsídios, pagamos o IVA a 23%, temos energias mais caras, pararam-se todos os investimentos e vemos a nossa juventude emigrar.
Portanto, é melhor não comentar o que não se conhece, o OE 2013, e refletir sobre o que está a acontecer, sobre o mundo real em que vivemos, sobre o que nos está a acontecer, porque tudo isto, para já, significa que os portugueses cumpriram e que só o governo falhou.
DV 2012.08.22

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