quarta-feira, 22 de agosto de 2012

HOJE (opinião no J Negó) PASSOS COELHO E OS CINCO ERROS CRASSOS



Em Outubro, aquando do OE 2013 da atual maioria, o PS e o país ficarão a saber as metas e medidas concretas que o governo vai apresentar. Até lá o maior partido da oposição continuará em silêncio sobre o que desconhece, mas depois dirá o que pensa e, se for caso disso, repito, “se for caso disso”, apresentará propostas alternativas claras, porque o PS não aceitará ao governo a repetição de erros crassos do passado, apenas pela recusa em ouvir e considerar cinco linhas estruturantes. Passo a lembrar.
O PS combateu a ausência de uma política de promoção do emprego e avisou o governo sobre o efeito recessivo dos seus cortes cegos, excessivos, e as suas consequências. A título de exemplo, o IVA máximo na energia e restauração, o corte de 50% do subsídio de Natal em 2011 e o confisco dos dois de 2012, subtraíram à economia. O governo não ouviu. Hoje há mais 205 mil desempregados, uma taxa que atingiu os 15% sendo que a real passa os 23%.
O PS defendeu uma estratégia para a recuperação e crescimento económicos, apoiando as empresas, nomeadamente as que exportam e alertou para as consequências da ausência de financiamento à economia e à sua internacionalização. O governo não ouviu. Hoje acrescem ao desemprego conhecido mais 705 mil portugueses com pagamentos em atraso e o leilão bancário de 120 casas por dia.
O PS combateu a política de Passos Coelho que se concentrara na defesa ideológica de uma austeridade excessiva, contra tudo e contra todos, demonstrando-lhe que os sacrifícios poderiam ser menores com uma repartição mais sensata. O défice em 2011 (incompreensivelmente) foi muito menor do que a Troika exigia e o memorando previa. Acontece que este ano não está a diminuir, está a aumentar. O governo não ouviu. Paradoxalmente, o défice será maior do que em 2011 e corre o risco de não atingir a meta de 4,5 % assumida no memorando.
O PS defendeu mais tempo para consolidar as contas públicas, de modo a diluir o esforço de todos e a aumentar as oportunidades para a economia e o emprego, sobretudo o mais jovem. O governo não ouviu. Hoje mais de 150 mil pessoas saíram de Portugal, sobretudo jovens superiormente qualificados, delapidando-se um património humano, português, formado por nós e colocado ao serviço de terceiros.
O PS combateu sempre o seguidismo acrítico e menor, quase "religioso", que Passos Coelho tem vindo a fazer da senhora Merkel e que se traduz na ideia inqualificável de substituir o crescimento pelo empobrecimento ou o emprego pela emigração, quebrando todas as regras e valores que levaram à construção europeia. O governo não ouviu. As falências aumentaram quase 47%, cerca de 500 empresas encerram todos dos dias e a desagregação da Europa nunca esteve tão perto.
Assim, é oportuno lembrar ao governo de que é necessário escolher outro caminho, demonstrar às pessoas que o país é possível e que o seu reencontro com a confiança e um futuro de esperança é uma exigência inultrapassável. Sem isso, nada pode ser pedido ao PS. Não há cheques em branco, nem espaço para a repetição destes cinco erros crassos de Passos Coelho.

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