sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

As greves da CGTP são o maior equívoco do PCP

Escrevi, desde o início deste "ciclo novo", que não acreditava que Jerónimo e o Comité Central se quisessem suicidar com um apoio genuíno ao Governo minoritário do PS. 
Um rápido olhar sobre o fim dos partidos comunistas europeus permitiu-me pensar assim. E hoje estou mais convicto dessa realidade. 
A descer nas sondagens e com copiosa derrota nas presidenciais, o PCP está quase como um peixe fora do aquário. Esforça-se por respirar, mas cada vez com maiores dificuldades.Impressiona!
Este recurso às greves convocadas pela CGTP - como a que agora decorre -  ao arrepio de toda a opinião pública, para disfarçar o falacioso apoio parlamentar ao PS, faz crescer continuadamente o BE que, assim, quase naturalmente, se credibiliza junto do eleitorado mais à esquerda "petiscando" alegremente nas bases do PCP. Isto não vai dar coisa boa!

Hoje, António Costa e oposições no debate quinzenal: realismo e responsabilidade

O Governo escolheu o "Simplex" para debate. A experiência diz-me que se falará apenas de números, da proposta do OE 2016, dos funcionários da Troika, das estimativas da UTAO, das agências de rating...o habitual.  Um pergunta o que quer e o outro responde o que entende. O debate parlamentar, por vezes, é isto mesmo: ver quem passa a mensagem decisiva, independentemente da sua consistência.
Contrariar as "não soluções de Bruxelas" deveria ser um objetivo comum. Exultar com as "ameaças das agências", com as exigências da Troika ou fazer a prognose do dilúvio é um papel que uma oposição inteligente não deverá assumir. 
Bem nos bastou Cavaco com o Governo PS, no início de 2011, a tomar como suas as ameaças de todas as "Fitchs" do planeta e arredores para, 6 meses depois, dizer o seu contrário quando o governo de direita,  começou a exercer funções. E tudo correu mal.
Não é suficiente - e até é cínico - que o próprio FMI venha reconhecer que errou, tal como fizeram outras personalidades da Comissão ou do BCE. Isso agora não resolve nada e até tudo fica mais complicado se depois de tais palavras exigirem a prática dos mesmos atos.
De facto, os sacrifícios exigidos penalizaram apenas as pessoas e não, por exemplo, a banca e os "Donos de Tudo Isto" que andam por aí. E não são muitos os privilegiados do Planeta, mas 1% tem mais riqueza do que os outros 99% como só agora alguma comunicação social parece ter descoberto. Por isso Guterres, parafraseando, disse que se os ricos não forem ao encontro dos pobres, um dia serão os pobres a vir ao encontro dos ricos.
O debate político, sobretudo no contexto em que vivemos, exige responsabilidade na divergência e realismo para fazer a convergência com vista ao bem comum. Veremos se realismo e responsabilidade serão ou não dominantes no debate.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Aximagem - De onde vieram os votos de Marcelo

Marcelo "roubou" votos a todos. A campanha dos afetos de Marcelo Rebelo de Sousa chegou a boa parte do eleitorado: aquele que se afirmou como o candidato da Direita mais à Esquerda não só conquistou os votos da Direita como "roubou" votos aos partidos de Esquerda, sobretudo ao PS. 
As duas surpresas da noite - Marisa Matias e Vitorino Silva - foram quem mais beneficiou com os indecisos das legislativas. Segundo uma análise da Aximage, com base nas sondagens realizadas e nas intenções, 61,1% dos eleitores do agora Presidente eleito vieram de quem escolheu a coligação Portugal à Frente no dia 4 de outubro e 14,6% migraram do PS. 
No BE e PCP, a deslocação de votos foi, naturalmente, muito mais baixa: 3,5% e 1,8%.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Opinião - "Suspensão da decência" - Fernanda Câncio - DN

Foi correto acabar com as subvenções vitalícias dos políticos? Parece que agora toda a gente acha que sim, e mais: que quase todos queriam cortar as já em pagamento e até acabar até com a dos presidentes da República (objeto, e bem, de lei à parte). Era tudo a raso, e que se lixassem a segurança jurídica e o princípio da confiança tão invocadas noutros pedidos de fiscalização da constitucionalidade, nomeadamente por partidos, como o BE e PCP, que agora rasgam as vestes ante o mais recente acórdão do Tribunal Constitucional.

Aliás desde que rebentou a polémica me pergunto como terá votado cada partido, e porquê, a lei de 2005 que acabou com essas subvenções para o futuro, mantendo-as para quem já as recebia. Ora está tudo no site do Parlamento: no dia 28 de julho de 2005, votaram a favor dessa proposta do governo o PS, o PSD, o PCP e o BE; o CDS absteve-se. Sim, leu bem: não houve um único partido a votar contra a lei que permitia que se continuassem a pagar as subvenções já a pagamento e previa um período transitório em que deputados e outros titulares de cargos políticos que nessa legislatura completassem os 12 anos de serviço público pudessem ainda fazer uso dessa possibilidade.

Na discussão, ninguém da oposição sugeriu a supressão das subvenções já a pagamento ou sequer qualquer condição de recursos. Pelo contrário; o então executivo foi acusado pelo deputado do PSD José de Matos Correia de estar a proceder a "uma manobra de diversão" e de "ceder à tentação de acompanhar aqueles que sempre viram no ataque aos políticos uma forma simples de granjear apoios", ouvindo de Nuno Melo, do CDS: "Esquece que todo o populismo tem um preço. E atacar pela imagem e pela credibilidade os titulares das instituições democráticas é o pior dos caminhos." O quase candidato à liderança do seu partido chegou até a dizer que "a composição parlamentar futura será feita por quem queira ser deputado ou político mas só a preço de saldo."

Escusado perguntar como votaram Matos Correia e Melo as alterações feitas nos OE de 2014 e 2015 às subvenções que estavam a ser pagas. É esta falta de seriedade que, independentemente do que se pense das subvenções vitalícias (penso mal) e do acórdão do TC (deficiente na fundamentação e incongruente com anteriores decisões), agonia na atual gritaria à volta do assunto, com todos os candidatos a PR (incluindo Belém, bombo da festa mas a defender-se da pior forma, atacando Matias pelo salário de eurodeputada) a competir na mais abjeta demagogia. É Marcelo que garante "recusar privilégios" (ele, o poster boy de casta que não precisa de subvenções para nada), é Nóvoa que idem, é Marisa que vitupera o TC ao nível de um Passos (uma candidata a PR a chamar "vergonhosa" a uma decisão de tribunal?), Edgar que diz ter "lutado sempre contra". Políticos a alinhar com o mais básico discurso antipolíticos enquanto nos pedem o voto. Que tristeza.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

"Olha para o que eu digo, mas..."A indignação Euromilionária de Marisa Matias

A Euromilionária Marisa Matias discorda do regime remuneratório dos deputados até 2005 e do direito a um subsídio de reintegração ou a uma retribuição vitalícia que terminou há quase onze anos pela pena de José Sócrates.
E a decisão do Tribunal Constitucional não vai repor esse regime. Apenas considerou inconstitucional uma norma que o anterior governo inseriu no OE, como considerou outras – e foram várias – sobre outras matérias ao longo dos anos. A Euromilionária candidata não esclareceu este facto, mas a partir dele criou uma arma de arremesso. A verba líquida, média, em causa para os antigos deputados aos quais se aplica a decisão do TC andará não muito  acima dos mil euros.

Conclui-se, portanto, que a Constituição e o Tribunal Constitucional umas vezes é para defender e outras para atacar.
E se a moral não é a lei da República, mas sim a moral de Marisa Matias, vejamos o que nos diz o Parlamento Europeu sobre o rendimento mensal da Eurodeputada (e de todos) que, sem qualquer comentário, dou a conhecer:

Marisa Matias não é paga nos seguintes termos?
1.       Subvenção de mandato (o equivalente ao vencimento): Nos termos do Estatuto (art°10) o correspondente a 38,5% do vencimento base de um juiz do Tribunal de Justiça da UE. O valor é tributado por um imposto comunitário correspondente a 22% e aplicada uma percentagem relativa a seguro por acidente. Igual para todos os deputados. A título indicativo, o subsídio de mandato em termos brutos corresponde a 8.213.02€, em termos líquidos a 6.402,15€;
2.       A subvenção referida é paga desde o primeiro ao último dia do mandato;
3.       No final do mandato, os deputados têm direito a uma subvenção transitória, correspondente a um mês por ano de exercício de mandato, no mínimo de 6 meses e no máximo 24 meses.
No caso do mandato de deputado europeu, esta subvenção aplica-se, nos posteriores 6 meses.
4.       À subvenção acresce uma verba para reembolso mensal de despesas com viagens num montante de 4.243,00€ (valor de 2014);
5.       Acresce a subvenção por cada dia de presença de 304,00€ (valor de 2014), sempre que participe em reuniões e conferencias em território da UE. Vejamos: em 22 dois dias uteis mensais, será o equivalente a 6.688,00€ (=304€x22);
6.       Para gastos mensais com a atividade parlamentar tem 4.299,00€ (telefones, correio, internet, ordenadores, jornais, livros, etc … não suscetível de verificação por faturas;
7.       Acrescem direitos sociais, da formação à saúde, ao apoio familiar, automóvel de serviço, motorista, parking, taxi, etc).
8.       Há também uma verba mensal de 21.209,00€ (2014) para pagamento de assistentes parlamentares de livre escolha
9.       Em síntese um deputado aufere por mês:
a.       8.213.02€ - subvenção de mandato
b.      6.688,00€ - per dia, no caso de 22 dias/mês, por regra nunca são 22 dias, no mínimo 20 dias;
c.       2.150,00€  - no pressuposto que beneficia de 50% dos gastos com actividade parlamentar (ponto 6);

 Em exercício de mandato, o vencimento mensal global pode ser equivalente a 17.000 € (aprox.). Anual (12 meses) cerca de 200 mil € e 1 milhão por mandato
A isto acrescem mais 21 000€ mensais para o gabinete, 254 000€ anuais ou seja 1 272 540€ por mandato





quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

15710 "Curiosidades" radioativas

Fixe este número: 15.710. É o número de ogivas nucleares existentes no mundo, das quais 7.500 pertencem à Rússia e 7.100 aos EUA. Menos 25% que na época da Guerra Fria. 
França tem 300, a China 250, o Reino Unido 225, o Paquistão 130, a Índia 110, Israel 80 e a Coreia do Norte 15. Está tudo dito!